Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações neste espaço todas as segundas-feiras, de forma alternada. Gente Independente, do escritor Halldór Laxness, é o livro sugerido esta semana por Ana Sofia Marçal, diretora da Biblioteca Municipal Padre Manuel Antunes, na Sertã.
Passe pela biblioteca… e boas leituras!
O Nobel da Literatura Halldór Laxness é o autor de Gente Independente (considerado pelo The Independent como o livro do século), um romance cujo enredo acontece na Islândia no início do século XX. Trata-se de uma obra que caracteriza a obstinação e tradicionalismo rural dos islandeses.
A personagem principal é Bjartur, um camponês teimoso e heróico, inserido no seio de uma sociedade de servidão, num país onde a natureza é de um rigor extremo. Vive com a sua família nas Casas de Verão, numa condição profundamente difícil e quase desumana, em modo de subsistência, devido à sua determinação, firmeza e luta constante em nome da tão desejada independência.
Uma obra intemporal, narrada de uma forma quase poética, plena dos simbolismos e crenças da Islândia, que nos envolve através de uma história trágica e bela.
Um exerto:
Não quero saber de tamanhos disparates, disse o pai. Não quero ouvir nada sobre um maldito mundo qualquer, pensas que estás a falar de algum mundo? O que é o mundo? Este é o mundo, o mundo está aqui, Casas de Verão, as minhas terras, é o mundo. E
ainda que queiras engolir o Sol num momentâneo acesso de loucura porque estás a ver notas azuis da América, que evidentemente são falsas como toda e qualquer grande soma de dinheiro que cai nas mãos de um indivíduo sem que ele tenha trabalhado para tal, tu irás comprová-lo mais cedo ou mais tarde: Casas de Verão é o mundo, e nessa altura eu sei que irás pensar nas minhas palavras.
