Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço, de forma alternada, às segundas-feiras. “Martin Eden”, de Jack London, é a sugestão apresentada esta semana por Ana Sofia Marçal, da Biblioteca Municipal Padre Manuel Antunes, na Sertã.
Passe pela biblioteca… e boas leituras!
Título: Martin Eden
Autor: Jack London
Editora: Antígona
Idioma: Português
Ano de edição: 2002
Número de páginas: 472
Publicado em 1909, Martin Eden é a obra mais autobiográfica do autor. Trata-se de um romance que relata a vida de um jovem que procura incessantemente o sucesso como escritor. Eden nasceu pobre, tal como o próprio autor, sobrevivendo como marinheiro, à margem da sociedade, até descobrir o mundo da cultura, no qual procura a própria sobrevivência.
Martin Eden, perdidamente apaixonado por Ruth, jovem culta que pertence ao mundo burguês, apresenta-lhe gente refinada e uma realidade completamente diferente da que conhece até então. Este novo mundo oferece ao protagonista expectativas que o fazem crer que é possível viver exclusivamente da escrita, opção que merece a desaprovação generalizada, e que o leva a uma miséria profunda. Assiste ao desprezo e incompreensão de todos, face ao imenso talento literário que desenvolve arduamente.
O reconhecimento e sucesso chegam tarde e, estranhamente, não provocam em Martin Eden a sensação de triunfo por que tanto esperou. Sente-se desiludido com o dinheiro e o sucesso alcançado. Encontra-se inadaptado e deslocado, sem nada que lhe dê prazer, nem mesmo o amor de Ruth.
Planeia entretanto uma viagem para os mares do sul, como que um regresso às suas origens, que, ainda assim, não o anima.
“Este livro levou centenas de jovens escritores a acreditar que um futuro na literatura lhes podia ser acessível.
“(…) Extraordinárias são algumas das cenas, entre elas a que termina o livro, bem como algumas descrições das circunstâncias da pobreza; por exemplo, a ginástica a que Martin era obrigado para conseguir utilizar o seu quarto minúsculo para dormir e escrever. Todo o percurso para o êxito, incluindo as prolongadas e detalhadas angústias financeiras, gera empatia quase até ao desespero.”
L.M. Faria, Expresso, “Actual”, 22 Fevereiro 2003
