o Tenente António Sousa e Silva comandou o 8º pelotão da coluna de Salgueiro Maia. Faleceu em 2007. Foto: mediotejo.net

Acompanharam o Capitão Salgueiro Maia e os militares de abril em 1974 quatro militares do concelho de Ourém. Um deles, o Tenente Miliciano António Sousa e Silva, falecido em 2007, foi homenageado na tarde deste 25 de abril, terça-feira, com a atribuição do seu nome a um Parque requalificado em Pinheiro, freguesia de Nossa Senhora da Piedade, sua terra natal.

Nascido a 23 de julho de 1946, António Sousa e Silva passou pela Faculdade de Direito, mas acabaria por ser mobilizado para a Guiné, onde ficou dois anos. No regresso ingressou na Escola Prática de Cavalaria de Santarém, de onde saiu com a coluna de Salgueira Maia no 25 de abril, há 43 anos.

No Pinheiro foi grande dinamizador do Clube Desportivo, em especial do Rancho. Faleceu há 10 anos, a 24 de setembro de 2007.

“Se fosse vivo prescindiria desta homenagem”, comentou o irmão, Luís Silva, presente na ocasião. “Foi um risco muito grande” o 25 de abril, recordou lembrando a presença de outros militares de abril na homenagem, que exigiu grande força de vontade. “Muito obrigada por nos proporcionarem este pequeno espaço de vida”.

Manuel Baptista, da Cavadinha, e Agostinho Oliveira, de Vilar dos Prazeres (de cravos na lapela) são outros dois militares de abril de Ourém. Foto: mediotejo.net

A requalificação do parque, com limpeza, calçada e substituição do telhado da fonte ficou em 47 mil euros, financiados pelo município. No seu discurso, o presidente da junta da Piedade, José Vieira, agradeceu o protocolo realizado com o município, apelando a outros acordos semelhantes, nomeadamente para a construção de uma Casa Mortuária. O pedido foi bem recebido pelo presidente da Câmara, Paulo Fonseca, garantindo que a Casa Mortuária será uma realidade.

Os outros dois militares de abril presentes na ocasião, naturais do concelho, foram Manuel Baptista, da Cavadinha, e Agostinho Oliveira, de Vilar dos Prazeres. Questionados pelo mediotejo.net quanto à noite que marcou os destinos de Portugal, Manuel Baptista admitiu que se deitara há pouco tempo quando o acordaram. “Recordo muita coisa que correu bem, que podia ter corrido mal”, lembrou. “Estava a dormir há hora e meia quando me acordaram. Perguntaram quem queria ir para Lisboa e todos queriam. Falaram em democracia e em fascismo, mas ninguém sabia o que era a democracia ou o fascismo”, recordou.

Já Agostinho Oliveira comentou que o que mais o marcou naquele dia foi quando foram à PIDE, buscar os presos. “Quando os tirámos lá de dentro vinham sem unhas”, recordou emocionado.

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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