Crentes de todo o país e do estrangeiro quiseram comparecer às primeiras missas do Santuário de Fátima em dia de reabertura Foto: mediotejo.net

“É muito bom rever-vos”. Começou assim a primeira missa comunitária no Santuário de Fátima, este sábado, 30 de maio, pelas 09:00, depois de quase três meses de suspensão devido à pandemia de Covid-19. De máscara, procurando manter o distanciamento social, crentes de todo o país acorreram às celebrações da manhã, com uma pequena multidão já aglomerada junto à capelinha por ocasião da missa das 11:00 e uma fila significativa junto ao tocheiro. Em redor do Santuário, o comércio também abriu portas.

“Desculpe, tem que usar máscara. Isso é mesmo obrigatório.” O aviso é dado pelo vigilante à porta da Basílica da Santíssima Trindade, onde decorreu a primeira missa com público presente depois do período de confinamento. À entrada, um dispensador bem visível de álcool-gel convida a desinfetar as mãos. Dentro da basílica, há indicações por onde circular e onde se sentar, mantendo-se a distância entre núcleos familiares. O espaço está longe de estar cheio. De máscara, alguns inclusive com luvas, os crentes seguem atentos a cerimónia.

Primeira missa decorreu às 09:00 na Basílica da Santíssima Trindade. Para entrar é obrigatório o uso de máscara Foto: mediotejo.net

Muitos saíram cedo de casa para conseguirem estar ali na primeira celebração eucarística depois do confinamento. Foi o caso de Margarida Lencastre e Luísa Peixoto, chegadas de Fafe, distrito de Braga, cerca das 09h30, encontrando a cerimónia já no fim.

Alegres com a possibilidade de regressarem a Fátima, não escondiam o entusiasmo. Vieram agradecer várias graças, explicam ao mediotejo.net, tendo tido quase em simultâneo a ideia de vir a Fátima, assim que foi anunciado que as missas comunitárias iriam reabrir este sábado.

Santuário indica onde se devem sentar os crentes, tendo à disposição álcool-gel Foto: mediotejo.net

Foram quase três meses a assistir à missa pelos canais online. “Foi uma janela aberta para o céu”, comentou Margarida Lencastre, refletindo que a “família” de Fátima a acompanhou assim durante todo o confinamento.

“Nunca deixei de assistir à missa e ao terço”, garantiu, “foi muito enriquecedor a nível espiritual”, agradecendo ao Santuário o esforço pela organização.

Crentes mantêm distância nas missas, usando máscara durante a celebração Foto: mediotejo.net

Uma outra peregrina, que não nos chegou a dizer o nome, veio da zona de Lisboa e consegui assistir logo à primeira missa. “Viemos cá pela devoção”, comentou rapidamente, “porque a gente precisa”.

Chegado de Lousada, Vítor Moreia percorria o recinto com máscara.  “É habitual virmos sempre no mês de maio”, explicou, questionado sobre a presença em dia de reabertura das missas, pelo que a viagem a Fátima já estava nos planos. Nunca mais foi à missa desde o confinamento, encontrando-se no recinto aquando o início da celebração das 11:00.

Por todo o Santuário há informação de como proceder e alertas para manter a distância de segurança. Mesmo na rua a maioria dos crentes usa máscara Foto: mediotejo.net

Vítor Matias, de Carcavelos, estava com a família em Alcobaça e resolveram visitar Fátima este sábado. Foram os únicos crentes que o mediotejo.net entrevistou que não estavam a usar máscara no recinto do Santuário. “Isto é um espaço grande”, refletiu, considerando que de forma geral se estava a cumprir o distanciamento social, assim como as restantes medidas de segurança, não havendo problema.

As máscaras só são obrigatórias dentro dos espaços fechados do Santuário de Fátima, mas eram poucas as pessoas que circulavam no recinto de celebração sem elas. Aos sacerdotes foi pedido que durante as eucaristias alertem os crentes para que mantenham o distanciamento social.

Perto das 11:00, o tempo aquecia e uma pequena multidão já se concentrava junto à capelinha. Retomaram-se as promessas de joelhos e uma fila significativa acedia ao tocheiro. Por todo o espaço estão bem identificadas informações sobre como proceder, onde se sentar, por onde entrar e sair, havendo dispensadores de álcool-gel à disposição. Há também guardas a dar informações junto aos espaços fechados.

Junto ao tocheiro formou-se uma longa fila, espaço onde se verificou um maior ajuntamento de pessoas Foto: mediotejo.net

“Alegrai-vos, alegrai-vos”, cantou o coro na abertura da missa das 11h00. “Hoje é dia de alegria”, começou por dizer o Reitor Padre Carlos Cabecinhas, a partir do persbitério para todo o recinto, “é particularmente alegre ver que já há uma comunidade reunida para assistir à eucaristia”.

“A consciência cristã passa por esta consciência coletiva”, continuou o sacerdote, apelando aos peregrinos e turistas que mantivessem o distanciamento social.

Várias pessoas cumpriam promessas de joelhos Foto: mediotejo.net

Pelo recinto do Santuário o mediotejo.net identificou portugueses de vários pontos do país, mas também alguns estrangeiros, incluindo pessoas que fizeram pequenos trajetos nesta manhã a pé para cumprir promessas há muito adiadas.

Fora do Santuário, as pracetas abriram este 30 de maio, depois de estarem quase todas fechadas no dia 13 Foto: mediotejo.net

Em declarações à comunicação social, o padre Carlos Cabecinhas referiu que “estamos confiantes de que é seguro vir ao Santuário, de que é seguro participar nas nossas celebrações”, face a todo o esforço empreendido pela instituição para implementar medidas de segurança.

Este foi um período “particularmente doloroso por vermos o espaço vazio”, mas o sacerdote não acredita que, para já, as pessoas acorram em massa, até porque junho e julho são meses em que tradicionalmente não há grandes ajuntamentos de peregrinos. “Queremos que as pessoas fiquem dispersas”, garantiu.

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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