A judoca Patrícia Sampaio conquistou a medalha de bronze no Jogos Olímpicos tendo sido homenageada pela Câmara de Tomar. Foto arquivo: mediotejo.net

“Todos os dias me andam a fazer surpresas destas. É muito emocionante, não esperava ver tanta gente aqui. Tinha a noção que viriam algumas pessoas, mas não esperava era esta mancha gigante de pessoas, e é incrível”, disse aos jornalistas uma emocionada Patrícia Sampaio, ladeada pelo seu irmão e treinador Igor Sampaio.

Ambos foram promovidos pela Federação Portuguesa de Judo (FPJ) a terceiro e quarto dan, respetivamente, pelo mérito desportivo, anunciou em Tomar o líder federativo, Sérgio Pina, arrancando mais uma ovação da multidão que enchia a central praça tomarense. 

A judoca, de 25 anos, formada na Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, clube tomarense que continua a representar, recebeu muitas flores, beijos, abraços e manifestações de carinho, não só dos seus pais, que subiram ao palco montado na praça, como de gente de todas as idades, com muitos jovens a pedirem autógrafos e ‘selfies’, e a manifestarem ruidosamente o seu orgulho, admiração e carinho pela atleta, que, humilde, agradecia e retribuía.

Tomar em peso aplaude Patrícia Sampaio em receção plena de emoções. Foto: mediotejo.net

“Só posso sentir gratidão a toda a gente que dedicou o seu tempo a estar aqui a homenagear-me”, disse à Lusa uma emocionada Patrícia Sampaio, entre estas solicitações, reconheceu que não tem feito outra coisa senão chorar, de emoção e alegria.

VIDEO/RECEÇÃO DOS TOMARENSES A PATRÍCIA SAMPAIO:

Perante a multidão, foi exibido um vídeo com imagens do percurso da atleta, desde os escalões de formação até à medalha olímpica, que culminou em mais um momento emotivo para Patrícia Sampaio, que, mais uma vez, não conteve as lágrimas.

“Já gastei todas as lágrimas que tinha nos últimos dias. Não tenho parado de chorar. E chorei agora mais um bocadinho, nesta parte do vídeo final. Foi muito, muito especial”, declarou, tendo assegurado que vai manter a ligação ao clube e à cidade.

ÁUDIO | PATRÍCIA SAMPAIO, JUDOCA MEDALHA DE BRONZE NOS JO PARIS24:

A cidade e o município receberam-na com um elogio, estampado num cartaz gigante, colocado atrás do palco onde decorreu toda a homenagem, com a mensagem sazonal: ‘O melhor bronze deste Verão! Bem-vinda a casa Patrícia!’.

“Eu gosto muito desta cidade, adoro o meu clube e a minha vida está aqui. A minha família, os meus amigos de infância, de adolescência, a minha vida está toda aqui e isto é muito especial para mim”, vincou, tendo feito notar que a “ligação é muito forte e é para continuar”.

Questionada sobre o futuro, Patrícia Sampaio revelou ter os seus planos bem definidos.

“Agora, férias, que foram três anos muito intensos para este apuramento, depois é para fazer o que sei fazer: Treinar e trabalhar todos os dias para o próximo objetivo que são os Jogos Olímpicos Los Angeles2028”.

Pelo meio, ou para os “próximos meses”, e aproveitando a ‘folga’ competitiva, promete voltar a focar-se nos estudos: “. Faltam-me duas cadeiras para acabar a licenciatura em Ciências da Comunicação”.

O presidente da Câmara de Tomar, Hugo Cristóvão, depois de tocados os hinos de Portugal, da cidade e da Associação Gualdim Pais, disse que o feito de Patrícia Sampaio fez “exultar de orgulho os tomarenses, a região e o país”, tendo feito notar que a atleta já era campeã há muito tempo, tendo esgotado os reconhecimentos atribuídos pelo município através da medalha de mérito desportivo e, posteriormente, da medalha de ouro da cidade.   

ÁUDIO | HUGO CRISTÓVÃO, PRESIDENTE CM TOMAR:

O diretor desportivo da Gualdim Pais, que realçou o “trabalho de excelência” do clube, pelo qual já tinham passado os ginastas olímpicos Nuno Merino ou Ana Rente, pediu que “esta conquista não caia no esquecimento”, recordando os parcos apoios e condições de trabalho.

“Estes atletas trabalham em condições longe das ideais, tanto a nível de recursos como a nível da sua vida académica e futura vida profissional, tendo que colocar de lado aquilo que pode ser o seu futuro para se poderem dedicar, de corpo e alma, ao desporto que amam, representando o seu país e realizar feitos como o da Patrícia no passado dia 01 de agosto”, afirmou Vasco Fortunato.

ÁUDIO | VASCO FORTUNATO, DIRETOR DESPORTIVO DA GUALDIM PAIS:

Até à conquista da medalha de bronze, Patrícia Sampaio fez um percurso praticamente imaculado em Paris2024, sendo apenas derrotada nas meias-finais perante a italiana Alice Bellandi, que viria a sagrar-se campeã olímpica.

A tomarense alcançou a 29.ª medalha olímpica do desporto português, a primeira na presente edição dos Jogos, sendo o quarto bronze do judo português no evento, após as medalhas de Nuno Delgado (Sydney2000, em -81 kg) – hoje presente em Tomar –, Telma Monteiro (Rio2016, em -57 kg) e Jorge Fonseca (Tóquio2020, em -100 kg).

Iúri Leitão e Patrícia Sampaio porta-estandartes na Cerimónia de Encerramento

O ciclista Iúri Leitão, o primeiro português a conquistar duas medalhas na mesma edição dos Jogos Olímpicos, e a judoca Patrícia Sampaio, ‘responsável’ por abrir o medalheiro, foram os porta-estandartes de Portugal na Cerimónia de Encerramento.

Ouro olímpico no madison, ao lado de Rui Oliveira, e vice-campeão olímpico no omnium, o vianense de 26 anos era a escolha ‘óbvia’ para levar a bandeira de Portugal no momento que encerrou os Jogos Olímpicos Paris2024, mas o pistard teve também a companhia de Patrícia Sampaio, bronze nos -78 kg.

O duo medalhado, confirmado em conferência de imprensa pelo chefe de Missão, Marco Alves, ‘tomará o testemunho’ de Fernando Pimenta e Ana Cabecinha, porta-estandartes na Cerimónia de Abertura.

“É um orgulho enorme. Eu quando vi a Cerimónia de Abertura fiquei muito contente e acho que fomos muito bem representados, mas nunca sonhei sequer que pudesse vir a ser eu o porta-estandarte da Cerimónia de Encerramento”, reconheceu o novo campeão olímpico à agência Lusa.

Leitão descreve a distinção como “uma honra indescritível”. “Estou extremamente satisfeito por ter sido convidado a levar o estandarte de Portugal”, completou.

Portugal segue a tradição recente, iniciada em Pequim2008 com Vanessa Fernandes, medalha de prata no triatlo, de entregar a responsabilidade a um medalhado, seguindo-se o canoísta Fernando Pimenta em Londres2012, Telma Monteiro no Rio2016 e do campeão olímpico do triplo salto Pedro Pichardo em Tóquio2020.

Antes, já Fernanda Ribeiro tinha tido a honra de, enquanto campeã olímpica, carregar a bandeira no fecho do evento, em Atlanta1996, onde ganhou os 10.000 metros, e Carlos Lopes levou o estandarte em Montreal1976, quando estava a oito anos de conquistar o primeiro ouro português, em Los Angeles1984.

A missão portuguesa, de 73 atletas, conquistou quatro medalhas em Paris2024: ouro no madison, por Rui Oliveira e Iúri Leitão, prata também no omnium, ambas no ciclismo de pista, a prata de Pichardo no triplo salto e o bronze de Patrícia Sampaio no judo.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Agência de Notícias de Portugal

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1 Comment

  1. Gostei da recepcao a Sara Sampaio acho que se deve aplaudir quem assim trabalha.
    Mas qual foi a conttibuicao da camara quer para o clube quer para a atleta.
    E que se poem em bicos dos pes e se calhar so ouviram falar dela depois de conquistar a medalha.
    Nada fora do normal neste pais de deslumbrados

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