Pedro Alves é de Leiria mas lembrou-se que não há casamento na vila medieval de Ourém que não termine na Ginjinha d'Castelo Foto: mediotejo.net

O documentário de Pedro Alves, intitulado “Uma Ginja Diferente”, venceu o Grande Prémio António Gonçalves Alta Estremadura do cinANTROP – Festival Internacional de Cinema Documental e Etnográfico. O trabalho, com cerca de 17 minutos, narra a fundação do bar típico “Ginjinha d’Castelo de Ourém”, na vila medieval de Ourém. Os prémios foram entregues este domingo, 28 de janeiro.

O cinANTROP é um projeto iniciado em 2013 e o primeiro festival de cinema etnográfico da Península Ibérica, contando atualmente com a participação dos municípios de Ourém, Batalha, Marinha Grande e da Casa de Portugal em Macau, região onde o festival também é promovido. O festival tem por objetivo promover o património etnográfico por meio do cinema documental.

Alunos da Escola Secundária de Ourém venceram a categoria do concelho de Ourém com a história de um sapateiro Foto: mediotejo.net

Este ano o Grande Prémio António Campos Alta Estremadura foi atribuído a Pedro Alves pelo trabalho “Uma Ginja Diferente”. O prémio António Campos Concelho de Ourém foi para os alunos da Escola Básica e Secundária de Ourém, Albert Dias, Bruno Veríssimo e Samuel Henriques, pelo filme “O Sapateiro”. Já o prémio António Campos concelho da Batalha foi para Bruno Carnide pelo projeto “Procissão do Enterro do Senhor”.

A trabalhar na área do vidro mas com conhecimentos em multimédia, Pedro Alves foi desafiado por Bruno Gaspar, mentor do cinANTROP, para participar no festival com um vídeo documental em torno da etnografia, do património imaterial da região. Habituado a filmar casamentos, Pedro Alves lembrou-se do “Ginjinha d’Castelo de Ourém”, o bar típico na vila medieval, junto à Igreja, por onde invariavelmente passam os convidados de todos os casamentos que ali se realizam.

Um documentário sobre a procissão do enterro do Senhor arrecadou o prémio do concelho da Batalha Foto: mediotejo.net

Pedro Alves já tinha feito um primeiro filme, chamado “Cura”, mas foi com esta segunda tentativa que arrecadou o grande prémio. “Isto tem a ver com o gosto de deixar um documento”, confessou. “A minha avó não sabia ler nem escrever e contava as coisas de uma forma engraçada. Gosto de pessoas e da forma como elas nos surpreendem e neste cinema documental somos surpreendidos”, refletiu.

O trabalho na vila medieval durou dois dias e contou com a colaboração do fundador do bar/taberna, que narra na película como surgiu a ideia de criar uma ginjinha do Castelo de Ourém. “Uma Ginja Diferente” é assim a história de uma inspiração que nasceu em Óbidos e que deu origem ao característico espaço comercial, hoje já com outro responsável.

Este é “um evento importante na divulgação do nosso território”, frisou o presidente da Câmara, Luís Albuquerque, na entrega de prémios, elogiando o trabalho dos participantes. Os filmes vencedores vão ser usados agora como parte da promoção do município.

Registar as tradições que vão caindo no esquecimento é o objetivo deste festival Foto: mediotejo.net

O representante do cinANTROP, David Faria, salientou a importância de salvaguardar o património imaterial, lembrando que os turistas procuram o país pela suas características identitárias, que não se podem resumir a dois ou três pontos de visita massificados. “Daqui a uns anos isto perde-se”, alertou, razão pela qual o projeto se reveste de importância.

“O projeto tem tido boa aceitação e muito mais além fronteiras que nacional”, constatou, confessando que é difícil encontrar realizadores que se interessem por este tipo de iniciativas. Apelaria assim aos jovens realizadores para que não se esqueçam do património identitário das regiões. “Temos que dar valor àquilo que realmente é nosso”, afirmou.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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