Ourém | Presidente da República diz que explicação do Governo às populações “não correu bem”. Foto: Miguel A. Lopes/Lusa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou hoje em Ourém que a explicação, por parte do Governo, sobre o impacto da depressão Kristin “não correu bem” e defendeu que os apoios devem chegar “nos próximos dias”.

“Não é por eu dizer que o Governo esteve melhor ou pior. Há coisas em que se esteve melhor e coisas em que se esteve pior. A explicação às pessoas, em muitos casos, não correu bem, não correu bem, não correu bem”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, numa visita ao município de Ourém, uma das zonas afetadas pela depressão Kristin.

O chefe de Estado chegou pelas 21:20 ao posto de comando da Proteção Civil de Ourém, onde começou por reunir-se com o presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Miguel Albuquerque (PSD), e com o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha (PSD). Cerca de uma hora depois, prestou declarações aos jornalistas, respondendo a várias questões.

O Presidente da República disse que perguntou ao primeiro-ministro o porquê de não se ativar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil face à depressão Kristin e a justificação foi de que “não era um contributo que fazia a diferença”.

“Eu perguntei o que é que isso podia mudar efetivamente e o primeiro-ministro também me explicou é que aquilo que podia ter efeito útil em termos imediatos e rápidos não era um contributo que fazia a diferença. Pronto. Eu aí aceitei. Até prova em contrário, eu parto do princípio de que quem exerce o poder executivo ponderou isso, porque tinha sido ponderado e tinha-se entendido que não justificava”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República avisou que “não serve de nada ter medidas no papel” de apoio às populações afetadas pelo mau tempo se não for possível executá-las, pedindo coordenação no terreno porque senão as pessoas ficarão desesperadas.

“O problema não é [as medidas do Governo] serem suficientes, (…) faz-se o levantamento da situação que existe, de tal forma que se pode dar a resposta. Não serve nada ter medidas no papel, se não é possível dar resposta às medidas”, alertou, em declarações aos jornalistas à margem das cerimónias fúnebres do cineasta João Canijo após ser questionado sobre a ação do Governo na resposta à passagem da depressão Kristin em Portugal continental.

O Presidente da República explicou que na reunião desta tarde com o primeiro-ministro no Palácio de Belém avaliou-se a situação dos próximos dias, para os quais se antevê uma quinta-feira e um domingo “complicados”, e como se vai responder aos mais de 100 mil portugueses sem eletricidade e mais de 70 mil sem telecomunicações.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou também que foi abordada nessa reunião a “importância de a máquina” do Estado conseguir responder aos problemas, bem como a sua coordenação.

“E nessa máquina, como é importante – além de uma coordenação, que agora está em Leiria -, funcionar tudo bem, desde as pessoas até à coordenação”, defendeu, acrescentando que, se isso não acontecer, as “pessoas ficam ansiosas, angustiadas ou desesperadas”.

O chefe de Estado disse ainda, sem detalhar datas, que, além do concelho de Ourém, visitará Pedrógão Grande, porque “há muita falta de energia elétrica”, e que prevê estar primeiro na região do Mondego, a que seguirá uma visita à zona do Sado e uma ida à região do Tejo.

O primeiro-ministro afirmou que o Presidente da República vai poder testemunhar hoje e na quarta-feira, no terreno, o esforço que está a ser feito para repor rapidamente a normalidade nas zonas atingidas pela depressão Kristin.

Luís Montenegro assumiu esta posição no Palácio de Belém, numa declaração sem perguntas dos jornalistas, após ter estado reunido com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O líder do Governo anunciou também que voltará a reunir-se com o Presidente da República na próxima quinta-feira para analisarem a situação do país nessa altura, salientando que os próximos dias apresentam “grandes desafios” em termos de condições climatéricas.

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

LUSA


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