Ratificação governamental desbloqueia novo PDM de Abrantes após duas décadas em revisão. Foto: DR

A revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) de Abrantes, iniciada há mais de 20 anos, ficou concluída após a entrada em vigor da ratificação governamental que removeu o último obstáculo à aplicação do novo plano, informou o presidente do município, em reunião de executivo, tendo destacado a importância do momento.

“É uma vitória. Depois de mais de duas décadas, temos o PDM em condições de estar aprovado”, afirmou aos jornalistas o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, congratulando-se com a decisão publicada em Diário da República (DR), através da qual o Governo acolheu a posição defendida pelo município relativamente às situações em desconformidade com o Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo do Bode (POACB).

A Resolução do Conselho de Ministros, publicada na segunda-feira em DR e em vigor desde esta terça-feira, 9 de junho, ratifica as disposições da revisão do PDM consideradas desconformes ou incompatíveis com o POACB, eliminando o último obstáculo à conclusão de um processo de planeamento territorial iniciado há mais de duas décadas em Abrantes, no distrito de Santarém.

Apesar da entrada em vigor da resolução governamental, o novo PDM ainda terá de regressar à Assembleia Municipal de Abrantes, na sessão prevista para o final de junho, para conhecimento e consolidação da aprovação global do plano, seguindo depois para publicação em DR.

“Com esta ratificação do PDM, nós vencemos uma luta com a Agência Portuguesa do Ambiente”, declarou o autarca.

Segundo explicou, a divergência incidia sobretudo sobre a possibilidade de construir, reconstruir e reabilitar dentro de aglomerados urbanos já existentes em localidades abrangidas pela área do plano de ordenamento da albufeira.

Ratificação governamental desbloqueia novo PDM de Abrantes após duas décadas em revisão. Foto: mediotejo.net

Valamatos afirmou que a decisão do Conselho de Ministros acolheu integralmente a posição defendida pelo município ao longo do processo.

“O Conselho de Ministros define na sua totalidade as nossas reivindicações perante as desconformidades com o Plano de Ordenamento da Albufeira do Castelo do Bode”, afirmou.

A revisão do PDM teve início há mais de duas décadas e atravessou sucessivas alterações legislativas e procedimentos administrativos, constituindo um dos mais longos processos de planeamento territorial do município.

Para o autarca, o novo instrumento de gestão territorial permitirá responder a desafios ligados à habitação, à fixação de população, à regeneração urbana e à captação de investimento.

“A crise da habitação tornou-se uma prioridade. Fomenta-se assim o aumento da oferta habitacional, oferecendo índices máximos de ocupação do solo mais generosos para potenciar nova construção, habitação a custos acessíveis e fixação da população jovem”, afirmou.

Presidente da Cãmara de Abrantes deu conta que a ratificação governamental desbloqueia novo PDM de Abrantes após duas décadas em revisão. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:

O presidente da Câmara destacou que a revisão aumenta de forma significativa a capacidade construtiva do território, tanto para habitação como para atividades económicas.

“Até agora estávamos condicionados. Agora estas taxas muito mais generosas permitem que nos terrenos das pessoas a construção seja muito maior do que foi até aqui”, indicou.

A revisão prevê igualmente novas condições para a reabilitação urbana, para o desenvolvimento turístico e para a instalação de atividades económicas e industriais.

Entre as áreas apontadas como estratégicas está a envolvente da antiga central termoelétrica do Pego.

“Estão criadas todas as condições para que aquela zona e as zonas industriais de Alferrarede e do Tramagal possam ter, do ponto de vista da gestão do território, todas as condições para o nosso desenvolvimento”, declarou.

Segundo o presidente da Câmara, o novo enquadramento permitirá acolher investimentos já anunciados e outros que venham a surgir.

“Estão reunidas boas condições para que investimentos venham para o território, para atrair mais jovens para o concelho e para responder às necessidades das empresas e dos cidadãos”, concluiu.

c/Lusa

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