O Centro Nacional de Cultural (CNC), que detém a marca “Caminhos de Fátima”, assinou na quarta-feira, 3 de maio, um protocolo com a Associação dos Caminhos de Fátima e o Turismo de Portugal. O acordo prevê um trabalho conjunto para promover os trajetos já existentes e garantir o apoio e segurança dos peregrinos.
Excluída do protocolo, a Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima (AACF) foi entretanto contactada pela Secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, que garantiu a sua integração no projeto. A mesma afirmação foi feita aos jornalistas. O site da AACF, que havia sido desativado em protesto, já está de novo online.
“Este projeto é um projeto para todos e para ser feito com todos”, afirmou Ana Mendes Godinho à margem da assinatura do protocolo. A governante respondia aos jornalistas após ser questionada sobre a ausência da AACF, entidade que já fez mais de sete mil marcações voluntárias de caminhos para a cidade-santuário pelos campos e longe das estradas nacionais.
Esta associação anunciou hoje a desativação da sua página na Internet, aconselhando os peregrinos a contactar o CNC e a Associação Caminhos de Fátima, cujos sócios-fundadores são 14 municípios, para a obtenção de informação. Posteriormente, a Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima deu conta que, após contacto da secretária de Estado, foi informada de que vai fazer parte do projeto hoje protocolado, pelo que o site voltou a ser reativado.
Ana Mendes Godinho declarou que o trabalho desta associação no terreno “é extraordinário” e garantiu que “fará parte, completamente, da implementação deste projeto”. A governante adiantou que com este acordo se estão a garantir “as condições para implementar no terreno, em articulação com as várias entidades envolvidas”, caminhos “seguros, alternativos” para os peregrinos.
A secretária de Estado referiu que está a ser construída uma “plataforma com identificação dos caminhos que são seguros”. “Também é importante que as pessoas saibam que existem estes caminhos alternativos”, destacou, assinalando que o objetivo é, igualmente, fazer a promoção nacional e internacional.
Já durante a cerimónia, a governante disse que “há um Portugal a descobrir nos caminhos de Fátima” e apontou o projeto como exemplo de “diálogo nacional” que “só foi possível envolvendo todos, independentemente de partidos, de convicções”. Segundo informação da Secretaria de Estado do Turismo, o acordo pretende concertar a nível nacional a atuação daquelas três entidades, “com vista ao desenvolvimento e dinamização do projeto, contribuindo para a respetiva coerência e qualificação, sua implementação no território nacional e crescente projeção a nível internacional”.
O CNC foi a primeira entidade a marcar caminhos de peregrinação até Fátima, formalizando a marca em 1996. Em 2010 surgiu a AACF, uma entidade autónoma, que tem desenvolvido um intenso trabalho de marcação, tendo inclusive definidos albergues de acolhimento a peregrinos. Por fim, em 2015, foi apresentada a Associação dos Caminhos de Fátima, composta por 14 municípios, que pretendia traçar o “Caminho do Centenário”, um percurso de cerca de 200 quilómetros a partir de Gaia. Até ao momento mantém-se a aguardar por fundos comunitários.
O protocolo estabelecido entre o Turismo de Portugal, o CNC e a Associação dos Caminhos de Fátima esta quarta-feira vem aglomerar todos estes esforços numa marca conjunta, os “Caminhos de Fátima”. “Temos parceria com municípios, mas será mais forte com o coletivo. Podemos trabalhar de uma forma mais dinâmica e consequente”, referiu Maria Calado, presidente do CNC. “Os caminhos podem ser uma rede de itinerários religiosos e culturais”, defendeu, assim como uma forma de conhecer Portugal.
Já Diogo Mateus, presidente da Associação dos Caminhos de Fátima, frisou a necessidade de garantir a segurança dos peregrinos, afastando-os das estradas nacionais. “Este é um dia com décadas de atraso”, afirmou, lembrando a necessidade de encontrar um “equilíbrio” entre as respostas existentes.
Na sessão esteve também presente o Secretário de Estado das Infraestruturas, tendo sido assinado um acordo de gestão com as Câmaras de Leiria e da Mealhada para a execução de intervenções de reforço e melhoria das condições de circulação e segurança nas EN234, EN350 e ER357.
C/LUSA
