Há uma personalização de toda a informação que começa, confesso…, a incomodar-me seriamente. Não por ser novidade (de fulanização falava António Sérgio), mas por me parecer excessiva e reflectir uma intoxicação ideológica que coloca o colectivo, as ideias que se debatem, as políticas que se seguem, num plano despiciendo.
Nós, Portugal, somos o cantinho europeu que espera um D. Sebastião, que identifica figuras históricas, que mitifica vencedores, que glorifica empresários, ignorando os marinheiros, os soldados, os trabalhadores, o povo. Queremos ter o melhor do mundo disto ou daquilo, mas não sabemos ser (ou não nos reconhecemos) os melhores nesta ou naquela actividade. Damos a nomes individuais o respeito que alguns estão longe de merecer, merecimento que não damos às equipas, aos conjuntos, ao que possa resultar de discussão e acordo que respeite as diferenças.
Querem um exemplo, ou o exemplo que me está a fazer resmungar? Estava farto de ouvir o endeusamentos dos nomes de Cristiano e de Mourinho, “o melhor do mundo” e o “special one”, mas nem um nem outro seriam o que me merece admiração pelo profissionalismo se não fizessem parte de uma(s) equipa(s). E agora que um deles não me sai de casa e do computador e do televisor porque a equipa estava a ter maus resultados parece que grande problema é… ele, ao que se diz porque teve a equipa contra ele.
Esta abordagem des-solidária dos colectivos, subjugada aos indivíduos fora dos contextos sociais terá, inevitavelmente, um fim. Mau!, e necessariamente sanável quando recuperar o seu lugar a força de ver os outros, os de ontem e os coevos, como iguais (e diferentes de cada um de nós.
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Na semana passada acabei a croniqueta a escrever sobre o Conselho de Estado. Numa aparente acalmia da tensão provocada pela mudança de eixos sobre que gira a política – de um “arco de governação” centro-direita para um parlamento em que a direita perdeu peso que a esquerda ganhou; de um centro-direita para um centro-esquerda com apoio parlamentar –, a eleição de 5 membros do Conselho de Estado foi um sinal. Se a escolha desses 5 fosse por utilização directa do método de Hondt, teria tido o resultado de 3 indicados pelo PSD e 2 pelo PS. O mesmo método, aplicado a listas em que se configuraram (votaram) o centro-esquerda e a direita o resultado foi 1 do PCP, 1 do BE, 1 do PS, 2 do PSD.
Nem terá grande efeito prático, dada a natureza (e a utilização) do órgão, apenas consultivo, mas é um sinal. Aliás, o PS tem os lugares de inerência do presidente da AdaR e do primeiro-ministro que eram do PSD, passando a ter 4 explicitamente partidários (com o da Região dos Açores), em confronto com os 3 do PSD (os dois eleitos na AdaR mais o da Região da Madeira, assim perdendo 3 dos 6 de que dispunha). E falta saber quem serão os 5 escolhidos pelo próximo PdaR. Aqui ficam umas contas para esclarecer e entreter.

