Os incêndios registados no concelho de Ourém nos meses de julho e agosto resultaram numa área de 5,16 mil hectares ardidos e prejuízos na ordem dos seis milhões de euros. Os números foram apresentados pelo presidente da Câmara na reunião do executivo de 5 de setembro, na qual Luís Albuquerque deu conta da visita do ministro da Administração Interna ao concelho, a quem revelou os números negros dos prejuízos.
Durante a visita do membro do Governo, o autarca apresentou um “resumo ainda que provisório” de todos os prejuízos causados pelos incêndios. O relatório completo vai ser entregue à CCDR (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional) para que analise e proponha ao Governo os apoios para mitigar os prejuízos.
Os números apresentados não incluem os prejuízos na floresta nem na agricultura, dados que são contabilizados à parte, ressalva Luís Albuquerque. Incluem sim os prejuízos em indústria, primeiras e segundas habitações, anexos, barracões agrícolas e animais.
Pelas contas do Município, o valor apurado ronda os 5 milhões e 900 mil euros, distribuídos pelas diversas freguesias, sendo que o valor mais alto se deve a um pavilhão e um aviário, na freguesia de Urqueira, que ardeu e que representa cerca de 4 milhões de euros relativo a animais mortos e às instalações.
Além daquela Freguesia, as chamas atingiram mais sete: UF Freixianda, Ribeira do Fárrio e Formigais, Espite, UF Gondemaria e Olival, UF Rio de Couros e Casal dos Bernardos, Matas e Cercal, Seiça e Caxarias.
O perímetro total da área ardida foi de 7,6 mil hectares, dentro do qual arderam 5,16 mil hectares, uma vez que houve zonas no interior que não foram afetadas pelas chamas.
Até ao momento (dia 5) foram cerca de 90 as ignições registadas, o que levou o autarca de Ourém a falar em “ato terrorista”.
Além da grande área ardida, tratores, anexos, barracões, dos incêndios resultou a destruição de duas casas de primeira habitação, uma na UF Freixianda, Ribeira do Fárrio e Formigais e outra na UF Gondemaria e Olival.
Luís Albuquerque realça que a equipa psicossocial “esteve sempre no terreno, foi acompanhando os diversos incêndios e dando o apoio necessário”. Houve a necessidade de evacuar 170 pessoas, das quais 93 ficaram acolhidas temporariamente nas unidades que o município colocou à disposição da Proteção Civil para acolhimento, 19 em IPPS e 58 em casas de familiares ou amigos.
Daquelas 93 pessoas acolhidas, 51 pernoitaram pelo menos uma noite nas unidades de acolhimento até que o regresso às suas habitações fosse processado em segurança.
Em termos de logística, o presidente da Câmara revelou que foram servidos 4390 pequenos almoços, 43.65 almoços, 3.830 reforços numa primeira fase, 7.237 jantares e mais 6.395 reforços alimentares, destinados a bombeiros, outros elementos da Proteção Civil, militares da GNR e do Exército, e elementos do ICNF e do INEM que estiveram a trabalhar no terreno.
A expectativa da autarquia é que o Governo possa tomar uma resolução de apoio de modo a ressarcir se não for a totalidade pelo menos uma parte dos prejuízos identificados. No entanto, Luís Albuquerque revela são saber para já prazos ou valores.
O relatório dos prejuízos vai ser apreciado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento, entidade que irá emitir um parecer ao Governo, de forma a que o Ministério da Coesão Territorial possa definir montantes de apoio.
Confrontado com o pedido de declaração de estado de calamidade pelo presidente da Câmara, o Ministro José Luís Carneiro, na visita que fez ao concelho, explicou que o “estado de calamidade tem determinado tipo de características para poder ser acionado”.
Luís Albuquerque explicou esta semana que o Município não será abrangido pela declaração de Estado de Calamidade, mas enquadra-se nos critérios definidos pelo Governo para receber apoio para a reconstrução dos prejuízos dos incêndios.
Na reunião de Câmara, a vereadora da oposição, Cília Seixo (PS) defende que “muita coisa pode ser feita à priori para mitigar as consequências destes incêndios”. Congratulou-se pela visita do Ministro mas lamentou que “os cenários mais temíveis tenham acontecido” e que seja necessário adotar o aforismo “casa arrombada trancas à porta”.


