Ourém foi palco da reunião de alguns dos mais distinguidos especialistas nacionais na área da museologia e de momentos que permitiram refletir e discutir sobre outras importantes e emergentes áreas de atuação. Foto: Câmara Municipal de Ourém

“Como podem os museus tornar o mundo num lugar melhor” foi uma das questões levantadas pelo International Council of Museums (ICOM), organização não governamental criada em 1946 e difundida por comissões nacionais com atividade em 146 países, e que a Rede de Museus do Médio Tejo (RMMT) prometeu não deixar passar despercebida em 2022.

Para tal, a RMMT dedicou o 4.º Encontro Museus do Médio Tejo a este tema, que tem ocupado e continuará a ocupar as diferentes agendas internacionais ao longo do ano.

Com uma organização da Rede de Museus do Médio Tejo, em parceria com o Município de Ourém, o evento, que decorreu no dia 21, procurou ir ao encontro da pertinência da temática que foi igualmente eleita como o mote para o Dia Internacional dos Museus 2022, que se comemora anualmente a 18 de maio.

O programa da iniciativa procurou dar a conhecer equipamentos e projetos de referência nacional. Ourém foi palco da reunião de alguns dos mais distinguidos especialistas nacionais na área da museologia e de momentos que permitiram refletir e discutir sobre outras importantes e emergentes áreas de atuação.

“Tivemos participantes dentro da área da museologia, quer empresários da área do Turismo, entre muitas outras áreas, oriundos de diferentes municípios nacionais, de norte a sul do país. Acabou por ser uma iniciativa que valorizou o próprio trabalho da rede”, referiu João Pinto Coelho, coordenador da RMMT, após o encerramento do evento.

Ao longo do evento, foi destacado o trabalho realizado por toda a comunidade museológica e demais atividades nas diferentes áreas e contextos culturais, sociais, económicos e ambientais, da região e do próprio território nacional. A sessão de abertura contou com a presença da vice-presidente Isabel Costa, João Pinto Coelho, da Rede de Museus do Médio Tejo, Miguel Pombeiro, da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, e Eunice Lopes, em representação do Instituto Politécnico de Tomar.

Descrito como “um dos momentos de maior projeção deste grupo de trabalho intermunicipal”, pela organização, a 4º edição distingue-se pelo sucesso da iniciativa, sendo já considerada uma “referência nacional”, segundo referiu João Pinto Coelho, coordenador da RMMT, ao nosso jornal.

“O 4º Encontro de Museus do Médio Tejo, (…) acabou por ser considerado um evento, não só pela organização, mas também por todos os que por lá passaram, (…) de sucesso e que acabou também por se confirmar como uma referência não só regional, mas também nacional, dentro da área da museologia, nomeadamente em termos destas atividades de formação e pedagógicas”.

ÁUDIO | João Pinto Coelho, coordenador da Rede de Museus do Médio Tejo

De acordo com o coordenador da Rede de Museus do Médio Tejo, a atividade anual apresentou, na edição deste ano, uma nova dinâmica de trabalho, assumindo a descentralização da iniciativa para os restantes municípios, no sentido de estreitar a proximidade com os museus da Rede e as comunidades. Desta forma, a organização do Encontro transitará anualmente entre os diversos municípios que compõem a RMMT, por forma a permitir a igual participação entre todos os membros

João Pinto Coelho é o coordenador da Rede de Museus do Médio Tejo. Foto: Câmara Municipal de Ourém.

“Este ano foi um ano bastante sui generis porque optou-se por um modelo completamente inovador que fugiu às três edições anteriores, que foram realizadas dentro do Instituto Politécnico de Tomar”. Na edição pós-Covid assumiu-se como “sendo um ponto estratégico começar uma descentralização de todas as atividades da própria rede e iniciar um percurso pelos diferentes municípios do Médio Tejo, dando oportunidade a todos os empresários, agentes culturais e não só (…) de também ficarem a conhecer um pouco mais das realidades de cada um desses municípios”, acrescentou João Pinto Coelho.

No Teatro Municipal de Ourém debateu-se, ao longo da manhã, exemplos museológicos, mecanismos e aspetos práticos da rede, bem como casos concretos onde, pela envolvência comunitária, Ourém também se insere. A parte da tarde foi dividida em sessões paralelas que sectorialmente abordaram temas variados desde o Património Imaterial à Conservação e Restauro, passando pela comunicação, acessibilidades e educação

O IV Encontro de Museus do Médio Tejo encerrou com um momento musical realizado por Bia Maria, após um painel composto por Jorge Neto, Hélder Marques e João Coelho e onde participou, também, a Vice-Presidente da Câmara Municipal. Na sua comunicação, Isabel Costa agradeceu a presença dos participantes, reforçando o esforço de envolvimento do Município no envolvimento da comunidade através da oferta educativa do Museu Municipal de Ourém.

Após encerradas as intervenções, João Pinto Coelho mostrou-se positivo e referiu uma “aposta ganha”.

“Acaba por ser uma aposta ganha, (…) um resultado que fortalece todo o trabalho e todos os técnicos dos 13 municípios que têm trabalhado para esta rede e para fazer da realidade museológica do Médio Tejo uma aposta e um forte contributo para o desenvolvimento da região”.

“Tem havido uma rede comum que nunca parou desde a sua génese, ou seja, desde 2018, 4 anos de atividade que mesmo com o período de confinamento de Covid, nunca deixou de fazer o seu Encontro anual, mas também nunca deixou de realizar atividades intercaladas, muitas delas, por força da questão do confinamento e do próprio Covid, muitas delas em formato híbrido ou no formato virtual”, referiu o coordenador da RMMT ao mediotejo.net.

A Rede de Museus do Médio Tejo foi constituída em 2018, resultado de um protocolo entre a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e o Instituto Politécnico de Tomar. Trata-se de uma estrutura informal composta por museus e núcleos museológicos integrados na Rede Portuguesa de Museus, outros museus municipais, entidades museológicas do Estado Português e privadas que, entre outras iniciativas, tem realizado um Encontro anual.

Relativamente à 5º edição do Encontro, João Pinto Coelho revela ainda não haver certezas quanto ao município anfitrião do evento, porém garante manter-se um formato descentralizado à semelhança da edição de 2022.

“Neste momento estamos a aguardar por uma próxima reunião (…). Por norma, os municípios que têm pretensão em acolher o Encontro assumem-se como potenciais candidatos, apresentam as suas condições e a sua proposta de programa e depois os restantes membros acabam por deliberar qual é que será o local mais preparado para acolher o evento. Mas de certeza (…) que será num formato descentralizado tal e qual como foi este ano”.

Jéssica Filipe

Atualmente a frequentar o Mestrado em Jornalismo na Universidade da Beira Interior. Apaixonada pelas letras e pela escrita, cedo descobri no Jornalismo a minha grande paixão.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *