O geólogo Galopim de Carvalho, professor universitário que encabeçou a luta pela criação do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurio da Serra de Aire, regressou ao espaço na quinta-feira, 4 de julho, para a celebração dos 25 anos do achado. Ao mediotejo.net reiterou o interesse público do Monumento, mas constatou que tem que ser o governo central a dar-lhe o impulso de que necessita para se tornar um espaço de verdadeira visitação nacional.
Nos 40 anos do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros (PNSAC), o programa contemplou um momento de celebração dos 25 anos de descoberta das Pegadas da Serra de Aire, que ocorreu na última quinta-feira.
Durante a sessão oficial, Maria de Jesus Fernandes, diretora do Departamento de Conservação da Natureza e Florestas de Lisboa e Vale do Tejo do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), fez um ponto de situação da candidatura em curso para a valorização do Monumento Natural, que atualmente se encontra nos 450 mil euros (metade do valor inicialmente projetado) e já possui algumas parte aprovadas, com trabalho de estudo de geoconservação já a ser realizado.

Seguiu-se a intervenção de Galopim de Carvalho, que recordou a história da descoberta das pegadas e de como foi contactado por João Carvalho, da Sociedade Torrejana de Espeleologia (STEA), para ajudar a defender este património. O processo, recordou, não foi fácil, acabando por agradecer ao dono da pedreira, Rui Galinha, por ter aguardado vários anos pela indemnização do Estado sem destruir as pegadas.
Ao mediotejo.net, o geólogo confessou que embora algumas das beneficiações que projetou não tenham sido concretizadas, o Monumento encontra-se dentro do plano que se elaborou há um quarto de século. Para se fazer mais, constatou, será necessário “ter o apoio concreto dos governantes. Para além dos locais, que não têm grandes posses, mas do governo central”.
Segundo o especialista, o primeiro-ministro António Costa e o Ministro do Ambiente deviam visitar o espaço e “orgulhar-se” do património existente, que é único na Europa e está a 10 quilómetros de Fátima. Não seria difícil, refletiu, com o devido investimento, visitarem o Monumento 10% dos turistas que passam pela cidade religiosa, sendo que se atingisse os 600 mil visitantes por ano o Monumento já estaria em sobrelotação.
No geral, afirmou, “a boa vontade continua” entre as pessoas que envolvem as Pegadas da Serra de Aire, “o que eles não têm é disponibilidade financeira” para alcançar muito mais. “Só com apoio governamental podem levar a cabo as ideias que já têm, que não são diferentes das minhas”, concluiu.
Galopim de Carvalho teve ainda a hipótese de falar com algumas crianças que visitavam o Monumento e participavam nas atividades do dia, frisando a necessidade de haver uma boa relação entre professor e aluno para se criar interesse pela escola.
Conhecido como o “pai” dos dinossauros, hoje, já reformado, está mais próximo do “avô”, comentou, mas continua a defender a causa, uma das várias que protagonizou no país.
