Cerca de uma dezena de jogadores da equipa de Juniores do Clube Atlético Ouriense foi à reunião de câmara de Ourém de 4 de março, sexta-feira, apresentar a sua posição relativa à extinção daquela faixa etária de futebol. Em causa estiveram divergências internas e falta de pagamentos, que levaram ao fim da equipa.
O anúncio da desistência do Campeonato Distrital de Juniores da 1ª Divisão e da Taça do Ribatejo de Juniores partiu da Associação de Futebol de Santarém, em comunicado de 11 de fevereiro. Os Juniores do Atlético Ouriense estavam na terceira posição, a dois pontos da liderança.

Em reunião de câmara, a declaração foi lida pelo um dos ex-capitães, António Rodrigues Martins. “Falo-vos em nome de um grupo de jovens que tem uma forte ligação com este clube e que apenas queriam fazer aquilo de que mais gostam – jogar futebol”, esclareceu, depois de ter referido que estavam ali para apresentar a posição dos jogadores face às notícias sobre a extinção da equipa.
Segundo o ex-capitão, o caso começou a 1 de fevereiro, quando foi interrompido um treino pela direção do Clube Atlético Ouriense para alertar para o incumprimento de várias mensalidades. “Durante essa interrupção, foram os jogadores informados de que, quem não regularizasse a situação atempadamente, ser-lhe-ia retirado o respetivo cartão e vinheta, de modo a que não pudessem entrar em campo nos jogos das competições oficiais em que a equipa se encontrava”, referiu. “Foi ainda referido, por parte do presidente, que não se tratava de um ataque pessoal à equipa ou de qualquer perseguição. Toda esta situação foi, desde logo, estranhada por alguns jogadores que, representando o clube há mais anos do que qualquer elemento da direção, nunca viram uma situação deste cariz acontecer”, continuou.
Apesar de alguns jogadores terem regularizado a situação durante a semana, foram pedidos os cartões a toda a equipa e respetivos técnicos, o que começou a levantar a indignação. “Por esta altura, já todos questionavam a referida ausência de intenção da direção na perseguição da equipa. Perante a insistência do pedido dos cartões por parte do presidente do clube, Carlos Pina, o delegado da equipa, entregou o solicitado no dia 5 de fevereiro, tendo nessa altura informado o presidente a hora de saída para o jogo e que o presidente fosse lá informar a sua decisão quanto à participação para esse jogo”. A equipa diz ter esperado cerca de meia-hora, optando por cumprir o compromisso do jogo, apresentando os cartões de cidadão.
“Fica assim esclarecido que, ao contrário do que veio na comunicação social, a equipa não jogou à revelia do presidente, já que este nem se dignou a aparecer ou a comunicar, de alguma maneira, a sua intenção de a equipa não ir a jogo”, defendeu.
Os pais dos jogadores da equipa ainda tentaram posteriormente reunir com o presidente do clube a fim de esclarecer a questão, mas não foram recebidos. “No dia seguinte, sem ter sido dada qualquer explicação ou aviso prévio, saiu um comunicado da Associação de Futebol de Santarém referindo que a equipa de juniores do Clube Atlético Ouriense teria desistido de todas as provas oficiais em que se encontrava”, afirmou o jovem.
Lamentando o fim de um projeto que todos ajudaram a desenvolver, a declaração terminou com a manifestação da vontade de repor a “verdade” perante o caso da extinção da equipa de juniores do Atlético Ouriense. O presidente do município, Paulo Fonseca, manifestou o apoio à causa dos jovens, mas sendo o Atlético Ouriense uma instituição exterior à Câmara esta não pode interferir na sua “esfera interna”. “Ficamos tristes e pesarosos”, sublinhou o autarca, explicando ainda que os apoios que o município dá às associações são em função das suas atividades. A carta da equipa ficou registada em ata.
O mediotejo.net contactou o presidente do Clube Atlético Ouriense, João Sousa, a fim de pedir um contraditório sobre o caso. O dirigente informou que não faz quaisquer comentários, uma vez que não pretende discutir o caso em praça pública.
