Com a aproximação da data das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), que vão decorrer este verão em Portugal, os preparativos para acolher os milhares de visitantes no município de Ourém decorrem a todo o vapor. No entanto, a falta de apoios por parte do Estado, e a necessidade de investimento próprio da autarquia na melhoria das condições do recinto, tem gerado alguma preocupação.
Na última reunião da Assembleia Municipal o tema esteve em debate, tendo a deputada municipal Mónica Faria (PSD) manifestado a sua preocupação. “A minha pergunta é se já existem novos desenvolvimentos por parte do Governo para com o nosso município, para garantir toda a logística que um acontecimento destes exige, bem como para assegurar também o conforto e a segurança de todos estes jovens e menos jovens que irão com certeza permanecer aqui no nosso concelho”, questionou Mónica Faria.

O Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Albuquerque relembrou o esforço do executivo e as intervenções que têm sido realizadas com vista à melhoria das condições para acolher os visitantes, no âmbito das Jornadas Mundiais da Juventude, que irão decorrer em agosto do presente ano.
“Refiro-me às intervenções que entendemos como fundamentais para que a cidade de Fátima possa estar à altura das responsabilidades por ocasião da visita de sua santidade, o Papa, no âmbito das Jornadas Mundiais da Juventude”, afirmou o autarca.
O investimento, que ronda os 300 mil euros, foi considerado como “absolutamente necessário” para Luís Albuquerque, de forma a que sejam reunidas condições para fazer de Fátima e do concelho de Ourém “um lugar digno de receber a visita de milhões de peregrinos que mais uma vez vêm até nós”.
O responsável autárquico vincou a responsabilidade financeira, que recai inteiramente sobre o município ouriense, em virtude do que considera ser uma “intransigência” do governo.
“Recordo e sublinho, este investimento é da inteira responsabilidade do município, que assume esta despesa na sua totalidade, face à intransigência do governo central que, ao contrário do que aconteceu em 2017, aquando da última visita de Sua Santidade, desta vez decidiu não apoiar a nossa autarquia, excluindo Ourém de todas as reuniões preparatórias que estão a anteceder este evento”, deu conta o presidente.
Helena Pereira, deputada do PS, sublinhou o grande número de jovens que irão pernoitar no concelho, durante a fase das Pré-Jornadas, indagando sobre as atividades que o município procura realizar para o acolhimento dos mesmos.
Em resposta aos esclarecimentos solicitados, o responsável autárquico deu conta de que as Jornadas Mundiais da Juventude muito têm preocupado o executivo. “Desde as pré-jornadas até às jornadas, nós estimamos que por dia possam estar em Fátima mais de 200 mil pessoas e isso, obviamente, preocupa-nos porque iremos ter que assegurar as melhores condições para que tudo possa correr bem”, afirmou.
“Infelizmente, não temos o apoio do governo central para qualquer despesa, teremos de ser nós a suportar toda a logística associada a estas jornadas, em que se inclui a disponibilização de terrenos”, fez saber Luís Miguel Albuquerque.

Durante a sessão, o autarca deu conta do trabalho do município realizado até a data, afirmando ter já sido realizado o “levantamento muito grande” de terrenos situados no perímetro urbano da Cova da Iria, que servirão para o estacionamento de autocarros e carros particulares, bem como a criação de um local destinado a autocaravanas e a disponibilização de sanitários por todo o recinto.
Luís Albuquerque lamenta que o Estado central não tenha apoiado financeiramente as despesas do município com um evento onde estará em causa a “imagem do país”.
“Há mais de um ano que falámos ao governo na necessidade que tínhamos de ter aqui algum apoio para que pudéssemos receber bem os milhões de pessoas que nos visitam. O que vai estar em causa é a imagem de Fátima, mas essencialmente, a imagem do país”, referiu.
“É a falência total do Estado central no concelho de Ourém.” Foram estas as palavras escolhidas pelo autarca para descrever a situação no município, no que ao serviços públicos diz respeito. A ausência de médicos de família, a falta de balcões das Finanças e o atraso no processo de troca de terrenos com a Parque Escolar, foram alguns dos exemplos apontados por Luís Albuquerque durante a sessão.
“Estamos a ficar cansados da inércia do Estado no concelho de Ourém e isto tem de ser dito e replicado. Nós não podemos continuar a aceitar que o concelho de Ourém, o maior concelho do Médio Tejo e o segundo maior concelho do distrito de Santarém, continue a ser ignorado pelo Estado central.”
