Cerca de 100 pessoas assistiram ao debate organizado no dia 26 pelo mediotejo.net, no auditório da Escola Profissional de Ourém, entre os quatro candidatos à Câmara Municipal.
Feitas as apresentações dos candidatos e apresentada uma caracterização sucinta do concelho, o sorteio ditou que fosse Luís Albuquerque, candidato pela Coligação Ourém Sempre (PSD-CDS), a abrir o debate.
Há oito anos como Vereador na oposição da Câmara de Ourém, esta é a segunda vez que se candidata. Na sua opinião, Ourém precisa de uma dinâmica nova. “Conseguimos reunir um conjunto de pessoas que pode dar uma nova vida, uma nova dinâmica a este concelho”, afirma Luís Albuquerque que apresenta como argumentos a sua experiência a nível autárquico e o trabalho feito pelos anteriores executivos do PSD.
“Temos o projeto certo e a equipa certa para governar, com pessoas sérias, honestas, capazes e conhecedoras do terreno”, reforçou acrescentando terem uma forte convicção de estarem “muito bem preparados para aceitar o desafio a partir de 1 de outubro”.

A “bagagem autárquica” que coloca ao dispor dos cidadãos é também argumento para Vítor Frazão, candidato pelo MOVE – Movimento Independente, se apresentar às eleições autárquicas. Sublinha que é o único que “começou onde todos os autarcas deviam começar, como Presidente da Junta”. Apresenta como trunfos a sua experiência autárquica não só como Presidente de Junta de Freguesia, mas também como Vereador, Vice-Presidente e Presidente da Câmara. Além disso, diz que conhece bem o concelho e é conhecido por todos. Realça que o MOVE é uma “alternativa credível e de confiança”.
Vitor Frazão (MOVE) lembra o processo de criação do seu movimento independente com a recolha de mais de 5 mil assinaturas e denuncia os atos de vandalismo de que as viaturas da sua candidatura têm sido alvo, ao mesmo tempo que elenca o seu trabalho como Vereador. Realça as 15 listas do MOVE para a Câmara, Assembleia e Juntas (13) como “uma alternativa credível e competente”.

Sérgio Ribeiro (CDU) diz que resolveu aceitar o desafio de ser candidato apenas por uma postura de cidadão com os seus deveres e os seus direitos. Apesar dos seus 80 anos, não se sente “arrumado”. “Sinto-me em boa forma e capaz de desempenhar a tarefa”, garante.
Ao longo de debate o antigo deputado recuou várias vezes a 2009 para falar do Congresso de Ourém que dinamizou e para apelar a que as propostas e ideias saídas desse congresso sejam recuperadas.
Lamenta a ausência de estratégia e qualificação infraestrutural no concelho. Não apela ao voto por considerar acrítico mas apela a que votem e à tomada de consciência.

Cília Seixo (PS) refere “o facto de ser uma cidadã atenta e enquanto membro na Assembleia Municipal ao longo de oito anos e conhecendo de perto a gestão da Câmara” que a levou a aceitar o desafio de ser candidata. Acrescenta três outros fatores: a situação do município “que nos últimos anos melhorou consideravelmente, o acreditar no programa que foi elaborado com base na audição e no diagnóstico feito pelos cidadãos e a “equipa de excelência, de pessoas capazes e competentes ” que a acompanha.
A cabeça de lista defende que um candidato deve ter uma visão macro e uma visão micro do concelho, mas sempre a pensar no futuro. Para si, esse pensamento estratégico é fundamental. Lembra que o voto é livre mas considera que têm um bom programa que pode ser revisto e melhorado com as preocupações centradas nas pessoas. Garante que irá tratar todos os cidadãos por igual sempre tendo em conta o bem comum.
Num concelho com 13 freguesias (eram 18 até 2013), duas cidades, quatro vilas e um território disperso, o fenómeno de Fátima destaca-se pela sua especificidade conforme sublinharam os quatro candidatos.

Sérgio Ribeiro (CDU) defende a elevação de Fátima a concelho e critica o processo anterior, há cerca de uma década, que tentou esse objetivo porque não teve em conta a especificidade de Fátima. Cília Seixo não aceita uma visão que distingue Fátima do resto do concelho e propõe uma série de medidas para aproveitar o movimento turístico que Fátima atrai. Luís Albuquerque considera que o plano de urbanização da cidade está desatualizado e necessita de revisão urgente. Mais consensual entre os quatro candidatos é a necessidade de melhoria da ligação de Ourém e do IC9 a Fátima.
A questão das contas do Município dividiu os candidatos, com a candidata do PS a elogiar a gestão dos últimos anos que se traduziu na redução da dívida e, do outro lado, o candidato da coligação de direita a tentar desmontar essa ideia. Recorda a lei dos compromissos que obrigava os municípios a baixar a dívida e os prazos médios de pagamento, bem como o aumento do IMI.
Falou-se ainda de despovoamento (população só aumenta nas cidades), de educação (colégios privados vs. escolas públicas), de cultura (com críticas aos critérios de apoio ao associativismo), de saúde (necessidade de reforço de médicos), de descentralização de competências para os municípios (todos concordaram com a necessidade de ser acompanhada pelo respetivo envelope financeiro) e de saneamento básico (com dados diferentes entre os candidatos das duas maiores forças políticas).

