Hoje é fácil falar, sobretudo graças aos dados que foram ontem confirmados e que ao longo da Comissão de Inquérito ao BES foi possível descobrir, mas a decisão de não salvar o BES foi das mais importantes da nossa história recente, quer pela questão económica, mas também por uma questão de higiene política.
Numa altura em que ninguém dizia que não a Ricardo Salgado, houve um Primeiro-Ministro que recusou injetar 3 mil milhões de euros dos contribuintes no Grupo Espírito Santo, acionista principal do Banco Espírito Santo. Se o tivesse feito, se tivesse colocado a “mão por baixo” do Grupo BES, e tendo em conta o que sabemos hoje, esses 3 mil milhões de euros seriam apenas os primeiros de várias séries de 3 mil milhões + 3 mil milhões + 3 mil milhões e nunca mais parava, sabe-se lá até quando. O Estado e os contribuintes teriam ficado enredados nesse novelo.
O fundo de resolução então criado investiu no Novo Banco mas todo esse dinheiro será pago pelo restante sistema financeiro e devolvido aos contribuintes. Essa também foi uma boa decisão.
Na altura, Mário Soares, António Costa e muitos outros socialistas criticaram Passos Coelho e o Governo PSD/CDS. Mais tarde até Assunção Cristas se demarcou desta posição. O processo de venda do Novo Banco à Lone Star foi feito por António Costa, Mário Centeno e Banco de Portugal e as garantias então oferecidas ao grupo americano são leoninas. O modo como se chegou ao montante de 3.9 mil milhões de euros dado como almofada de segurança nunca foi explicado e as contas como se chegou a esse valor continuam escondidas.
A acusação conhecida esta semana confirma muito do que concluiu a Comissão de Inquérito que com muito orgulho integrei. Diz também que, e passo a citar, ao não investirem no GES “as entidades públicas (Banco de Portugal e Governo) puseram cobro a uma atividade criminosa”.
Hoje sabemos que há um antes e depois do não de Passos Coelho a Ricardo Salgado. Na altura, o Primeiro-Ministro ficou sozinho, provavelmente só com o apoio do seu governo e dos Deputados do PSD, hoje os portugueses estão aliviados por essa decisão tomada pelo Primeiro Ministro e pelo Governador do Banco de Portugal que decidiu a Resolução do BES.
