Foto: mediotejo.net

*noticia retificada as 12h22 de 10 de janeiro de 2020

O rio Nabão, que possui uma das suas nascentes no Agroal, concelho de Ourém, e atravessa a cidade de Tomar, apresenta indicadores de uma “contaminação bacteriológica”. Já foram realizadas inspeções a unidades de pecuária, mas sem registos de prevaricação. Os dados apontam assim para a incapacidade das estações elevatórias de trabalharem adequadamente após períodos de muita chuva.

A informação foi noticiada na quinta-feira, dia 23, pela Rádio Hertz, mediante declarações da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) à estação, entretanto confirmadas ao mediotejo.net pela mesma instituição.  O mediotejo.net pediu declarações à Câmara Municipal de Ourém e à Câmara Municipal de Tomar sobre esta situação, não tendo recebido resposta das duas instituições até à publicação da presente notícia.

Tanto a APA como a GNR/SEPNA – Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente têm acompanhado os casos de poluição que se têm registado no rio Nabão, visíveis na cidade de Tomar. O trabalho de inspeção, refere a APA, tem sido realizado em conjunto com os municípios de Tomar e Ourém.

Os episódios de poluição têm o comum sucederem após períodos de muita chuva. “Durante períodos de maior pluviosidade os caudais que afluem às Estações Elevatórias (EE) aumentam e provoca, em algumas delas, a incapacidade de elevação e consequentemente a descarga através de by-pass”, explica a APA.

Para fazer face à situação, a APA, através ARHTO-Administração da Região Hidrográfica do Tejo Oeste, reformulou as Licenças de Rejeição de Águas residuais das ETAR do Alto Nabão e de Seiça, estabelecendo valores limite de emissão (VLE) mais exigentes para descargas para os recursos hídricos. Procedeu-se também à monitorização nas linhas de água recetoras, a montante e a jusante do ponto de descarga.

Houve ainda fiscalização a unidades de pecuária no concelho de Ourém, mas não se encontraram inconformidades. As estações elevatórias de entrada nas ETARs foram assim consideradas prioritárias. Procedeu-se à “reparação de condutas elevatórias, guias de bombas submersíveis, trabalhos de limpeza, reparação de quadros elétricos e substituição de obras de entrada”.

Os municípios, refere, estão a acompanhar a situação e a realizar as devidas correções das situações detetadas, mas algumas soluções “são estruturais” e “necessitam de tempo” para serem implementadas, “assim como de verbas para a sua execução”.

A APA aponta, neste sentido, para a criação da Tejo Ambiente, “que ficará responsável pela gestão das redes de drenagem assim como da exploração das ETAR de Seiça e Alto Nabão a partir do corrente mês”.

Da parte dos municípios em concreto, enumera, Ourém avaliou e definiu um Plano de Investimentos para o aumento da taxa de cobertura de 46% para cerca de 70%, da sua rede de drenagem, de modo a minimizar os impactes ambientais nas linhas de águas. A APA notificou também o município de Ourém a apresentar um cronograma de intervenções a serem feitas na rede, por forma a minorar a afluência de caudal pluvial à ETAR.

Já Tomar está a desenvolver empreitadas financiadas pelo POSEUR, que vão permitir aumentar a taxa de cobertura de 58% para cerca de 70%.

Embora os controlos às descargas das ETARs de Seiça e do Alto Nabão não apontem irregularidades, o controlo à qualidade da água revelou uma “contaminação bacteriológica”, com presença de Enterococos intestinais e de Escherichia coliA APA afirma porém que se tem verificado um decréscimo destes valores, o que reflete uma melhoria na qualidade da água.

A APA não se pronuncia sobre os perigos para a saúde pública da presença destas bactérias.

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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