O quarto aniversário do Centro de Documentação Joaquim Ribeiro, em Atouguia, no concelho de Ourém, é assinalado esta sexta-feira, 27 de setembro, com um Dia Aberto à comunidade e com diversas atividades programadas.
O centro está instalado no edifício da antiga escola primária de Zambujal, freguesia de Atouguia, e acolhe o acervo bibliográfico do antigo eurodeputado comunista Sérgio Ribeiro, falecido em abril deste ano, sendo composto por obras maioritariamente dedicadas à União Europeia, economia e à história do concelho. As atividades decorrem entre as 09:30 e as 16:30.
Joaquim Ribeiro, histórico autarca oureense, antigo deputado da Nação e do Parlamento Europeu, foi o mentor da empreitada de requalificação da antiga escola primária, ao qual o Município de Ourém se associou através de um protocolo. O Centro de Documentação foi batizado com o nome de seu pai, numa homenagem a Joaquim Ribeiro, outra figura incontornável da história do concelho de Ourém.
A requalificação da antiga Escola Primária no Centro de Documentação Joaquim Ribeiro. implicou um investimento superior a 135 mil euros, reabilitando um edifício histórico.
Devolvido à comunidade em setembro de 2020, o Centro contempla um espaço de tertúlia, uma biblioteca e uma zona de cafetaria. O seu principal objetivo passa por disponibilizar o valioso acervo documental e bibliográfico de Sérgio Ribeiro, cedido pelo próprio ao Município de Ourém, quando da assinatura do protocolo do qual resultou a obra inaugurada há quatro anos.
Sérgio Ribeiro, antigo preso político em Caxias, ex-deputado e eurodeputado comunista e ex-membro da Assembleia Municipal de Ourém, morreu em abril de 2024, aos 88 anos.

Da Organização Internacional do Trabalho (OIT) às quintas ocupadas no Alentejo em 1975, entre outros episódios particulares, Sérgio José Ferreira Ribeiro, residente em Zambujal, freguesia de Atouguia (Ourém), foi um observador participante de vários dos momentos que marcaram o pós-25 de abril.
O PREC e o verão quente de 1975 são revistos e recordados em “25 de Abril e depois”, livro que lançou em 2016, com um olhar nostálgico mas consciente de que vingou a versão dos vencedores, esquecendo-se que também se lutou com honestidade por uma causa.
Quando se deu o 25 de abril de 1974, Sérgio Ribeiro já contava 39 anos. Atrás de si tinha uma vida movida entre Portugal e Bruxelas, formação em Economia, consciência política, atividade jornalística, registo na PIDE e um historial de largos meses na prisão. No dia da liberdade, estava preso em Caxias.
Sobre essa época era convidado com frequência a narrá-la nas escolas do concelho de Ourém, onde a memória da revolução já é muito ténue e formatada aos resumos oficiais. Admitiu, numa entrevista à jornalista Cláudia Gameiro em abril de 2019, que por vezes se torna inconveniente, por querer continuamente abordar temas que não são os da versão dominante e as verdades que a História esqueceu.
“Mas eu não me canso, apesar de incomodar”, afirmou, numa das ultimas celebrações do 25 de abril.
