“Um dia qualquer, dos vividos no ano 1964, a cheia castigava os campos da Chamusca. Era visível que ela em breve deixaria as hortas no tapadão, pois aqui e ali, já se viam nateiros que espelhavam quando o sol, ainda que como envergonhado, espantava para bem longe, trovoadas, raios e coriscos. A cheia estava no campo e nos olhos de quem na terra mourejava, fitavam as suas margens como que a medir, o tempo sem pão que ainda aguardariam. Pela mão de meu pai, ia ouvindo estórias de outras cheias. Umas maiores, outras mais pequenas e o ano das sete cheias. Todas elas faziam mal… todas elas faziam bem. Umas serviam para matar a “bicheza” e deixar nateiros bons para os campos. Outras, para escavacar tudo e dar fome. Era assim porque sim, e não se fala mais nisso. A família repartia em tempos difíceis, o pouco, por muitos, salvaguardando o sorriso das crianças, com o melhor quinhão pois, o futuro estava ali, e as estórias repetidas eram como as águas, iam e vinham, sempre como que a passar de memória em memória, para que talvez viessem um dia a serem repetidas para que nunca fossem esquecidas.”
[Joaquim José Duarte Garrido]
Com esta última crónica dou por finda uma investigação que fiz sobre o tema “Os tempos das cheias do Tejo”. Este é um labor não finito e, certamente, com muitas lacunas.
Quando falava com os homens da borda de água referiam-me as grandes cheias que “tinham chegado aos degraus da Igreja Matriz da Barquinha ou às portas dos Paços de Concelho da Barquinha ou à taverna do Sr. Ferrão”. Sempre grandes histórias de drama, desgraça, heroísmo e solidariedade, mas olvidavam o seu ano.
Impressionava a narrativa, mas o tempo ido e preciso tinha-se perdido na memória do cronista como esse facto fosse um acto recorrente, quotidiano ou um fenómeno sempre igual.
Depois desta pesquisa percebi porquê … As inundações faziam parte do seu dia-a-dia e das suas vivências pois habitavam em pleno Vale do Tejo e num dos locais mais afetados pelas enxurradas desde tempos imemoriais. Relatos que vinham dos seus ancestrais, pois pelo rio e pelo campo fluem histórias de galgamento das margens, campos inundados, diques derrubados, impetuosas correntes de água, de danças, de cantares, de segredos, de doces e de açordas, de confeções de peixe do rio com especial destaque para o sável e a lampreia.
O instinto criativo nasceu nas margens do rio que lhes deu muito, mas que muitas vezes muito lhes tirava.
1900 – 13 de fevereiro. Uma cheia de grandes proporções inundou parte do Rossio ao Sul do Tejo. A escala de Rodão assinala 16,40 metros.
Famílias são alojadas na Vila de Abrantes. 2 “Os últimos dias foram assinalados por grandes temporais que fizeram sentir a sua ação terrível e destruidora em diversos pontos do país e especialmente no Porto e em Coimbra. —Em Santarém, Azambuja também houve sinistros produzidos pelo temporal.”
Diario Illustrado, 1900, Fevereiro, 14, p. 3 .
1902 – 27 de fevereiro
Escala de Rodão 15,20 metros. A altura máxima da memorável inundação de 1876 foi de 7,82 acima da estiagem, atingindo a do ano de 1895, no hidrómetro de Santa Iria 7,57m. A cheia atual (1902) 7,42m. De Constância e da Golegã pedem socorros para os jornaleiros sem trabalho. Abateu a muralha da Foz do Zêzere, em frente a Constância. Foram alugados barcos, pela Seção hidráulica, na Barquinha para socorrer a população do Reguengo do Alviela.
1907 – novembro

1909 – 24 de dezembro
“Santarém esteve sem comunicações postais e telegráficas. Os prejuízos são incalculáveis. Muitas casas derruídas. No Vale de Santarém morreram 3 homens e no Reguengo do Alviela 1. Devido à falta de socorros não se pôde salvar muito gado e haveres. Em Porto de Muge, Valado e Pombalinho há muita miséria e prejuízos.”
Diario Illustrado, 1909, Dezembro, 29, p. 4 .
Um violento temporal assola a região de Abrantes durante mais de uma semana. A cheia do Tejo atinge 12,73 metros em Abrantes. 2
Em Santarém com altura hidrométrica 7,98m
A lllustração Portugueza, n.º 202, de janeiro de 1910, mostra fotografias de “Portugal devastada pelas águas” de Sacavém, Cais de Sodré, Alenquer e Porto.
1910 – 11 de dezembro
O último mês de 1910 trouxe uma grande série de calamidades que muito afetaram a vida de certas regiões. Terríveis cheias inundaram os campos ao redor de Santarém, o que se traduziu na perda de vidas humanas, na derrocada de prédios e na destruição das colheitas. Corria que, desde a cheia do Tejo no ano de 1885, nunca houvera outra com efeitos tão devastadores. (SERRÃO, Joaquim Veríssimo, História de Portugal: A Primeira República (1910-1926) – pág. 64, 1977.
A cheia do Tejo atinge 11,61 metros em Abrantes 2

A Ilustração Portuguesa, n.º 254, de 2 de janeiro de 1911, menciona “A Praga das águas”. As aguas do Tejo tão impetuosas n’esta época das chuvas também inundaram os campos das suas margens como fez o Douro nas suas orlas férteis. Durante uns dias estiveram alagadas as planícies ribatejanas, as casas miravam-se nos grandes lençóis de água que afogavam as árvores, arrastavam os animais, e derruíam vedações, esboroavam muros como sucedeu na Barquinha e em Tancos, sobretudo no sitio d’Arrepiado. A desolação era geral, as perdas imensuráveis ainda assim tanta formosura, tão estranha beleza que conseguem deter as vistas mesmo após os males causados.
1912 – 8 fevereiro
Linhas-férreas, telegráficas e telefónicas interrompidas – os vastos campos do Ribatejo completamente inundados – No Tejo afunda-se um grande número de fragatas – os mouchões estão cobertos de água. Em Valada o dique rompeu-se e os habitantes correram perigo de vida – Em Santarém, as lojas das casas da Ribeira estão alagadas, em algumas os tetos abateram. Em certos pontos, o rio tem cinco vezes a largura habitual. No dia 9 de fevereiro o Tejo inundou os terrenos até à cota 81,79 metros em Vila Velha de Ródão. 1
Vila Nova da Barquinha com uma altura hidrométrica 8,87m, cota 22,96. A lllustração Portugueza, n.º 313, de fevereiro de 1912, mostra fotografias do “Ribatejo inundado” de Vala do Carregado, Azambuja, Vila Nova da Rainha, Ribeira de Santarém, Palhais, Vila Franca, mencionando “nas proximidades de Abrantes a corrente era tão violenta que um moleiro, ao tentar passar a ribeira da Pocariça foi arrastado pelas águas caudalosas”.
1913 – novembro
Inundações a que está sujeita todos os anos, sobretudo a região ribatejana. D’esta vez foi na Barquinha e Azambuja onde a água causou mais estragos, tendo também subido a Ribeira de Santarém.

1916 – 16 de março e 19 de dezembro
As duas cheias deste ano atingiram a cota de 10,80 e 12,15 metros em Abrantes2
A lllustração Portugueza, n.º 528, de 3 de abril de 1916, mostra-nos a cheia na Ribeira de Santarém neste ano.
1917- 15 de fevereiro
Devido à muita corrente no rio, o vapor ex-alemão “S. Thiago”, que estava prolongado com o “Amarante”, atracado à muralha do Posto Marítimo de Desinfeção, quebrou esta manhã os cabos, indo rio abaixo até cair sobre uns vapores ingleses, sem que, felizmente, se produzisse avaria. Imediatamente saiu o “Cabo da Roca”, que lhe passou um virador, no que foi mais tarde auxiliado por outros rebocadores que levaram o “S. Thiago” para o lugar da sua amarração. (jornal, A Capital, pág.2, 16 de fevereiro de 1917)
1919 – 20 de fevereiro
10,89 metros em Abrantes2
1923 – fevereiro – O Diário do Governo nº 30 faz referência ao dia 2 de fevereiro e aos trinta e quatro dias de copiozas, e não interrompidas chuvas, a par de ventos tempestuosos […] e à perda de todas as sementeiras já feitas desde Beirolas até Abrantes2
1924 – Abril

1926 – 9 de fevereiro – Cota 10,37 metros em Abrantes2
Em Vila Franca de Xira a inundação é grande, estando os seus habitantes em perigo, o senhor Governador Civil pediu ao Arsenal da Marinha para seguirem para ali rebocadores, afim de prestarem socorros. (Jornal a Capital, Pág.2, 11 de fevereiro de 1926)
1927 – dezembro
A cheia deste ano atingiu a Cota 11,61 metros em Abrantes e foi a causa da morte de um homem quando passava na ponte do Rio Torto, único acesso para a Freguesia de S. Miguel2
SANTARÉM, Dez. 23. — Durante a noite passada fez-se aqui sentir um violento vendaval acompanhado de abundantes chuvas. No novo bairro que está em construção entre o hospital e o Presidio Militar deu-se o desmoronamento de uma parte dum prédio e de um muro. Os campos levam uma grande cheia, principalmente os da margem direita do Tejo, vendo-se apenas a descoberto uma facha de terreno das Praias do Quilhas. O campo de Alpiarça também leva grande enchente, estando intercetada em três pontos a estrada para esta cidade.
As comunicações com Almeirim também devem ficar interrompidas durante a noite de hoje.
A fim do prestar socorros, partiu para Almeirim, Alpiarça e Courela do Juncal com um troço de homens.
BARQUINHA, Dez. 23. — Nestes últimos dias, tem chovido muitíssimo. O Tejo saiu já do leito, vendo-se os campos marginais completamente cobertos de água. Algumas ruas desta vila encontram-se inundadas, o mesmo sucedendo a algumas habitações, esperando-se que a cheia venha a tomar ainda maiores proporções, pois que continua chovendo soprando também vento fortíssimo. Por enquanto, porém, não se registaram quaisquer prejuízos ou desastres pessoais, felizmente.
CONSTÂNCIA, Dez. 23. — Devido ao grande temporal que há dias nos visita, os rios Tejo e Zêzere tomaram grande volume de água, encontrando-se a parte baixa desta vila inundada pelos mesmos.
BARQUINHA, Dez. 24. — A cheia no Tejo tomou enormes proporções, encontrando-se uma grande parte desta vila completamente inundada e havendo habitações onde a água atingiu perto de 2 metros de altura. Em alguns estabelecimentos a água entrou com grande impetuosidade, e mais depressa do que se supunha, salvando-se, no entanto, todas as mercadorias. Famílias houve, que tiveram de ser retiradas de suas casas, por essas habitações não oferecerem confiança. Até ás 6 horas da manhã, a cheia continuava subindo, começando ás 8 horas a descer, mas muito lentamente. São grandes os prejuízos nos campos que se encontravam já semeados, não havendo, felizmente, desastres pessoais a lamentar. A água tem arrastado grande quantidade de madeiras. O tempo amainou, estando hoje um dia de sol.
ROSSIO DE ABRANTES, Dez. 24. — Tem chovido torrencialmente. O Tejo subiu repentinamente, devido ás ultimas chuvas, tendo a cheia atingido hoje 11m,61, na escala hidrométrica do Lopo. As águas invadiram os campos marginais, na extensão de centenas de metros destruindo as sementeiras já feitas. Algumas ruas desta localidade foram invadidas pela cheia, servindo-se os moradores de barcos para poderem chegar aos andares superiores das suas habitações. A cheia invadiu as estradas e cortou as comunicações com Alvega e Tramagal. Em Rio de Moinhos a cheia também invadiu os campos e as ruas da localidade.
(Diário de Notícias – New Bedford, Mass, pág. 1, 13 de janeiro de 1928)
SANTARÉM, Jan. 2. A cheia está declinando rapidamente. A estrada de Alpiarça está ainda, em parte, submersa, vendo-se já completamente a que segue da Tapada para Almeirim. Diques e canais, conservam-se ainda submersos. Os estragos nas estradas necessitam de urgente reparação, a que já se está procedendo, graças ás ordens enérgicas e acertadas do engenheiro sr. Claro da Rica, chefe da Divisão Hidráulica do Tejo, as quais foram religiosamente cumpridas pelo engenheiro desta secção hidráulica, sr. Joaquim de Azevedo Terenas, que tem provado à evidencia vastos conhecimentos técnicos e grande zelo e solicitude no cumprimento da sua missão. Todo o pessoal da secretaria da secção tem estado em serviço permanente, o que permitiu terem sido executadas todas as ordens e tomadas todas as providencias necessárias para que os estragos e prejuízos por falta de transportes ficassem reduzidos ao mínimo.
(Diário de Notícias – New Bedford, Mass, pág. 1, 19 de janeiro de 1928)
1928 – fevereiro
SANTARÉM, Fev. 28. — O tempo — Cheia no Tejo. Continuam as chuvas, quase sem
cessar, fazendo-se sentir um forte vendaval. O Tejo já hoje começou a sair do leito, inundando a maior parte do Mouchão de S. Lourenço. As águas sobem muito e é de prever que uma grande parte do campo do Rocio seja inundado durante o dia de amanhã, o que virá prejudicar as sementeiras do mesmo campo e de outros marginais.
(Diário de Notícias – New Bedford, Mass, 17 de março de 1928)
1928 –maio
POMBALINHO, Maio, 9. As últimas chuvas inundaram os campos, matando debaixo de água muitas sementeiras e vinhas. Os prejuízos, como é de esperar, são elevados e por esse motivo os lavradores andam desanimados com o futuro ano agrícola, e os trabalhadores rurais, que durante semanas não puderam trabalhar, estão a braços com uma grave crise.
SANTA MARGARIDA DA COUTADA, Maio, 8. — Novamente o Tejo cobriu os campos desta freguesia, com grave prejuízo para os lavradores, que veem perdidos trigos, favas, uvas e os milhos que já estavam semeados, não obstante a invernia ter feito demorar e repetir as sementeiras. O porto do Sabugal mais uma vez foi submerso pelo Tejo, sendo a custo salvas as mercadorias que aí estavam aguardando barcos, prejuízos que só se evitarão quando a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses estabeleça aqui a necessária estação para mercadorias, cuja necessidade de dia para dia é mais sentida, por a região só dispor dos portos do Tejo para Tráfego. Lembra-se à Companhia que não demore por mais tempo a efetivação da estação, com cuja falta ela e a região estão sendo muito prejudicadas.
Ninguém se lembra de cheia no Tejo no mês de Maio.
AZAMBUJA, Maio 9 — Os campos do Ribatejo estão novamente inundados. Não há memória de em Maio se dar semelhante facto. Uma verdadeira calamidade, que vai atingir todas as classes, mormente lavradores e trabalhadores rurais. Hoje, na igreja paroquial, celebraram-se preces, para a cessação das chuvas. A cerimónia foi muito concorrida.”
(Diário de Notícias – New Bedford, Mass, 31 de maio de 1928)
1930 – 11 de outubro
Inundações em Lisboa – Um aspeto da Cheia de São Paulo (Fonte Torre do Tombo)
1932 – dezembro
Registo no anuário dos Serviços Hidráulicos, I, pág. 49. 1933
1935 – 28 de dezembro
As inundações deste ano atingiram a cota de 11,12 metros em Abrantes2
Fonte https://www.cinemateca.pt/
1936 – 26 de janeiro e 19 de fevereiro: O Rossio ao Sul do Tejo terra mártir regista uma grande cheia. As águas ameaçaram a estação do caminho-de-ferro. No manuscrito que se encontra no Arquivo Municipal Eduardo Campos, Henrique Martins de Carvalho descreve assim esta inundação: É um espetáculo imponente, visto das muralhas do Castelo, só conhecendo rival na vista das “Portas do Sol” de Santarém… Cotas 10,39 e 12,98 metros em Abrantes 2.
A Ilustração Portuguesa n.º 970, de 6 de março de 1936, faz referência “lastimáveis efeitos das cheias produzidas pelos recentes temporais”, com fotografias de Valada, Vila Franca e linha férrea do Setil.
Há um filme da Cinemateca sobre as cheias de 1936 em Constância
1937- 1 de fevereiro e 14 de março
Cotas 11,76 e 10,15 metros em Abrantes2
1937- novembro
Há um filme da Cinemateca sobre esta cheia no Ribatejo em novembro de 1937.
Fonte https://www.cinemateca.pt/
1939 – 18 de janeiro
Cota 12,15 metros em Abrantes2
“A cheia do Tejo – Primeiramente, quero dizer ao leitor que não me move ódio ou paixão de nenhuma espécie, mas, sim, o de proclamar a verdade. O temporal que recentemente assolou esta vila, é o motivo deste meu “suelto”. A cheia do Tejo inundou os campos marginais e grande parte desta terra. Por isso, a população a quem a cheia prejudicou, sofreu os maiores revezes com o mau tempo. Casas quase cobertas pela água, principalmente na parte baixa da região; habitantes que, devido à falta de barcos, lutaram com mil e uma dificuldades; campos devastados, enfim um sudário de miséria – eis o que o temporal fez. A Barquinha, esta região tão encantadora no verão, no inverno, devido às cheias, que a invadem, é uma terra triste há pobres que sofrem todas as agruras e que não pedem porque têm vergonha. Na minha missão de humilde jornalista tenho visitado vários tugúrios que existem aqui. Se há gente rica na Barquinha, há quem quase morra de fome por não pedir. BASTA: a minha pena tem de escrever a verdade, custe o que verdade custar. Haja ao menos uma voz que se oiça na Barquinha, visto que os comodistas cada vez se sentem mais satisfeitos, refastelados nas suas poltronas… Peço, pois, ao GOVERNO que auxilie os pobres desta terra, que a cheia prejudicou. Tenho a minha consciência aliviada. Cumpri com o meu dever. Que dizem a isto os que nada fazem nem deixam fazer? Barquinha, Fevereiro de 1939, José Vieira Gonçalves.” Jornal o Moitense (Barquinha), n.º 36, de 15 de fevereiro de 1939.
1940 – 3 de fevereiro
Violentíssimos temporais assolam o Ribatejo. O Tejo inundou Rossio, Abrantes e Rio Moinhos. Cortadas as comunicações entre Abrantes e o Alto Alentejo. As ruas da Ribeira de Santarém foram flageladas pela subida repentina das águas. A altura hidrométrica foi de 5,51 metros, às 21 horas. Na Barquinha a escala marcou 6,88 metros e em Abrantes 8,34 metros no dia 3 de fevereiro. Em Vila Velha de Ródão o Tejo atingiu 20 metros e 70 centímetros (cota 82,19 metros). O Castelo de Almourol oferece um aspeto imponente como nunca. A água elevou-se a alguns metros fazendo ondulação alterosa em volta do monumento. Milhares de laranjas vão pela cheia e centenas de laranjais e olivais estão cobertos pela água. Na Vila de Constância deu-se um caso digno de registo. O padeiro Joaquim Alves tinha no forno uma cozedura de pão quando a água invadiu a Vila. Agarrou na pá e foi retirar o pão que estava cozido e se destinava ao abastecimento da população no dia de ontem. Cobria-o já até ao peito. Apesar disso, não abandonou o seu posto. Só quando tinha salvo o último pão saiu da padaria. A água cobria-o até ao pescoço 1
1940 – 3 de janeiro. (Barquinha) altura hidrométrica 9,22, cota 22,31
Existe uma marca de cheia na Quinta da Cardiga
1940 – 3 e 4 de fevereiro. Grandes temporais devastam a região do Ribatejo. O Diário de Notícias, conta-nos: “VILA NOVA DA BARQUINHA — Há muitos anos que o Tejo não atingia o nível de 9 m,33, que hoje, às 18 horas, registou nesta vila, com tendência para subir ainda mais. Ruas há em que as águas alcançaram três metros de altura, e até a própria rua Barral Felipe, que não costumava inundar-se, desta vez não escapou ao flagelo. Numa rua conhecida pelo nome de “Debaixo do Tejo”, abateu uma casa circundada por um muro e que se encontrava em ruínas. Em barcos de particulares ou fretados pela Câmara Municipal, os bombeiros percorrem, dia e noite, as ruas, a fim de acudirem a qualquer chamada de socorro”.

1941 – 27 de janeiro
(Barquinha) altura hidrométrica 9,39, cota 23,53
Existe a marca de cheia na Quinta da Cardiga
1941 – 24 de janeiro
O Rio Tejo inundou os terrenos até à cota 14,69 em Abrantes. O Correio de Abrantes, a 2 de fevereiro de 1941, refere: O Tejo subiu a pontos julgados inacessíveis, primeiros andares […] O Tejo teve a maior cheia que as gerações atuais tinham visto. Inundou, entre outros, o Rossio, a estação de Abrantes, a estrada do Tramagal, a igreja e cemitério de S. Miguel, Rio de Moinhos, etc. Numa área de 50km2, com mais de 1500 casas que tiveram de ser abandonadas, os prejuízos foram incalculáveis2
SANTARÉM, 21—Os campos do Ribatejo estão, de novo, sob a ameaça de uma enorme cheia, que as estações oficiais, principalmente a Direção dos Serviços Hidráulicos e o Governo Civil, esperam, em consequência das notícias chegadas de Vila Velha de Ródão, onde o Tejo, cujo nível marcava 3m,30, atingiu rapidamente, às 18 horas, 17m,50.
Na CHAMUSCA, o Tejo está também a tomar enorme volume. Nesta cidade (SANTARÉM), a escala de Santa Iria acusou, hoje, grande volume, e é natural que os campos fiquem totalmente inundados ainda hoje. A referida escala registou hoje as seguintes alturas do Tejo: às 3 horas, 4m,36; ás 6, 4m,86; ás 9, 5m,32; ás 12, 5m,62; ás 15, 5m,87; ás 18, 6m,16; e às 21, 6m,40. Os serviços hidráulicos adotaram precauções, montando aturada vigilância nos diques. Os moradores da Tapada estão já avisados do perigo, visto as águas entrarem ali com facilidade, devido ao enorme rombo ali feito num tapadão pela grande cheia do ano findo.
Apesar de se aguardar uma grande enchente, tudo faz supor que ela não atingirá aqui os 8m,17, a máxima altura da maior cheia de que há memória, a do ano findo. Há muitas arvores derrubadas no parque das Portas do Sol, pelo temporal de ontem.
Em TANCOS, ALMEIRIM e ALPIARÇA o nível do Tejo subiu muito e as águas já inundaram os campos marginais. O trânsito entre esta última localidade e Santarém deve ficar hoje interrompido, em consequência do rio continuar a aumentar de volume. (Diário de Notícias – New Bedford, Mass, 11 de fevereiro de 1941)
1941– 15 de fevereiro – O ano do ciclone
Em Alcochete afundaram-se três fragatas carregadas de sal. O fim do ano de 1940 e o começo de 1941 foi assinalado em Santarém por um violento temporal com ventos ciclónicos que derrubaram um poste telefónico que ao cair sobre cabos eléctricos deixou a cidade às escuras. O Rio Tejo inundou os terrenos até à cota 84,09 metros em Vila Velha de Ródão, 34,44 metros em Abrantes, 23,53 metros na Barquinha
e 11,66 metros na Ponte de Santarém. 1
1942 – abril
Durante alguns dias da presente semana (29 de abril) o território português esteve sob grandes chuvas e por vezes violentas trovoadas. Muitos rios extravasaram e inundaram os campos marginais. Cerca de Santarém a cheia ameaça estragar as sementeiras, que já não haverá tempo de repetir. (Jornal “A união Portuguesa de 13 de julho de 1942, pág.2)
1943 – 26 de março
Cota 10,54 metros em Abrantes2
1946 – 2 de março
Cota 10,55 metros em Abrantes2
1947 – 9 de fevereiro
Cheias nos Rios Sorraia e Almansor. Isolou Benavente (09.02). O Tejo invadiu os campos de Santarém. A escala hidrométrica de Santa Iria atingiu 6,10 às 12 horas do dia 9. Em Vila Velha de Ródão, a cheia atingiu a cota 81,68 metros. 1
1947 – 23 de fevereiro e 4/5 de março.
Cotas 12,58 e 13,68 metros em Abrantes. Sobre estas cheias, o Capitão de Artilharia, Elias da Costa, no manuscrito que se encontra no Arquivo Histórico de Abrantes, nos diz: “A cena passa-se no Rossio ao Sul do Tejo, em dia de cheia (4/5 março). Era por toda a parte um mar de água. As notícias de Rodão eram alarmantes e no dia 5, às seis horas da tarde, o Tejo continuava a subir desalmadamente. Muitas famílias estavam bloqueadas nas suas casas, e dumas águas furtadas saíam gritos de angústia e de morte que cortavam o coração. Pediram socorro a Abrantes, que mandou uma turma de bombeiros; requisitaram o auxílio do Comando Militar que mandou tropa da guarnição, uma secção uma motorizada Batalhão de Pontoneiros de Tancos com os respectivos barcos de metal. Depois de muito trabalho; depois de corridos muitos riscos e perigos, os salvadores conseguiram arribar a uma espécie de ilha onde estavam os náufragos empoleirados na cumeeira da casa. E esta pobre gente, que ainda há pouco soltava gritos de terror e aflição, recusava-se agora, teimosamente, a abandonar a sua casa, apesar da inundação já abranger quase todo o telhado, protestando que queria morrer com ela, tornando-se necessário pegar neles e metê-los por força dentro dos salva-vidas”. (do Manuscrito – Abrantes e os Abrantinos do Capitão Elias da Costa – maço 06 pág. 34(69) 2.
Existe a marca de cheia na Quinta da Cardiga
1948 – 30 de janeiro
Cota 10,92 metros em Abrantes2
GOLEGÃ, 27— As águas saíram do leito do Tejo e inundaram as partes mais baixas dos campos. O volume de águas continua a subir, prevendo-se uma cheia. O trânsito está interrompido no sítio da Broa. (Diário de Notícias – New Bedford, Mass, Pág. 4, 17 de fevereiro de 1948)
1951- 14 de março
Cota 10,44 metros em Abrantes2
Existe placa com datação de cheia no cais de Tancos
1952 – 1 de abril
Cota 11,48 metros em Abrantes2
1955 – 17 de dezembro
Significativa cheia do Rio Tejo que atingiu a cota 12,58 em Abrantes. Casas e ruas inundadas, prejuízos materiais2
Existe placa com datação de cheia no cais da Hidráulica (17-12-1955)
1956 – 19 de janeiro e 24 de março
Cota 10,36 e 11,90 metros em Abrantes2
Existe placa com datação de cheia no cais da Hidráulica (19-01-1956)
1959 – 19 de dezembro
Cota 11.96 metros em Abrantes2
1960 – 27 de janeiro e 18 de fevereiro
Cotas de 12,32 e 10,72 em Abrantes2
Há um filme da RTP sobre esta cheia, https://arquivos.rtp.pt/conteudos/cheias-no-distrito-de-santarem-5/
1962- 9 de março
Os moradores das casas situadas na zona ribeirinha de Abrantes foram forçados a abandonar as suas casas inundadas e admitiu-se a hipótese de terem de ser evacuados muitos outros. As inundações provocadas pela cheia do Tejo forçaram também muitos habitantes da zona ribeirinha de Santarém a deixarem as suas moradias, interromperam o trânsito entre a Chamusca e a Golegã, duas das principais localidades do Ribatejo, mantém praticamente isolada Almeirim. Cercam totalmente a aldeia do Reguengo do Alviela e transformam a lezíria num vasto lençol de água. O temporal também assola outras regiões do país. (Diário de Notícias – New Bedford, Mass, Pág. 1, 12 de março de 1962)
1963 – 9 de janeiro
Cota 14,10 escala Rodão e 11,08 metros em Abrantes2

1964 – 20 de fevereiro: Cota 15,85 escala Rodão e 11,57 metros em Abrantes. No Diário de Notícias: “As águas do Tejo diminuíram em Rodão e na Barquinha, mas subiram em Santarém. No Rodão e na Barquinha, as águas estão a descer. No entanto, como só doze horas depois os respetivos efeitos se fazem sentir no vale do Tejo, o nível da cheia continuava a subir, hoje, nos campos à vista de Santarém, que ficaram submersos. Continua interrompida a estrada nacional 365, em Palhais, entre a Ribera de Santarém e Alcanhões e, na ponte do Reguengo, entre Vale de Figueira e o Pombalinho, mantendo-se ultrapassado o dique d’El-Rei. Não chove há 48 horas, prevendo-se, por isso, que situação se normalize dentro de pouco tempo.”
1966 – janeiro
Filme da RTP sobre esta cheia em https://arquivos.rtp.pt/conteudos/cheias-no-ribatejo-7/
1966 – 20 de setembro
Existe placa com datação de cheia no cais da Hidráulica (20-09-1966)
Filme da RTP, onde é visível a Vila de Tancos

1967 – 15 de novembro. Registaram-se valores de precipitação diária mais elevados. Há a registar cerca de 220 mortes no município de Vila Franca de Xira e 462 na região de Lisboa, principalmente de residentes em habitações precárias e próximas do leito do rio. Correspondência diversa relativa aos estragos causados pela cheia (Fonte Torre do Tombo)
Filme da RTP sobre esta cheia em https://arquivos.rtp.pt/conteudos/cheias-no-ribatejo-7/
Prejuízos calculados em 3 milhões de dólares, aos preços daquele tempo.
1966 – 16 de abril
Cota 14,22 escala Rodão e 11,07 metros em Abrantes2
1969 – 14 de março
Escala Rodão 15,50 e 11,86 metros em Abrantes2
(Barquinha) altura hidrométrica 8,70
Filme da RTP sobre esta cheia em https://arquivos.rtp.pt/conteudos/cheias-no-ribatejo/
1970 – 12 de janeiro
Escala Rodão 17,32 e 12,62 metros em Abrantes2
(Barquinha) altura hidrométrica 8,67
1972 – 3 de fevereiro
Escala Rodão 12,10 e 11,02 metros em Abrantes2
Em 1973 há um programa apresentado por Luís Filipe Costa sobre as cheias na região do Ribatejo https://arquivos.rtp.pt/conteudos/cheias-no-ribatejo-4/
1977 – 24 de fevereiro
(Barquinha) altura hidrométrica 7,33, cota 21,42
Filme da RTP sobre esta cheia https://arquivos.rtp.pt/conteudos/cheias-e-falta-de-agua-em-portugal/
1978 – 2 a 5 de março
O momento mais dramático da cheia ocorreu às 3 horas da manhã do dia 3 com uma altura de 9,79 metros na escala hidrométrica de Omnias – Santarém (cota 11,12) estimando-se o caudal em 11.500 m3/s. As zonas mais atingidas foram as povoações de Tapada e Ribeira de Santarém, com campos e casas deteriorados. Superior a esta cheia somente neste século a de 1941 em que a cota na escala da Ponte de Santarém foi de 11,66 metros. As casas não protegidas pelos diques ficaram submersas até ao tecto. Não houve vítimas humanas. 1
1978 – 3 de março
(Barquinha) altura hidrométrica 9,04 – cota 23,13
1978 – 1 e 4 de março
A cheia do Tejo provoca avultados prejuízos em toda a zona ribeirinha do Concelho de Abrantes.
Filme da RTP sobre esta cheia https://arquivos.rtp.pt/conteudos/cheias-no-ribatejo-16/
1979 – 10 a 13 de fevereiro
Duas mil pessoas evacuadas pela maior cheia do Rio Tejo no Século XX. 2 mortos e 115 feridos no vale do Tejo e Santarém. Na região de Lisboa com 30 mortos e mais de 900 desalojados.
Só ultrapassada pela de 1876. Rebentamento dos diques de Valada, do Mouchão do Inglês e dos Vinte.
Afetadas as captações e a estação de bombagem da água destinada a Lisboa dado a destruição do dique de Valada. Seis mil desalojados no Concelho de Abrantes. A Gare dos Caminhos de Ferro ficou completamente alagada, atingindo os dez metros na sala de espera. Colapso no abastecimento de água a Lisboa e cortes na luz. Forças militares e militarizadas foram mobilizadas na sua totalidade. Dez mil pessoas evacuadas, povoações isoladas e gado e culturas perdidos no balanço da catástrofe no dia 13. A Barragem do Fratel debitava 11.042 m3/s (Pico) na madrugada do dia 11. Os desalojados de Valada que seguiam de comboio para Santarém tiveram que nele pernoitar pois a via-férrea estava alagada. O Dique dos Vinte teve cinco rombos, dos quais um de cerca de 100 metros. Autotanques dos bombeiros distribuíram água à população de Lisboa. O Caudal de cheia estimado em Santarém é de 15.000 m3/s. 1
A maior cheia do século. (Barquinha) altura hidrométrica 9,90.

Com cerca de 6000 desalojados no município de Abrantes (Loureiro, 2007).
As areias acabaram com as culturas da época e com as vinhas.
Existe uma marca de cheia da Direcção-Geral dos Recursos e Aproveitamentos Hidráulicos (DGRAH), na Quinta da Cardiga
Filme da RTP sobre esta cheia https://arquivos.rtp.pt/conteudos/cheias-no-ribatejo-3/
1981 – 30 de dezembro
(Barquinha) altura hidrométrica 7,00 – cota 21,09
1983 – 20 de novembro
(Barquinha) altura hidrométrica 6,10 – cota 20,19
Na sequência da publicação da Resolução n.º 2/84, de 4 de janeiro, ficamos a saber que
“As graves cheias ocorridas na região da Grande Lisboa na terceira semana de novembro, para além das causas de origem meteorológica, resultaram fundamentalmente da falta de ordenamento do território da região, provocada porsucessivas alterações introduzidas no normal comportamento das bacias hidrográficas dos vários afluentes do rio Tejo.”
Região de Lisboa 10 mortos, 9 desaparecidos, 610 habitações destruídas. Prejuízos de 18 milhões de contos, a preços da época
1983 – 22 a 26 de dezembro
Pluviosidade obriga a novas descargas nas barragens do Fratel e Castelo do Bode. O Tejo volta a subir e os temporais destruíram a maior parte das sementeiras. No dia 22 Fratel e Castelo do Bode descarregaram caudais da ordem de 5.000 m3/s. As chuvas quase não têm parado desde o dia 13 de novembro. As descargas de Castelo do Bode feriram de morte o Sistema de Abastecimento de Água a Lisboa ficando o abastecimento de água dependente das captações e bombagem de Valada que felizmente não foi afetada por os diques não serem ultrapassados e terem resistido. O caudal de cheia em Almourol (Tejo + Zêzere) foi de 10.082 m3/s e em Santarém estimou-se em aproximadamente 10.900 m3/s. No dia 26 mediu-se diretamente na Estação Hidrométrica de Almourol o caudal de 9.894,2 m3/s, com uma secção de vazão de 3.463,1 m2 e uma velocidade média no perfil de 2,85 m/s. 1
1989 – 26 de dezembro
(Barquinha) altura hidrométrica 8,98 – cota 23,07
As chuvas quase não têm parado desde o dia 13 de novembro …Dia 26 de Dezembro a cheia afetou o Rossio ao Sul, S. Miguel do Rio Torto, Barreiras do Tejo e Alferrarede. A subida e descida das águas foi repentina e causou alguns estragos. Durante algumas semanas Abrantes teve graves problemas na distribuição de água2
Filme da RTP sobre esta cheia https://arquivos.rtp.pt/conteudos/cheias-no-vale-do-tejo/
1996 – 8 e 9 de janeiro
(Almourol) altura hidrométrica 10,06
A cheia atingiu a escala de 11,70 metros em Abrantes2
Filme da RTP sobre esta cheia https://arquivos.rtp.pt/conteudos/cheias-no-vale-do-tejo-2/
1997 – 6 e 7 de novembro
Em consequência de um temporal que assolou o País, ocorreu uma pequena cheia2
2001 – março
Filme da RTP sobre esta cheia https://arquivos.rtp.pt/conteudos/cheias-no-ribatejo-8/
2003 – 3 de janeiro
(Almourol) altura hidrométrica 7,38
2006 – 5 de janeiro
(Almourol) altura hidrométrica 9,67
2006 – 30 de novembro
As águas transpuseram as margens do Rio Tejo2
2010 – 24 de fevereiro
As margens norte e sul do Rio Tejo são alagados. Prejuízos pouco significativos no parque infantil do Aquapólis e passadiço junto à Fonte dos Touros2
Em 2 de março o Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo, acionado no passado dia 22 de fevereiro, mantinha-se no nível de alerta amarelo, recomendando a Proteção Civil cuidado redobrado na condução, sobretudo devido à formação de lençóis de água, evitando as estradas submersas e a supressão das atividades junto às margens do rio.
2013 – 31 de março, 1 e 2 Abril 2013 – “Dez distritos de Portugal continental têm hoje estradas cortadas devido à subida dos caudais de rio e ao deslizamento de terras, isolando as povoações de Reguengo do Alviela e Caneiras, em Santarém … Em Constância, está submerso o parque de estacionamento junto ao rio Zêzere, assim como a estrada do Campo, que circunda a vila e liga a Montalvo, bem como parte da baixa e ainda o parque de campismo. Em Abrantes, está inundada a praia fluvial de Alvega e a Casa de Apoio e a marginal Rossio ao Sul do Tejo está cortada devido a inundação, e em Vila Nova da Barquinha verifica-se a submersão parcial do cais de Tancos. (Diário de Noticias, 1/4/2013). Situação originada pelo aumento das descargas das barragens espanholas. Os caudais em Almourol irão manter-se entre os 1850m3/s e os 2100m3/s. O risco de cheia aumentará por isso nas próximas horas, com principal impacto nas zonas ribeirinhas, com particular destaque para os campos a sul do descarregador do Dique D’El Rei (no concelho de Golegã). Submersão do Cais de Tancos e zona baixa da Barquinha (Comunicado da Autoridade Nacional da Proteção Civil, 22 horas).

2016 – 9 de maio – Registo de prejuízos provocados por cheias fora de tempo. Estas derivam de questões meramente economicistas por parte das hidroelétricas, portuguesas e espanholas, impõe-se um debate sério sobre estas cheias fora de tempo e a questão da gestão dos caudais do Tejo. Importa, de uma vez por todas, quantificar um regime de caudais ecológicos, diários, semanais e mensais, refletidos nos Planos da Bacia Hidrológica do Tejo, em Espanha e em Portugal, e na Convenção de Albufeira, bem como a execução de ações concretas para repor o sistema fluvial natural e o seu ambiente. O Tejo galgou as margens …
2019 – 20 de dezembro. Inundações em consequência da tempestade Elsa. A rede elétrica nacional foi fortemente afetada, deixando várias localidades sem energia. Danos na margem direita da ribeira de Tancos, junto ao cais, em consequência da depressão. Uma plataforma do cais de Almourol foi pelo Tejo abaixo.
Bibliografia
1 LOUREIRO, João Mimoso, “Rio Tejo –As Grandes Cheias – 1800-2007”, coleção Tágides, ed. ARH do Tejo, Lisboa 2009
2 VIEIRA, José Manuel d’Oliveira, Cronologia das Cheias do Rio Tejo (1550/2010).
Fontes:
Arquivo da RTP. Diário de Notícias – New Bedford. lllustração Portugueza. Jornal, A Capital. ANPC. Diário Illustrado. Direcção-Geral dos Recursos e Aproveitamentos Hidráulicos. Torre do Tombo. Jornal O Século.
