Central termoelétrica do Pego. Foto arquivo: mediotejo.net

“Portugal continua a apostar nas energias renováveis e também no armazenamento. Atendendo às condições que Abrantes tem relativamente ao seu ponto de injeção, entendemos que isso é extremamente positivo”, afirmou hoje o presidente do município de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, defendendo que a infraestrutura do Pego continua a reunir condições para captar novos investimentos.

O esclarecimento foi prestado pelo Ministério do Ambiente e Energia à Lusa após a apresentação da Estratégia Nacional de Armazenamento, que identifica Abrantes entre os pontos da Rede Nacional de Transporte abrangidos pelo futuro procedimento concorrencial.

Segundo o Ministério, os 300 MVA correspondem à capacidade máxima total a atribuir no concurso e poderão ser distribuídos pelas instalações da Rede Nacional de Transporte de Abrantes, Rio Maior, Sines e Santo André, não estando reservados a qualquer localização específica.

A tutela esclareceu ainda que este procedimento é autónomo relativamente ao processo de reconversão da antiga Central do Pego e aos projetos atualmente desenvolvidos pela Endesa.

Segundo Manuel Jorge Valamatos, a infraestrutura elétrica da antiga central mantém margem para acolher novos investimentos.

“Sei que, depois do concurso ganho pela Endesa, estarão ainda disponíveis cerca de 300 a 320 MW”, afirmou, considerando que o Pego poderá enquadrar novos projetos no futuro.

Autarca de Abrantes manifestou “esperança” em investimentos avultados na região por leilão de 300 MGW de potência na antiga central a carvão do Pego. Foto arquivo: mediotejo.net

Encerrada em 2021 com o fim da produção elétrica a carvão, a antiga Central do Pego dispõe de uma das principais infraestruturas de ligação à Rede Elétrica Nacional.

Dos cerca de 600 MW de capacidade de ligação de que dispunha a antiga central, aproximadamente 280 MW encontram-se atribuídos ao projeto de reconversão energética da Endesa, vencedor do concurso de Transição Justa, que prevê um investimento de cerca de 600 milhões de euros em produção renovável e hidrogénio verde, mantendo-se disponível capacidade para futuros investimentos.

Questionado pela Lusa sobre a eventual capacidade remanescente da infraestrutura, o Ministério respondeu apenas que essa matéria será tratada em futuros procedimentos de atribuição de capacidade, sem quantificar a potência disponível.

O presidente da Câmara disse esperar que os próximos concursos permitam captar investimentos com impacto económico e na criação de emprego.

“Queremos projetos relevantes, quer para armazenamento quer para produção de energia renovável, que criem postos de trabalho, dinamismo económico e contribuam para o desenvolvimento da região e particularmente do concelho de Abrantes”, afirmou.

O autarca adiantou ainda que o município e a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo estão a acompanhar a consulta pública da Estratégia Nacional de Armazenamento e admitem apresentar contributos.

Sobre a compensação anual correspondente a 2,5% das receitas líquidas dos projetos para os municípios onde vierem a ser instalados, considerou tratar-se de “uma medida justa”, por representar uma compensação para os territórios que acolhem este tipo de investimentos.

A Estratégia Nacional de Armazenamento prevê atingir três gigawatts (GW) de armazenamento em baterias até 2030 e 4,5 GW até 2040, reforçando a integração das energias renováveis, a segurança do abastecimento elétrico e a redução dos desperdícios de energia.

As peças do procedimento encontram-se em consulta pública desde 29 de junho, devendo os contributos ser analisados a partir de 27 de julho. O Ministério prevê publicar as peças finais em 24 de agosto e abrir as candidaturas ao concurso em 14 de setembro.

c/Lusa

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