O Colégio de São Miguel, em Fátima, concelho de Ourém, obteve este ano o primeiro lugar no ranking dos percursos de sucesso e o 29º (ou 28º consoante as leituras dos dados do Ministério da Educação) ao nível do ranking geral dos exames de secundário. A escola, com contrato de associação, da diocese de Leiria-Fátima perdeu cerca de 50% das suas turmas de 7º e 10º ano este ano letivo e ainda vê o futuro incerto. Ainda assim o diretor, Manuel Lourenço, não perde a esperança por melhores dias.
Foi um dos melhores anos que o Colégio São Miguel já teve no seu meio século de existência: primeiro lugar no ranking de percursos de sucesso e um subida de cerca de uma dezena de lugares no ranking geral do secundário, afastando-se do Centro de Estudos de Fátima (CEF), com quem costuma “rivalizar” nos rankings ao nível do concelho de Ourém.
“Nos últimos anos o Colégio de São Miguel tem ficado muito bem classificado neste ranking [dos percursos de sucesso], tendo em 2016 obtido a 9.ª posição no ranking do sucesso. Nunca tínhamos ficado em primeiro lugar”, salientou ao mediotejo.net o diretor Manuel Lourenço.
O 29º lugar no ranking tradicional do 12º ano é também motivo de orgulho para o docente, frisando “as características socioeconómicas da nossa população estudante” (que não se ajusta à tradicional classe média alta ou alta). “De qualquer forma, a boa classificação nos rankings é um bom indicador mas não esgota os nossos objetivos. Nem sequer é a parte principal. Queremos que os nossos alunos, quando terminam o seu ciclo de estudos no Colégio, estejam bem preparados para a vida, sejam bons cidadãos, quer prossigam para estudos superiores, quer iniciem uma atividade profissional. Esse é o nosso melhor indicador de sucesso”, afirmou.
Para Manuel Lourenço, diretor do Colégio São Miguel há menos de um ano e o primeiro que não é sacerdote, “foi com enorme satisfação que recebemos a notícias de que tínhamos ficado em primeiro lugar no ranking das escolas que tem em conta os percursos de sucesso. Estes resultados vêm confirmar e reforçar o projeto educativo que nos orienta”.
“No Colégio de São Miguel cada aluno é visto na sua individualidade específica mas também nas suas múltiplas dimensões”, frisou. “Para este sucesso muito contribui o envolvimento de toda a comunidade educativa, nomeadamente todos os profissionais do Colégio, docentes não docentes. A sua estabilidade, profissionalismo e espírito de entrega são decisivos”.
Questionado se estes resultados podem trazer mudanças para este formato de ensino, assente no modelo de contrato de associação com o Estado, Manuel Lourenço mostrou-se otimista. “Em todas as atividades humanas e profissionais existem mudanças. Temos de estar preparados para elas”, refletiu.
“O futuro é incerto, uma vez que a revisão que tem ocorrido nos contratos de associação na freguesia de Fátima provoca os constrangimentos à comunidade que se conhecem. Acredito que para o próximo ano letivo o erro de avaliação por parte do Ministério seja revertido. No entanto, a essência do projeto educativo do projeto de São Miguel, os pilares que o sustentam e o espírito de serviço à comunidade, manter-se-ão inalteráveis”, sublinhou.
À semelhança das restantes instituições com contrato de associação de Fátima, o Colégio de São Miguel viu as suas turmas de 7º e 10º ano serem reduzidas para cerca de metade neste ano letivo. Apesar de ser uma escola privada e de raiz católica, o financiamento do Estado tem permitido que a frequência seja gratuita para os estudantes.
