Umas das maiores injustiças para com o nosso território está a ser cometida pelo atual governo com a cumplicidade de vários partidos políticos que se têm silenciado. As tragédias dos incêndios dos últimos meses não ocorreram apenas em Pedrogão, em junho, nem no dia 15 de outubro, mas parece que só há apoios para os concelhos afetados nesse período.
Concelhos como Mação, Abrantes, Vila de Rei, Sardoal, Oleiros, Fundão, Ferreira do Zêzere, Tomar, entre outros, que viram o seu território dizimado, que viram empresas arder, onde muitos pequenos proprietários perderam as suas propriedades, onde perderam o seu cultivo e vários dos seus meios de subsistência não têm qualquer apoio semelhante aos concelhos que arderam na tragédia de Pedrogão ou no fatídico 15 de outubro, tenham ou não sido afetados. Ou seja, nesses concelhos, mesmo as pessoas e empresas que nada perderam têm mais apoios e isenções do que os agricultores e empresários de concelhos que arderam em julho, agosto ou setembro, como Mação, Fundão, Oleiros, Vila de Rei…etc.
Parece que é preciso morrer gente para que existam apoios. Concelhos que arderam quase na sua totalidade não têm sequer 10% dos apoios que vão para outros sítios.
Isto é pura discriminação e uma violação clara da nossa Constituição.
Mais injusto se torna quando já está provado e é do domínio público que, no caso de Mação, houve desvio de meios de combate por ordem direta da Autoridade Nacional de Proteção Civil, mas onde também se sabe que o planeamento da época foi feito de forma incompetente pelo governo e pela ANPC. No Sardoal, em Oleiros, no Fundão, em Ferreira do Zêzere, entre outros, o Estado falhou, as comunicações falharam, os meios não chegaram, etc. É responsabilidade do Governo corrigir a situação, repor o que foi destruído e apoiar as populações.
Escrevo este texto em jeito de alerta e apelo. Talvez não se apercebam, mas a ajuda que nos está a chegar é insuficiente e é muito menor do que a que chega a outras regiões. Pelo meu lado tenho feito o possível e o que está ao meu alcance, mas infelizmente o governo, que é quem decide, não parece querer corrigir esta injustiça.
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