O Tribunal do Comércio de Santarém marcou para 28 de março a assembleia de credores da Vida de Cristo – Parques Temáticos, dona do Museu da Vida de Cristo, em Fátima, que está insolvente por dívidas de 6,1 milhões de euros.
A sentença de insolvência foi proferida no passado dia 30 de janeiro, numa audiência em que a empresa desistiu da oposição que havia apresentado meses antes. Nessa ocasião, a empresa pediu que lhe fosse concedida a administração da massa insolvente e comprometeu-se a apresentar, em 30 dias, um plano de insolvência que permita a continuidade da exploração, o que o tribunal aceitou.
O principal credor da detentora do museu, criado em 2010, é a Caixa Geral de Depósitos (3,6 milhões de euros), que detém a hipoteca sobre o imóvel, seguindo-se três sociedades de garantia mútua (835,5 mil euros).
Em 2016, a empresa tentou implementar um Processo Especial de Revitalização (PER), que, na votação realizada em novembro desse ano, não obteve a aprovação da totalidade dos credores, nomeadamente da CGD.
O recurso ao PER visou, segundo a empresa, reestruturar a dívida com a CGD, que os seus responsáveis atribuíram a incumprimento temporário devido a dificuldades “pontuais”, decorrentes de comportamentos externos que não lhe podem ser imputáveis, e não por uma situação de “insustentabilidade de funcionamento”, lê-se no processo consultado pela Lusa.
A empresa referia ainda a posse de um ativo, em 2015, de 7,5 milhões de euros, sendo o passivo de 6,2 milhões de euros.
Entre as razões invocadas para a situação em que se encontra o museu, os proprietários referem a redução do número de visitantes, de 80.000 em 2010 para 38.000 em 2015 e 2016, mostrando “a verdadeira dimensão da crise” que afetou o país e Fátima, cidade do concelho de Ourém, no distrito de Santarém, que vive essencialmente do turismo religioso.
Referindo a tendência de crescimento do turismo religioso desde 2015, a Vida de Cristo – Parques Temáticos afirma que o museu foi considerado o terceiro melhor museu de cera do mundo por Tony Julius, diretor da empresa londrina que fabricou as figuras de cera e ex-colaborador do Museu Madame Tussaud.
Com uma área de 4.000 metros quadrados e um acervo de 210 figuras, vestidas com roupas feitas com tecidos fabricados na zona da Sertã em teares manuais de artesãs portuguesas, o museu apresenta 33 cenas, realizadas por empresas portuguesas a partir de estudos sancionados pelo Santuário de Fátima, que acompanhou o processo e elogiou o projeto cenográfico de Moniz Ribeiro e João Quintão, sublinha.
