Há uns anos atrás refleti e partilhei a minha opinião sobre este tema. Recupero-o hoje porque sinto que está tudo praticamente na mesma.
Bem sei que o país tem problemas muito mais graves e que isto em comparação pode parecer demasiado insignificante… mas talvez não seja bem assim e, bem vistas as coisas, este também é um exemplo daquilo que somos como cidadãos e por arrasto, da imagem que projetamos enquanto país.
Nos últimos anos assistimos a um desenvolvimento brutal das redes viárias em Portugal. O país tornou-se ainda “mais pequeno” porque as autoestradas multiplicaram-se e permitem-nos hoje chegar mais depressa onde antigamente chegávamos muito mais devagar. Este tipo de investimento também modernizou as poucas autoestradas que existiam, passando estas a ter, em muitos quilómetros, três e quatro faixas onde normalmente só existiam duas.
No entanto, apesar de estes investimentos terem como objetivo a modernização das infraestruturas para um escoamento mais rápido do trânsito, quem anda com regularidade nestas estradas sabe que invariavelmente se encontram viaturas a fazer turismo na faixa do meio mesmo quando a faixa da direita se encontra desimpedida.
Quantos de nós não tiveram de sair da faixa da direita, ir à faixa central e finalmente passar para a faixa da esquerda apenas para realizar uma ultrapassagem? E isto porque há viaturas conduzidas por uns indivíduos que por algum motivo insondável acham que a faixa do meio é que é boa. E o mais preocupante é que estes indivíduos não estão padronizados nem em idade, nem em sexo, nem em condição social.
Seja por falta de conhecimento ou por falta de civismo, esta situação é grave e mostra que o desenvolvimento que se assistiu no país ao nível do betão está longe de ter sido acompanhado pelo necessário e desejado desenvolvimento das mentalidades.
Fica assim claro o desequilíbrio do investimento que foi realizado em Portugal. Investiu-se demais nestes bens não transacionáveis e investiu-se “de menos” na formação e na educação dos portugueses.
Mas este desequilíbrio talvez faça sentido. Cidadãos formados e educados são cidadãos que pensam… e isso pode ser demasiado perigoso para quem se quer perpetuar no poder.
