José Gomes Ferreira esteve em Ourém, no âmbito dos 75 anos da ACISO, e lançou um desafio aos empresários da região: “Temos todos que nos revoltar contra isto”. O isto são “as questões estruturais da sociedade que ainda não resolvemos” e que se traduzem em elevados custos para o contribuinte comum.
É preciso “evitar situações de pobreza”, e “evitar a emigração que não parou de existir ao contrário de certos discursos partidários”, defendeu. O jornalista disse ainda ser necessário “evitar o abandono do interior” destacando a “hipocrisia de alguns políticos que leva a que o interior esteja deserto”, defendeu o jornalista de Economia da SIC, no jantar do 75º aniversário da ACISO – Associação empresarial de Ourém-Fátima, a 22 de Junho.

Num país que “certamente está melhor que há oito anos”, com melhorias “a partir do primeiro trimestre de 2013”, mas “menos bem que certos discursos que nos querem fazer crer”. O tom oficial do governo é o que de “está tudo bem, podemos dar tudo a todos, mas não é bem assim”, alertou, dirigindo-se aos empresários em Ourém.
José Gomes Ferreira considerou que o país está a desperdiçar uma “oportunidade histórica” para colocar Portugal “entre os melhores no campeonato do desenvolvimento”. A situação constituída de “taxas de juro muito baixas e preço do petróleo ainda baixo, mas a crescer, Europa com crescimento, turismo a chegar de todos os lados e o mundo a pedir para exportarmos mais, acaba”, advertiu.
Fazer o que ainda não foi feito
Face às “falhas estruturais”, José Gomes Ferreira apresenta as mudanças estratégicas que é preciso fazer. Em primeiro lugar, “precisamos que o Estado gaste menos para não sobrecarregar famílias e empresas com mais impostos”, afirmou.
Assegurar a sustentabilidade do crescimento económico é outra das medidas, devido à dependência de taxas de juro baixas e dependência do desenvolvimento de economias europeias. O país precisa ainda de “fluxos de turismo permanentes”, num momento em que muitas entidades emissoras de turismo já estão a olhar para outros mercados como Tunísia, Egipto e Turquia, disse o jornalista.
Face à “dependência do imobiliário e do consumo interno”, a economia portuguesa necessita de tornar mais “mais sustentável a economia real e mais diversificada”.
O Estado, enquanto administração (central, local, regional), isto é, enquanto agente económico, “é gordo, caro, extenso e ineficaz em muitos departamentos”, afiança o especialista, para quem o Estado, ou “não atrapalha ou não se meta no circuito”, referindo-se em particular ao poder da “estrutura intermédia” em dizer “não”, o que “tem efeitos negativos terríveis na economia”.
Obrigatório é que o Estado mude de “intrometido” para criador de actividades e negócios “criando mercado para alguém”, isto é, empresas de “amigos de amigos”, em diferentes sectores.
A “regulação sectorial que devia funcionar e não funciona, é um problema gravíssimo”, que obriga a pagar valores mais elevados, exortando os participantes a recusar o “conluio” e “certas práticas”. Na electricidade, por exemplo “é uma vergonha”, é um “saque permanente”. E daí o apelo efetuado ao longo da noite: “Temos de nos revoltar” contra tudo isto.
José Gomes Ferreira defendeu a necessidade de um ensino intermédio, técnico e especializado, numa “educação mais orientada para a vida empresarial”, para a inovação e tecnologia. O tomarense exortou ainda à aposta no turismo, um país de “gente magnífica e sítios maravilhosos”, já descobertos por muitos estrangeiros, advertindo que “também nisso temos que saber mostrar”, isto é, “vendermos bem o nosso país”.

José Gomes Ferreira criticou ainda a percepção errada que é dada pelo Governo de que “já não há crise”, tendo lembrado que “não há dia que não há greve”. Em relação às manifestações de exigência de reposição dos cortes efectuados, o jornalista salienta que “se se vai repor tudo, voltamos à bancarrota”.
