No âmbito das comemorações do 25 de Abril, os deputados municipais de Ourém reuniram em Assembleia Municipal e sublinharam a importância de assinalar a data e honrar o passado com os olhos postos no futuro. Durante os trabalhos, que decorreram durante a tarde de 24 de abril, diferentes grupos parlamentares fizeram-se ouvir e relembraram a Revolução dos Cravos.
João Catarino, Deputado Municipal do Grupo Parlamentar PSD, começou por falar numa data que se afigura como “crucial” para a democracia política, relembrando que se trata de uma oportunidade para relembrar valores e conquistas, “mas também para refletir sobre os desafios que enfrentamos atualmente”.
“É importante relembrar a coragem e determinação dos militares que, há 49 anos protagonizaram um ato heroico que possibilitou a queda de um regime opressivo e permitiu a construção da nossa democracia. Nesta data homenageamos também todos os que lutaram pela liberdade e pela democracia em Portugal e a reafirmamos o nosso compromisso com esses valores”, referiu o membro da Assembleia.
O dever passa agora por preservar e consolidar “a democracia pela qual muitos lutaram”, combatendo formas de opressão, desigualdade e injustiça, referiu João Catarino.
“Ao celebrarmos o 25 de abril, também homenageamos as primeiras eleições autárquicas que instituíram o poder local democrático (…). No entanto, sabemos que ainda há muito trabalho a ser feito para desenvolver o país. As assimetrias regionais, a desertificação, o envelhecimento são cada vez maiores e é urgente encontramos soluções para estes problemas. Não podemos deixar de reconhecer que enfrentamos grandes desafios enquanto nação”, acrescentou.
A elevada carga fiscal, a falta de médicos de família, a escassez de habitação, as greves na educação e, ainda, “uma justiça morosa e precária” foram apontados como alguns dos desafios que Portugal enfrenta atualmente. “Que esta data nos inspire a continuar a lutar por um Portugal melhor para todos”, concluiu João Catarino.
O Partido Socialista também se fez ouvir na voz de Filipe Mendes que relembrou “uma das mais longas ditaduras da Europa”.
“Uma série de homens ousados iniciavam um processo de alteração governamental em Portugal que culminaria com a conhecida Revolução dos Cravos, entregando ao povo, por via de eleições livres, a gestão do seu sistema”, notou.
Falando de um legado “intemporal”, sublinhou que, além da liberdade e a justiça, as bandeiras conquistadas em Abril de 1974 significam também saúde e educação. “É precisamente aqui na saúde que vivemos um período quente, com tudo o que temos vivido no concelho, à espera de uma solução que teima em não aparecer. Uma vez mais, as pessoas ficam atrás no meio dos interesses da política local”, referiu.
Durante a sua intervenção, o eleito do PS teceu duras críticas à oposição, sublinhando o “desinteresse” e a “ganância” das obras. “A ganância das obras fala mais alto, sobrepondo-se aos interesses mais básicos dos cidadãos. Amanhã será um dia dos discursos bonitos, algo romanceados, algo comum a todos os anos, repetindo-se depois para voltar aquilo que temos vindo a ser habituados ano após ano”, concluiu.
João Pereira, do MOVE, afinou pelo mesmo diapasão e sublinhou os significativos progressos “em áreas tão sensíveis para a nossa vida coletiva”, conquistados nestes quase 50 anos de democracia.
“De facto, a realidade do país é hoje bem diferente daquela que tínhamos há algumas décadas, basta olharmos para os avanços nos domínios da infraestruturação, do abastecimento de água e do saneamento, das vias de comunicação ou da modernização da administração pública, a criação do SNS e da Segurança Social ou quando nos lembramos da evolução registada ao nível do parque escolar e da qualificação das pessoas, das empresas e dos territórios. Ao olharmos para tudo isto, não podemos deixar de concluir que são marcantes as realizações da nossa democracia”, enumerou o deputado municipal.
No entanto, o caminho parece ainda ser longo. João Pereira falou em “objetivos insatisfatoriamente cumpridos”, nomeadamente ao nível da “justiça, da igualdade de oportunidades, solidariedade social, seja ainda ao nível da saúde, da educação e da reforma do Estado”. Aos restantes membros da Assembleia, o deputado deixou uma mensagem.
“Pela nossa parte, enquanto políticos e representantes dos cidadãos e mesmo apesar de sermos oriundos de projetos ideológicos diferentes, é importante que saibamos convergir no essencial sem, contudo, deixarmos de honrar o legado daqueles que fizeram o 25 de abril, pois só assim seremos capazes de aprofundar a nossa democracia”, afirmou João Pereira.
“Na noite desta segunda-feira começa a cumprir-se o quadragésimo nono aniversário do dia da revolução”, começou por referir Luís Miguel Albuquerque, Presidente da Câmara Municipal de Ourém.

“Praticamente meio século do 25 de abril de 1974, lutamos diariamente pelos direitos conquistados desde então. Apesar das diversidades que o nosso país atravessa, continua a ser tempo de expressarmos reconhecimento e gratidão aos militares de abril pela oportunidade que nos deram de escolhermos o nosso caminho, construindo um futuro coletivo onde se respeita a diversidade de opiniões e de ideias”, afirmou.

“Hoje iniciamos a comemoração do 25 de abril, um dia que marca a nossa história como povo e como nação”, começou por referir João Moura, presidente da Assembleia Municipal de Ourém.
“Lembramos o dia em que o movimento das Forças Armadas derrubou o regime de ditadura que durante quase meio século oprimiu o povo português dando início a um período de transição democrática e de luta pelos direitos e liberdades fundamentais. Hoje, em Portugal, vivemos em Democracia e em Liberdade porque um conjunto de militares, no dia 25 de Abril de 1974, libertou o nosso país da ditadura, restituindo aos portugueses o sonho de um futuro melhor”, afirmou, em texto publicado na página da AMO.
“Por isso”, continuou, “nem que seja apenas em sua memória, nem que seja somente para agradecer aos militares da Revolução dos Cravos que arriscaram a sua própria vida em benefício do povo português, nem que seja só por isso, cada um de nós tem a responsabilidade e o dever de tentar contribuir para o aperfeiçoamento do sistema democrático que nos rege, melhorando-o dia após dia”.
“Precisamos, mais do que nunca, manter vivo o espírito de Abril. Precisamos defender e valorizar a democracia, a justiça social, os direitos humanos e as liberdades fundamentais e continuar a lutar contra todas as formas de opressão, injustiça e discriminação”, defendeu João Moura, para quem “celebrar o 25 de abril é reafirmar o nosso compromisso com a construção de um país mais justo, mais livre e mais democrático. É olhar para o futuro com esperança e determinação, sabendo que ainda há muito a ser feito, mas que juntos podemos construir um país melhor para todos”.

“Na AMO temos continuado a apostar numa Assembleia participada, onde todos os cidadãos que se mostrem disponíveis possam dar o seu contributo em benefício do desenvolvimento da nossa terra e da construção de um futuro mais digno para os nossos filhos”, notou.
“Em 25 de Abril de 1974 os portugueses souberam conquistar o verdadeiro tesouro. Por isso, nunca é demais recordar o Dia da Liberdade”, concluiu, exortando a esperança no futuro e no sonho de Abril.
“Temos de ter esperança no futuro. Saibamos todos continuar a cumprir esse sonho de Abril. Viva o 25 de Abril! Viva a Liberdade!”.



