Sábado 23 de Janeiro foi inaugurada em Sardoal a exposição “À Descoberta do Mestre” como foi sobejamente anunciado nos média. Foi uma tarde muito agradável do ponto de vista artístico e muito importante pelo “Medio Tejo”. Porque digo isto? Por algumas razões que irei esclarecer para os demais.
Primeiro se deve destacar a “ousadia” duma pequena Câmara como a de Sardoal apostar num concurso desta envergadura (a nível nacional).
Segundo, o tipo de concurso, que é um dos muitos poucos certames em que se privilegia a obra manual de pintura, a técnica expressiva geralmente realizada a pincel, mas sem descartar outras ferramentas, evitando instalações, fotografias e vídeos, para se concentrar exatamente na obra “pictórica”.
Basilar é também o que o próprio título explica: À Descoberta do Mestre. Estes artistas (Manuel e Vicente Gil) são os “responsáveis” de ter transmitido as técnicas e teorias artísticas emergentes na Europa (pintura a óleo e perspectiva) no longínquo século XV numa terra como Sardoal. (é um pouco como se um jovem fosse com um IPad a falar com Newton). E estando muito pouco conhecidos os artistas participantes ficaram agradados com a ..descoberta do mestre e seu legado.
Os artistas intervenientes vieram de todo o pais apresentando obras selecionadas com uma alta qualidade técnica e imaginativa e a exposição ficará patente per dois meses no Centro Cultural Gil Vicente.
Estes são alguns pormenores, mas outros são ainda mais importantes, como por exemplo os três anos corridos entre a apresentação da minha ideia e a realização, a dificuldade de orçamentar o concurso num período “tao magro”, como o divulgar, quais os parâmetros e as divergências ultrapassadas com saudáveis “trocas de ideias” (eu e o Vereador responsável temos gostos diferentes em arte visual), a procura dum Júri razoável (e aqui gostava de elogiar a competência da Drª Laura Afonso e sua gentileza).
Sim, não é fácil organizar e realizar um concurso deste tipo, sem esquecer os funcionários que se viram a braços com um grande número de obras a chegar repentinamente de todo o país, algumas com grandes medidas.
O fotógrafo que teve de catalogar todas as obras e o designer a imaginar em como fazer um belo catálogo com poucos recursos. E o coordenador da exposição, que tinha poucas paredes para tantas obras. Mas as criticas vieram na mesma e algumas muito bem vindas porque queremos fazer melhor e mais.
E nós aceitamos o desafio e, por estas razões…até ao próximo ano.
