Convidámos os responsáveis das bibliotecas municipais do Médio Tejo a fazerem as suas recomendações, semanalmente, neste espaço de forma alternada. “As velas ardem até ao fim”, de Sandor Márai, é a sugestão apresentada esta semana por Maria José Pereira, da Biblioteca Municipal Dr. António Cartaxo da Fonseca, em Tomar.
Passe pela biblioteca… e boas leituras!
As velas ardem até ao fim é um romance do autor húngaro Sandor Márai e foi publicado em 1942.
Na juventude, dois jovens oficiais, Henrick e Konrad, conhecem-se e entre os dois desenvolve-se uma profunda amizade. Esta amizade é quebrada pelo abandono do exército e desaparecimento súbito de Konrad, em circunstâncias estranhas, ligadas a um hipotético caso de romance entre este e a mulher de Henrik.
Quando Henrik convida o amigo a visitá-lo no seu castelo de caça, Konrad e a sua mulher, Krisztina apaixonam-se. Henrick dá conta da história entre os dois e numa caçada ao veado, apercebe-se de que o amigo tentou matá-lo.
Quarenta e um anos depois deste acontecimento, o general Henrik, que se reformou e vive com a governanta convida o capitão Konrad, a visitá-lo no castelo.
Ao fim de 41 anos sem se verem, Henrik tenta encontrar uma explicação para o sucedido.
Não há recriminações nem insultos, apenas um reencontro tranquilo e paciente de dois seres humanos. E este reencontro é, sobretudo, um tratado e uma reflexão sobre uma amizade que permanece até ao fim, como as velas no velho castelo. De facto, numa só noite e enquanto estas ardem narram-se 40 anos de vida dos personagens da obra.
Um romance que nos leva a refletir na natureza humana e nos seus desígnios: o amor, a traição, a amizade.
“Éramos amigos, não companheiros, compadres ou camaradas. Éramos amigos e não há nada na vida que possa compensar uma amizade. Nem mesmo uma paixão devoradora pode oferecer tanto prazer como uma amizade silenciosa e discreta proporciona aqueles que são tocados pela sua força”.
