Que tempo é este? Que tempo é este que não nos deixa guardar os casacos, as botas e os guarda-chuvas? Um dia percebemos que as praias estão cheias de gente, noutro dia a temperatura desce para metade. E chove. Chove mesmo. E o céu fica cinzento, embora a Primavera, no calendário, já se tenha anunciado.
Que tempo é este? Que tempo é este que não nos deixa tranquilos, quando vemos vários jovens a atacar um único homem que defende o seu negócio? Um dia percebemos que evoluímos imenso no exercício da liberdade, noutro dia certos comportamentos desiludem-nos sem explicação. É triste. Muito triste. E questionamos tudo o que já foi feito, embora saibamos que são mais as coisas boas do que as más.
Parece que estes tempos andam desorientados.
Com a Natureza, nada podemos fazer, a não ser admirar a beleza das flores que desabrocham e das árvores que ficam esplendorosas. Continuamos a admirar as flores e as árvores, mesmo que a chuva insista em vir fora de tempo e que lhes caia em cima quando já só esperavam raios de sol e água nas raízes.
Com o Ser Humano, ainda muito teremos que fazer, para além de admirar a força e a magnitude da maioria dos seus representantes. Mesmo que certos comportamentos nos desiludam e que acreditemos que se trata apenas de casos pontuais, continuamos a defender que nada justifica a agressão gratuita e a falta de respeito pelo outro.
Estes tempos não são mais conturbados do que os anteriores. São diferentes.
Ao longo das últimas décadas, abril e maio nunca foram meses completamente seguros na sua Primavera. O clima oscila. Os dias também. É a ordem natural das coisas, pelo menos daquelas que não podemos controlar.
O que é preciso deixar bem claro, sobretudo às gerações que nasceram e cresceram nas últimas décadas, é que, não havendo ninguém que tenha o poder absoluto (como tem o sol, quando nos ilumina), cada um de nós se desenvolve com o que quer aproveitar daquilo que lhe é oferecido.
Hoje, dificilmente encontraremos um jovem que possa dizer que nunca lhe indicaram o caminho do respeito e da tolerância. As diferentes instâncias sociais e educativas, a começar pela Escola, dificilmente desistem de um jovem. Pelo que praticamente todos saberão que caminhos podem seguir e com que consequências.
Se uns preferem o céu cinzento aos raios de sol, mesmo que seja em situações pontuais, não foi a ‘sociedade’ (com as suas costas largas) que falhou. Sabemos todos, por experiência própria, que há fenómenos, com contornos muito próprios, que escapam ao que seria normal.
Aceitar esta ‘anormalidade’ não é a solução. Denunciar, mostrar o mau exemplo e criar ondas de indignação será uma das soluções. E as redes sociais, aqui, funcionaram muito bem!
