Modelo pretende respeitar os ritmos de cada criança, através de uma aprendizagem ao ar livre Foto: mediotejo.net

No seu primeiro ano letivo, a Associação Escola na Floresta conseguiu atrair 15 crianças em idade pré-escolar para este modelo de ensino alternativo, que se estabeleceu na antiga escola primária do Vale Travesso, cedida pelo município de Ourém, e realiza a sua atividade nos campos em redor. Focado no desenvolvimento da criança “ao seu ritmo”, a Escola na Floresta procura dar competências para a vida mediante uma aproximação equilibrada à natureza e ao mundo natural.

Para Cátia Lopes, fundadora do projeto no concelho de Ourém, o objetivo é alargar o ensino ao 1º ciclo, mediante a aprovação deste modelo pelo Ministério da Educação a nível nacional, ambição que está a ser desenvolvida em conjunto por várias escolas similares.

A aldeia do Vale Travesso, na freguesia de Nossa Senhora da Piedade, voltou a ouvir os risos das crianças na sua antiga escola primária. Os vizinhos “têm contribuído muito, têm ajudado, já doaram brinquedos, trazem fruta, acho que é uma grande alegria” terem a escola reativada na aldeia, comenta Cátia Lopes.

Pelo pátio da antiga primária veem-se tendas diversas e muitos brinquedos. A Associação Escola na Floresta adotou um regime de ensino misto, entre o modelo de origem britânica e o programa de pré-escolar nacional, mas é pelas atividades na natureza que esta escola se diferencia. 

Modelo pretende respeitar os ritmos de cada criança, através de uma aprendizagem ao ar livre Foto: mediotejo.net

Parece ser uma tendência de busca por modelos pedagógicos alternativos. A associação registou neste primeiro ano 15 inscritos, desde crianças locais a famílias estrangeiras, tendo mais cinco em vias de entrar. Desde pais que querem um ensino que respeite mais o ritmo de cada criança, mais voltado para o ar livre, a outros que pensam enveredar pelo ensino doméstico, esta Escola atrai por ser uma alternativa ao modelo tradicional, dando outro tipo de respostas às necessidades de desenvolvimento. 

Para além do português e do inglês, a presença de uma criança francesa fez a escola enveredar por um registo multilingue, que acaba por criar um ambiente linguístico mais rico entre os mais novos. Cátia Lopes garante que as crianças entendem-se, criando os seus próprios códigos e brincadeiras por entre a diversidade cultural.

“Todos nós, enquanto pais, queremos que as nossas crianças cresçam felizes e em liberdade. E este projeto dá-nos isso, porque permite que as crianças sigam os interesses delas”, comenta Daniela Neves, mãe e funcionária na escola.

Projetos ao ar livre incluem o desenvolvimento de recursos, uso de ferramentas e avaliação de riscos Foto: mediotejo.net

Considera ainda que a aprendizagem facultada por este modelo dá as ferramentas necessárias a um crescimento saudável, não sendo inferior aos programas de pré-escolar tradicionais.

Com crianças dos 2 anos e meio aos seis anos, a Escola na Floresta tem a ambição de um dia poder constituir-se como IPSS e oferecer um ensino mais oficial, nomeadamente ao 1º ciclo.

Projeto da Escola na Floresta de Ourém conta já com 15 alunos dos 2 anos e meio aos 6 anos Foto: mediotejo.net

Segundo Cátia Lopes, a associação ouriense integra o Movimento Aprendizagem ao Ar Livre, que elaborou um manifesto para entregar ao Ministério da Educação, por forma a que haja um reconhecimento oficial deste modelo educativo através da revisão da legislação. O movimento é de nível nacional, englobando escolas similares de todo o país e conta com o apoio de diversos especialistas em desenvolvimento infantil.

Ex-emigrante no Reino Unido, Cátia Lopes trouxe para a sua terra, com um conjunto de pais, um modelo de aprendizagem com o qual já trabalhava naquele país, sendo também “muito voltado para a sustentabilidade”, explica.

“Através da exploração do exterior as crianças desenvolvem a parte da motricidade, desenvolvem muito a linguagem e depois aprendam a correr riscos, a avaliar os riscos que correm, a utilizar ferramentas e a explorar a natureza. É um modelo muito focado na criança, em que cada um segue o seu ritmo”, resume a docente. 

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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5 Comentários

  1. Uma utopia. Mais uma entre tantas.
    E os meninos que não têm acesso a estas regalias?
    Mas é bom para estes! Usufruem da natureza e??? depois?
    É bum ótimo projeto mas não culpem o
    Sistema por não ter a adesão bque gostariam! Há tanto problema no mundo infantil por resolver…
    Os sistemas alternativos educação alimentação político……. não são boa opção para a maioria das pessoas que vivem atualmente no mundo no planeta terra…mas poderão vir a ser num futuro
    tão longínquo que os atuais mortais não
    o conseguem perceber muito bem por isso em Ourém só têm 15 crianças e a maioria estrangeira

  2. Maria Manuel Otera, felizmente esta escola não é a utopia de que fala. Recebe crianças, cuja situação financeira das suas famílias é muito difícil. Esta não é uma escola só para as elites, é para todos. Estrangeiros, portugueses, pobres e ricos.
    Só 15 crianças! Eu diria precisamente o contrário, Já 15 crianças?? Esta escola tem capacidade para 20 crianças e vai ficar cheia já na primavera.
    Convido-a a visitar o que por lá se faz.

  3. Muitos parabéns pela iniciativa! Muito sucesso e que este projecto possa crescer e se estender pelo concelho e pela região!

  4. Espero que este modelo se expanda rapidamente, porque o ensino está podre. A escola não cresce com as crianças, não se adapta. Mantém–se exatamente como há 100 anos atrás. Mas agora está tudo diferente!! Não entendo. Vejo a minha filha que frequentou a pré particular com este modelo de ensino e foi muito feliz, entrar para o 1° ciclo público, e não ser a mesma criança 😔
    Diz ela que sente falta dos desenhos, das pinturas, de brincar na floresta, de aprender coisas que não são só letras e números.
    Mesmo que houvesse uma escola 1° ciclo deste tipo de ensino próximo a nós, qd chegasse ao 5° ano teria de entrar no ensino público convencional e seria um retrocesso. Acredito neste modelo de ensino focado na criança, mas tem de estar tudo muito bem preparado e ser até ao 2° ciclo.

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