Raramente uma medida como o encerramento de uma central de produção de energia foi tão mal preparada como a ação do Governo para antecipar o encerramento da central do Pego. Como expliquei neste artigo do Expresso, todo o processo é uma sucessão de erros, de falta de planeamento e de bom senso. Se a preparação do encerramento tivesse sido feita com cabeça e houvesse alguma continuidade assegurada não estávamos agora a suspirar por apoios aos trabalhadores e uma despesa brutal, mas necessária por culpa do Governo, para compensar as pessoas e a economia da região.
É tão justo reconhecer que as forças políticas locais e regionais se uniram neste combate, em particular o autarca de Abrantes, como lembrar que esta decisão de encerramento antecipado das centrais resulta de um acordo entre o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista Português e o PAN.
Não podia deixar de recordar também que já há cerca de dois anos, quando o Ministro do Ambiente anunciou o encerramento do Pego, foi o PSD que lhe lembrou que a Central de Sines era bem mais poluente e que o Mibel incluía centrais mais poluentes em Espanha e Marrocos. Embaraçado com a constatação de que o encerramento da Central do Pego era um disparate, Matos Fernandes fez uma fuga para a frente e acusou-me de não estar comprometido com as metas do clima. Uns dias depois, mesmo não reconhecendo o erro, anunciou o encerramento do central termo elétrica de Sines…
Significa isto que tivemos pelos dois anos para preparar a continuidade da Central com outro tipo de produção bem como as alternativas para os trabalhadores. Como se pode ler no artigo que acima partilho, nada disto foi feito.
Só depois dos protestos dos trabalhadores, das exigências do Presidente da CM de Abrantes, da unidade dos vereadores da oposição, e em particular da veemência do PSD abrantino, e sem falsas modéstias, de alguns factos que os Deputados do PSD ajudaram a revelar, é que o Ministro do Ambiente e até o próprio Primeiro-Ministro vieram a correr a anunciar milhões de investimento, salários para os trabalhadores, três ou quatro novas empresas e tantas outras promessas.
A sorte das pessoas que são diretamente prejudicadas pelo encerramento da central é que temos eleições no final de janeiro. Se não fosse assim o Governo não teria sido tão rápido a corrigir a asneira feita enviando dinheiro para cima dos problemas.
Esta decisão e a sua falta de planeamento não é favorável nem ao ambiente, nem aos cidadãos e muito menos ao país. É uma daquelas decisões que se fossem bem preparadas, não tinham custos, ajudavam o ambiente e seriam uma bandeira para Portugal. O Ministro Matos Fernandes está, infelizmente, cada vez mais parecido com Eduardo Cabrita.
Agora que os fundos estão “mobilizados” só espero que António Costa não volte a inventar um novo efeito “spillover” de distribuição dos efeitos do investimento e que não venham a enviar estes novos investimentos para outros concelhos que não os diretamente prejudicados pelo encerramento da central e que prioritariamente são Abrantes, Mação, Sardoal e Gavião.
Tem valido a pena lutar. Se não conseguimos impedir o Governo de fazer disparates, ao menos conseguimos minimizar os danos para as pessoas.
