Rossio ao Sul do Tejo, junho de 2018 | Foto: Paulo Jorge de Sousa

Faz no próximo dia 28 de janeiro seis anos que roubaram à minha terra o poder local. Foi há seis anos que uniram duas freguesias com histórias e gentes diferentes, e diferentes também na sua tipologia, sendo uma parte da Zona Urbana da cidade de Abrantes e outra uma freguesia rural com a sua devida importância. O que é facto é que se juntaram duas freguesias sem perguntar aos seus cidadãos o quê e como deveria ser feito. Os Patos Bravos e os Arestas nunca se deram bem, tudo motivado por questões territoriais que envolviam o Cabrito, São Macário, Arrifana e Arreciadas, lugares cobiçados por ambas as freguesias antes da União.

Na minha opinião, a de um mero cidadão que não aceita ser outra coisa senão Pato Bravo, esta União deveria acabar. Pouco ou nada pode ser encontrado que una as gentes destas duas localidades. Por oposição à minha ideia vejo cada vez mais pessoas de ambas as freguesias a aceitarem o matrimónio forçado e a própria Junta, que aceita de bom grado este fenómeno.

Eu não aceito, e continuo a comemorar o dia 18 de maio como o dia da fundação da freguesia de Rossio ao Sul do Tejo, no ido ano de 1839, só que agora já não há hastear da bandeira na Junta com a Banda Filarmónica da SIMR, não há mais a Caça ao Pato ou as tardes de canoagem ao domingo. Vão matando o meu, o nosso Rossio, lentamente. E nós vamos aceitando e vergando a cabeça.

Quando venho ao fim de semana a casa e encontro tudo na mesma como ficou, até os montes de folhas por apanhar, fico na dúvida sobre o que esteja a falhar, pois passo a semana a estudar o que é ser político e que a política é serviço e zelar pelo bem comum, mas a realidade deixa muito a desejar.

Pode ser que com a descentralização e a tentativa de aproximação das autarquias locais o governo reveja esta situação incómoda e ouça as populações, já que os anteriores não o souberam fazer.

Nasceu no ano de 2000 na cidade de Abrantes. Arreigado, com muito orgulho, em Rossio ao Sul do Tejo, mas com uma enorme vontade de conhecer o Mundo. Estuda Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade da Beira Interior e ainda não sabe bem o que quer fazer da vida. Inspira-se muito na célebre frase de Sócrates (o filósofo), “Só sei que nada sei”, como mote para aprender sempre mais.

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