A tradição não é mesmo a que era. Longe vão os tempos dos Reis, monarcas a sério. Das poses majestáticas, soberanas, gordas e anafadas. Do Rei Sol, que encadeava até os mais protegidos. Do lendário Rei Artur, o tal das Brumas de Avalon. Ou até mesmo do nosso D. Carlos, caçador e mulherengo inveterado que, ao que dizem, era pago pela mesma moeda por uma majestática Rainha que apreciava lhe gabassem os dotes.
Aquela magistral pintura de Carlos Reis, do Rei e seu Estado Maior, diz bem do que seria a pose de um rei superior. Aquilo sim, era de uma imponência verdadeiramente real. Alguém duvidava que aquele era, sem a mínima dúvida, o máximo Rei? Por muito que se gritasse “o Rei vai nu”, mesmo que despido de vestes, só a tiro o poderiam abalar. Como acabaria por acontecer.
E Baltazar, Gaspar e Melchior? Mesmo seguindo a estrela e figurando no presépio, não brincavam em serviço. Fosse pela montada, fosse pelas ofertas, demonstravam ali a sua altivez. Com ouro, incenso e mirra, calariam a boca aos mais cépticos e fariam corar os velhos pastores que mais não tinham para oferecer ao Menino, que os mais tenros cordeiros dos seus rebanhos.
Agora? Agora tudo mudou. Que me desculpem as gentes doutrora, mas a realeza de hoje é assim como os iogurtes. Existe para todos os gostos. Com aromas, pasteurizados e bífidus. Com mais ou menos calorias. Podem ser mais cool, mais exóticos, mais arrojados até. Mas falta-lhes a pose. Se fossem fotografados por um Bobone, um Biel ou por um Carlos Relvas, eram rejeitados na primeira sessão de estúdio. Ser Rei é ter pose. Também. E os Reis da Bélgica, Países Baixos ou da Suécia, do Liechtenstein ou do Luxemburgo, e mesmo a Rainha Margarida da Dinamarca ou Filipe VI de Espanha, poderão ter quase tudo, mas ficarão a anos luz dos seus anafados antepassados.
Como diria Shakespeare no Rei Lear, “não deverias ficar velho antes de ficar sábio…”.
Talvez por isso, a única sobrevivente verdadeiramente Real, Sua Majestade a Rainha de Inglaterra, mantenha apesar de tudo, os elevados níveis de popularidade, admiração e respeito. Mesmo dos que dela discordam. God save the Queen!
De resto, não nos restam senão uma dúzia de Reis Mag(r)os, perdidos nos presépios dourados duma Europa republicana, cada vez mais caduca e sem estrela à vista.

Fantástico!!!
Adorei e levo. Mas, lá vêm os ‘meus mas’, no presépio lá na casa da nossa Mãe-Pai, continuaram à tua espera os Reis Magos, os Pastores, as ovelhas, se calhar alguma tresmalhada (euzinha da Silva, ‘salva seja’, que me vem à memória um dos que quero esquecer, o tal Cavaco), a vaquinha, o burro, Maria, José e o Menino, já com alguns danos, pelas voltas que a vida dá. Esperaram por ti e voltaram ontem para a caixinha onde vieram.Uma singela caixa de cartão rústico, onde me ofereceram(este) um prato da colecção de Natal da Vista Alegre. Jesus, o Menino, quanto a mim, e vale o que vale, foi um Homem muito à frente no seu tempo, que ousou incomodar os poderes instalados.
Abraço, Mano Maior!
Beijo grande, Mana!