Jorge Gaspar apresentou os dados de uma estudo à realidade da indústria 4.0 na Lezíria do Tejo e constatou alguns problemas Foto: mediotejo.net

A NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém promoveu na quinta-feira, 22 de novembro, uma sessão sobre a Economia Circular e Indústria 4.0 em Ourém, explicando as mudanças que se encontram a decorrer nos setores industriais e dos serviços e as linhas de financiamento existentes para as empresas se modernizarem. Um dos intervenientes foi o ex-presidente o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), Jorge Gaspar, que constatou as mudanças que estão a decorrer ao nível do trabalho, com os jovens a saírem das suas formações já desfasados das necessidades da indústria.

Jorge Gaspar interveio depois de uma exposição sobre os recentes princípios da economia circular, que se traduz no aproveitamento do desperdício, e das mudanças que estão a ser potenciadas pela indústria 4.0, ou seja, o impacto da automação e da inteligência artificial. Como referiria no final, “um dos pressupostos da indústria 4.0 é a economia circular”. Neste sentido, o responsável fez uma apresentação do dados recolhidos por um estudo levado a cabo na subregião da Lezíria do Tejo e das várias fragilidades que se identificam.

Temas como a economia circular e a indústria 4.0, constatou, não são novidade, mas encontram-se numa fase de massificação que vai acontecer de forma muito rápida. “O conceito de matéria prima está a modificar-se”, explicou, tratando-se hoje sobretudo de dados, geridos cada vez de forma mais automática. Neste cenário, nem sempre as empresas estão preparadas quando chegam as mudanças.

Atualmente, informou, já existe um “desfasamento temporal” entre a formação profissional e a entrada no mercado de trabalho. Ou seja, as competências adquiridas na formação já não se adequam à realidade e às necessidades das empresas quando os jovens entram no mundo do emprego. Neste sentido, defendeu, tem que haver um esforço das empresas em adaptar os perfis dos funcionários. O trabalho do comercial, deu o exemplo, já não será o de fazer o perfil do eventual cliente, mas trabalhar de forma criativa com os dados que a máquina irá produzir em poucos segundos.

São “as competências sociais que vão diferenciar-nos das máquinas”, afirmou. “Não vale a pena lutar com a máquina”, mas tentar trabalhar com o seu potencial e usando as competências que diferenciam o ser humano, que é a capacidade de relação interpessoal.

Os próximos anos serão assim mercados pela destruição de vários empregos e o surgimento de novas profissões, num ciclo a dois movimentos: grandes níveis de desemprego em algumas áreas e poucos profissionais especializados em áreas necessárias. Neste cenário, tornou a frisar, será a “criatividade”, a capacidade de trabalhar com dados que vai fazer a diferença.

Uma das formas de combater o desemprego estrutural, ou seja, aquele que se torna permanente e que inclusive cresceu nos últimos anos, será as empresas procurarem capacitar os seus funcionários com outras valências, comentou.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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