Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço de forma alternada, às segundas-feiras. “O Jogador”, de Fiódor Dostoievski, é a sugestão apresentada esta semana por Evelina Gaspar, da Biblioteca Municipal de Vila Nova da Barquinha.
Passe pela biblioteca… e boas leituras!
Propomos O Jogador, de Fiódor Dostoievski, cuja obra estará no mês de abril em destaque na Biblioteca Municipal de Vila Nova da Barquinha, no âmbito da iniciativa “1 mês, 1 escritor”.
Publicada em 1866, no mesmo ano de Crime e Castigo, este romance tem muito de autobiográfico, uma vez que parte da experiência do jogo na qual o autor também se viu enredado numa determinada altura da sua vida, atraído tanto pelo mistério como pela possibilidade de ganhar dinheiro depressa.
Conduz-nos pelos meandros psicológicos que traduzem o processo de fascinação que transforma o protagonista em alguém que não resiste ao apelo compulsivo do jogo e que acaba por sucumbir à obsessão, perdendo-se da vida e de si próprio até, uma vez que o vício da roleta o afasta mesmo do seu amor.
Dostoievski cativa-nos logo nas primeiras páginas de O Jogador pela ironia e pela crítica bem-humorada que perpassa ao longo de toda a história e com a qual pinta o retrato das várias personagens, entre as quais uma velha russa extravagante cujo principal herdeiro, um general aposentado desvairado de paixão, aguarda que morra para receber a herança e conquistar uma aventureira francesa pronta a entregar-se àquele que pagar mais.
No mesmo caldo de interesses desencontrados deparamo-nos também com um sedutor francês parasitário, um inglês soturno e honrado que não ousa declarar-se à sua amada, uma mulher que estabelece com o homem por quem é apaixonada uma relação de amor-ódio e um perceptor russo que começa por desprezar todos quantos o rodeiam, mas que acaba por ser objeto de uma profunda transfiguração.
Lê-se num sopro este livro que gira em volta do dinheiro e do que representa ganhá-lo e perdê-lo e que nesse sentido permanece, como costuma suceder com os grandes clássicos, perfeitamente atual.
