Os responsáveis das bibliotecas do Médio Tejo fazem recomendações de leitura no nosso jornal todas as semanas. “O homem em busca de um sentido”, de Viktor Emil Frankl, é a sugestão hoje apresentada por Amílcar Correia, da Biblioteca Municipal do Entroncamento. Passe pela Biblioteca… e boas leituras!

Viktor Emil Frankl, autor de “O homem em busca de um sentido”, nasceu na Áustria, em 1905. A sua formação em neurologia, bem como o doutoramento em psiquiatria, ambos tirados na Universidade de Viena, direcionam-no para os seus objetivos, o estudo da depressão e do suicídio.

Promove, neste campo, um programa piloto com o apoio de estudantes vienenses, tendo reduzido, na esfera de ação em que o plano foi aplicado, a taxa de suicídio para zero.

A promissora carreira, de Viktor Frankl, seria interrompida com a ascensão do Nacional Socialismo na Alemanha, que acaba por o enviar para um gueto e, em 1942, o deporta para Auschwitz. 

É sobre o tempo passado em Auschwitz, que Frankl escreve, em 1946, este livro, no qual a maior parte é a descrição do dia a dia no campo de concentração e sobre a sua dramática luta pela sobrevivência. 

Nos anos em que esteve preso, observou o comportamento dos seus colegas de cativeiro e as suas diferentes reações a situações tão extremas de sobrevivência. 

Enquanto está em Auschwitz, percebe que, mais que pela fome ou por falta de assistência médica, os prisioneiros morrem por desalento e falta de esperança. 

E, assim, também observou que os prisioneiros que tinham objetivos como: a esperança de sobreviverem àquele inferno e reencontrar familiares, tinham uma atitude mais resiliente; aqueles que procuravam diariamente por comida, através das mais diversas artimanhas e transações, para compensar a fraquíssima dieta alimentar que lhes davam, mantinham a mente ocupada e dava-lhes um sentido ao dia a dia.

O próprio autor arranjou uma estratégia de ultrapassar os seus momentos de maior sofrimento, ocupando o pensamento em conversas imaginárias com a sua mulher, grávida, e, como ele, presa em Auschwitz, que no final não mais encontraria, nem aos restantes familiares, entre os quais irmãos.

No final, seria o único sobrevivente da família a essa guerra. Cumpriu, contudo, uma das suas missões de vida, a de dar conhecimento a todo o mundo do seu método para enfrentar o maior dos horrores e sobreviver.  Viktor teve uma longa vida, falecendo aos 92 anos, em 1997.

A logoterapia, o seu legado para o estudo da mente, é uma abordagem psicoterapêutica   menos retrospetiva e menos introspetiva que a psicanálise. Centra-se, sobretudo, no futuro, na busca de um sentido para a vida de cada paciente, que o faça ultrapassar a doença. A logoterapia continua a ser ensinada e usada na cura de neuroses, como estados depressivos e “crises existenciais” e, em geral, nas falta de motivação para viver.

Nesta edição, o texto é diferente do inicial, tendo sido reescrito pelo autor, a pedido de muitos leitores e estudiosos, que lhe pediram uma descrição mais pormenorizada dessa novo ramo da psicologia, a logoterapia.  

O autor desenvolve mais a sua teoria numa segunda versão, que é esta, mas confessa: “A tarefa não era fácil. Transmitir ao leitor, num curto espaço, todo o material que necessitou de vinte volumes em alemão é quase missão impossível”.

Boas Leituras!

Amilcar Correia

Bibliotecário responsável pela Biblioteca Municipal do Entroncamento

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