Parece que um soldado israelita ficou ligeiramente ferido nos conflitos na Faixa de Gaza enquanto mais de 50 palestinianos morreram.

Pois foi, mais os palestinianos é que se metem na linha de fogo. Foram manifestar-se para um sítio perigoso. Assumiram o risco.

Eles só estão a lutar por aquilo em que acreditam.

A estratégia deles é mandarem pedras e objetos incendiários para além da vala de segurança, tentando atingir os militares israelitas. Claro que têm que ter resposta.

Resposta é disparar contra pedras?

É o que tiver que ser. Trata-se de uma guerra.

Matar gente indefesa é uma guerra estranha…

Eles que não mandem para a linha da frente as mulheres e as crianças! São fanáticos e pagam por isso.

Já te imaginaste a ser tirada da tua casa?

Não, mas o Hamas também não brinca em serviço. A própria ONU diz que esta “tragédia sem justificação” é da responsabilidade dos palestinianos. Supostamente, os operacionais do Hamas estão infiltrados no meio dos manifestantes, a lançar bombas, e a colocar em perigo os manifestantes do seu próprio lado.

Se pensares a um nível muito mais pequeno, se ouvires os argumentos de um casal que se está a separar, és capaz de dar razão aos dois. É sempre tudo uma questão de perspetiva. Cada um deles valoriza certas coisas. Ser protagonista de um conflito significa, necessariamente, ter uma visão parcial. Ser apoiante de uma das partes, tolda a visão.

Os israelitas e os palestinianos nunca vão mudar a sua forma de ver o conflito. Não há abertura de parte a parte para tentar compreender o outro. E não há forças internacionais suficientemente capazes de mediar o conflito.

Numa série inglesa sobre uma escola ‘mista’, com os nativos da Bretanha e os filhos de paquistaneses, a solução passou pelo desporto e pelo relacionamento entre rapazes e raparigas. Misturaram os rapazes em equipas de râguebi e a vontade de vencer foi mais forte do que as questões culturais ou religiosas. E quando as hormonas começaram as saltos, ninguém quer saber qual é a cor do outro.

Isso é muito lindo, mas é ficção. Em Jerusalém isso só seria possível se tirasses as crianças todas a uns e a outros e as colocasses a crescer num sítio neutro, sem influências de uns nem de outros. Tábua rasa, desprovidos de raízes.

Isso é uma ideia perfeitamente idiota.

E achas que tirar os filhos dos fanáticos do futebol para longe daqui, para crescerem fora dos exemplos que todos os dias veem, também é uma ideia idiota?

Não, isso já não acho! Acho que isso era serviço público, para limpar de vez este tipo de atitudes.

Entre isso e as teorias da purificação das raças, a diferença não é muita.

Verdade, mas quando a raça está tão conspurcada – e por razões que não têm a ver nem com a Religião, nem com a Cultura, nem com a História – eu assumo que sou extremista. Acabar com eles de vez! Se tiram crianças a famílias que não têm posses em vez de as ajudarem, que tirem também as crianças das famílias que têm gente que perturba a paz pública por causa da bola.

O problema é que a bola vale milhões e os milhões cegam mais do que a Religião…

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

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