As Jornadas Europeias do Património foram marcadas com pompa em Ourém, que aproveitou o momento para celebrar este domingo, dia 25 de setembro, os 500 anos do foral manuelino e os 175 anos da passagem da sede do concelho para Vila Nova de Ourém. O edifício clássico dos Paços do Concelho foi aberto à visitação do público, após requalificação, onde já está visível o espaço da antiga prisão onde será colocado um Museu em 2017. Os pastorinhos de Fátima foram aqui interrogados em agosto de 1917 e o município possui uma carta escrita pela Irmã Lúcia a narrar esse episódio.
As atividades decorreram durante todo o fim-de-semana, mas os pontos altos das Jornadas foram a apresentação da obra “Forais de Ourém”, edição celebrativa dos 500 anos do foral concedido por D.Manuel I, e a visita aos antigos Paços do Concelho. Da autoria da Saul António Gomes, o livro narra a história da fundação do concelho de Ourém, possuindo fotografias dos documentos oficias que lhe deram estatuto de município. O estudo contou com a colaboração da Fundação Casa de Bragança.
Ao fim da tarde, a dramatização da entrega do alvará pela Rainha D.Maria II a Vila Nova de Ourém (1841), pelo Deónis Teatro de Grupo, frente ao antigo edifício dos Paços do Concelho, juntou uma pequena multidão. A encenação contou com a representação das figuras da época e a leitura do documento para todos os presentes, abrindo-se depois o edifício à visita do público, com atuação musical da Chorus Auris da Academia de Música Banda de Ourém.

Encerrado nos últimos anos, depois da passagem dos serviços para o edifício atual há sete anos, a estrutura passou por uma requalificação geral de cerca de 800 mil euros, com apoio da Mais Centro, com mudança do telhado e várias obras de conservação. Um secção no rés-do-chão, onde funcionava nos inícios do século XX uma prisão, está a ser ainda limpa e estudada para ali ser implementado um Museu. Narra a história que os três pastorinhos de Fátima estiveram aí presos quando foram raptados pelo administrador do concelho, Artur de Oliveira Santos, a 13 de agosto de 1917.
Ao mediotejo.net, o presidente da Câmara, Paulo Fonseca, não soube precisar uma data, mas comentou que o Museu deverá abrir ao público no primeiro semestre de 2017. Neste pequeno Museu estará exposta uma carta escrita pela Irmã Lúcia, na posse da Câmara Municipal, onde esta narra o episódio passado na antiga Prisão de Ourém. A versão mais popular desta história conta que o administrador ameaçou as crianças que seriam colocadas num caldeirão de azeite a ferver se não revelassem o seu segredo.

A criação do núcleo museológico em Ourém é uma “estratégia turística e económica”, admitiu Paulo Fonseca ao público presente, por forma a criar na sede de concelho uma ligação com o turismo de Fátima. “Há uma rica e suculenta história dos Pastorinhos em Ourém”, comentou.
Paulo Fonseca aproveitou a ocasião para recordar que, entre o seu património, o concelho de Ourém tem possui um Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurio, que foi recentemente mencionado por uma publicação como um dos maiores do mundo.
“Lamento que o Estado Português continue a recusar entregar à gestão da Câmara de Ourém as Pegadas”, lamentou.

