Tenho para mim que quando se faz menos do que é preciso regride-se; quando se faz o que é preciso mantém-se; e quando se faz mais do que é preciso evolui-se. Com os palermas conheci uma nova realidade. Ou seja, intencionalmente fazem mais do que é preciso para regredir.

Quando era miúdo via aqueles filmes ou séries de desenhos animados onde há heróis que combatem os vilões porque o objetivo destes últimos é provocar o mal. Na minha inocência achava isto inverosímil. Afinal, qual seria a razão de haver alguém tão perverso a querer provocar o mal sem motivo aparente? Hoje sei que há vilões na vida real, gente que apenas quer provocar o mal por mera diversão. Ou seja, os palermas.

Existem vários tipos de palermas, mas existe uma característica comum entre todos, que é o facto de se regozijarem com o sofrimento alheio. Creio que um palerma é uma pessoa que se encontra na “lama”, quanto mais não seja em termos psicológicos. E o que distingue um palerma de uma pessoa honrada é que a pessoa honrada faz por sair da “lama”, a par que o palerma tenta arrastar os outros para a “lama”, para não se sentir sozinho. Lá está, um palerma até pode estar na fossa mas se estiver acompanhado… menos mal.

Com as redes sociais, os palermas apareceram em massa. Outrora um palerma, para praticar a sua atividade, teria de o fazer cara a caram sendo que desta maneira corria o risco de sofrer consequências imediatas. Agora já pode ficar confortável atrás do computador ou de um smartphone sem que, aparentemente, corra esse risco. Não tardou até que as redes sociais lhes atribuíssem um nome: os “haters” (odiosos). Quando se vai ler um qualquer post de determinada notícia e caso percamos tempo a ler os comentários, lá estará sempre uma meia dúzia, cobertos de fel.

Este tema acaba por ser preocupante porque, de facto, o palerma só acerta um palpite se algo de mal acontecer, e como andam sempre a “disparar”, quando algo de errado está acontecer e alguém honroso faz a sua denúncia, é confundido com um palerma e a denúncia não tem o impacto que deveria ter. Então, quem está a fazer mal continua com a sua atividade, impávido e sereno, porque as vozes que se levantam contra são tomadas como sendo provenientes de palermas.

Outro factor que chega ao ponto do dramático é o numero de palermas. É notório que cada vez há mais, como se de um vírus se tratasse, parece até que existe um campeonato da palermice cujo o prémio ascende aos valores apresentados pelo Euromilhões. Um caso que acaba por ser flagrante é, por exemplo, uma determinada pessoa preferir que o clube rival perca do que o clube que apoia ganhe, só para que tenha a oportunidade de atacar os simpatizantes dos clubes rivais. E quando os clubes rivais ganham vale tudo: manipulação de imagens, calúnias, suposições, enfim, todo o ínfimo detalhe conta.

Às pessoas honrosas que fazem o seu trabalho, que fazem pela sua vida e dos seus, que desenvolvem atividades não-renumeradas em prol do bem-estar da comunidade e que, mesmo assim, sofrem ataques de palermas, não se esqueçam que um palerma acaba por ser um invejoso. E um invejoso não quer o que vocês têm, o invejoso quer é que vocês não tenham nada.

Fernando Duarte

Engenheiro Civil, de 32 anos, teve como tantos outros, de sair do país para conseguir exercer a sua profissão. Com raízes em Alvega, tem enorme gosto em conhecer novos sítios e novas culturas, custa-lhe é lá permanecer.

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