Saúl António Gomes elaborou um monografia específica da freguesia/paróquia que deu origem ao concelho de Ourém. Foto: mediotejo.net

As atas desde 1864 da freguesia que fundou o concelho de Ourém, Nossa Senhora das Misericórdias, vão estar disponíveis dentro de cerca de três meses no site da Câmara Municipal de Ourém, na parte referente ao Arquivo Municipal. A informação foi avançada no domingo, 10 de setembro, aquando a apresentação de uma monografia sobre a freguesia, da autoria do historiador Saul António Gomes. Nossa Senhora das Misericórdias, autarquia onde se situa a vila medieval de Ourém, foi até ao século XIX a sede do concelho.

“Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias – Ourém Página da sua História” é uma monografia com edição da respetiva junta de freguesia, que teve coordenação editorial dos Serviços Culturais do município de Ourém. O trabalho atravessa a história da fundação do concelho, desde as lendas que originaram o nome Ourém ao condado com sede no cabeço onde outrora teria existido uma fortificação muçulmana e depois um castelo cristão e a ligação sempre presente do território à monarquia portuguesa.

Saul António Gomes começa na antiga paróquia que deu origem à atual freguesia civil, realçando o património arquitetónico e económico deixado pelo 4º Conde de Ourém; como desde o século XV o cabeço fortificado começou a perder população devido à dificuldade de acesso, por exemplo, à água, dando depois origem no vale à Aldeia da Cruz (atual cidade de Ourém); a devastação deixada pelo terremoto de 1755; e o impacto enorme, sobretudo numa memória popular que perdura até hoje, da terceira invasão francesa, liderada pelo general Massena, que deixou o caos no concelho, tendo perdido à época cerca de 1/3 da população.

Livro condensa informação estrutural para quem quer estudar o concelho de Ourém. Foto: mediotejo.net

O historiador consultou diversa documentação, inclusive registos dos jesuítas sobre a freguesia onde se situava a antiga sede do concelho, adiantando que as atas existentes da junta, desde 1864, estão a ser digitalizadas e tratadas e estarão dentro em breve disponíveis online (os serviços municipais indicaram ao mediotejo.net que o processo ainda deverá demorar cerca de três meses). Nestes documentos é possível verificar, referiu, que desde o século XIX os responsáveis autárquicos tinham uma grande preocupação com a Educação. “Não haviam salas de aula, depois os pais não deixavam vir os filhos à escola porque os queriam a trabalhar nos campos”, exemplificou.

“É um livro que procura redescobrir a história de Ourém”, destacou o Saul António Gomes, da qual a história da freguesia é indissociável. São 800 anos condensados em 152 páginas e que agora ficam disponíveis aos estudiosos que se queiram debruçar, com mais facilidade, sobre a história do concelho.

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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