O executivo municipal de Ourém aprovou na sessão de segunda-feira, 6 de setembro, a abertura do concurso público para a construção da área empresarial de Freixianda. O projeto de 5 milhões de euros já passou pela aquisição de terrenos e o atual concurso visa infraestruturar toda a zona adquirida.
Segundo o presidente, Luís Albuquerque (PSD-CDS), pelos menos 23 empresas manifestaram intenção de instalar-se, mas para a oposição PS foi renitente, tendo afirmado que podemos estar perante um investimento fora de tempo, que pouco emprego vai criar e não rentabilizará o investimento efetuado.
ÁUDIO | LUÍS ALBUQUERQUE, PRESIDENTE CM OURÉM:
A abertura do concurso ocorre sem que os fundos comunitários estejam garantidos, mas uma vez que os prazos de execução serão apertados o município foi aconselhando a avançar com o projeto. O risco foi discutido pela vereação, nomeadamente as implicações indemnizatórias caso o concurso acabe por cair por falta de financiamento.
Mas o que animou o debate foram as observações da vereadora Cília Seixo (PS), ao refletir que o modelo que se está a propor para a Freixianda poderá já ser obsoleto e não trazer a rentabilidade equivalente ao nível do investimento. Conforme desenvolveu, há zonas industriais bem sucedidas cujas regiões em redor continuaram estagnadas e a perder população, sendo que muitas empresas hoje, devido à evolução tecnológica, já precisam de pouca mão de obra.
Em resposta, o presidente referiu que aquando a candidatura a fundos, o município teve que entregar uma declaração onde cerca de duas dezenas de empresas manifestaram a intenção de se instalar na área industrial.
Em declarações aos jornalistas, Luís Albuquerque esclareceu que a candidatura a fundos europeus, a ser aprovada, vai financiar 85% do investimento em infraestruturas e 10% do investimento geral para aquisição de terrenos. Sendo este ainda um aviso do ciclo comunitário que está a terminar, salientou, pode ser a última oportunidade que o município tem para conseguir um volume significativo de dinheiro para dotar o norte do concelho de uma área industrial com todas as condições para receber empresas.
O orçamento para as infraestruturas é de 4,5 milhões de euros, sendo que o município já gastou 600 mil euros a comprar terrenos. Ao todo, adiantou, são 23 lotes, tendo a Câmara conseguido juntar à candidatura uma manifestação de intenção de 23 empresas em ali instalar-se, cujas áreas de ação o presidente não especificou.
Albuquerque lembrou que a Freixianda é um território de baixa densidade e com benefícios fiscais, sendo que o executivo prevê apresentar em breve um projeto de normas de apoio à instalação de empresas naquele território.
Não será um parque tecnológico, algo que está previsto vir a nascer em Casal dos Frades, mas uma zona industrial dentro do antigo modelo que, acredita o presidente, irá gerar a dinâmica necessária para potenciar economicamente aquela área.
Luís Albuquerque espera que a área empresarial da Freixianda possa estar concluída em meados de 2023. “É talvez dos maiores investimentos públicos do nosso concelho”, refletiu.
