Na vida dizem que temos de plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho.

Plantei centenas de árvores, tenho um livro na gaveta e não tive filhos…que eu saiba.

Mas fiz muitas coisas mais. Quando somos criativos temos ideias e as pomos a funcionar, umas vezes com sucesso, outras vezes nem por isso. Criativa é aquela pessoa que idealiza algo: um projecto, um quadro, uma sinfonia…e depois a desenvolve, limpa, organiza e VOILÀ: algo que antes não existia agora vive, existe.

Antes de Picasso não havia cubismo e antes de Dali não existia o surrealismo (como o conhecemos), Caravaggio criou as luzes e as sombras que antes ninguém pintou e Leonardo inventou o esfumato e podíamos continuar, que de criativos tivemos muitos e ainda há muitos…às vezes na gaveta.

Mas como disse antes, apesar de eu ser um criativo, não tive filhos e isto não me incomoda porque tenho a oportunidade de dizer que tenho filhos…de arte, e isto me faz feliz.

No ano de 1996 comecei aos poucos a dar aulas de pintura com o apoio do município e da Associação Palha de Abrantes (a quem ainda agradeço muito pela confiança) e foi ampliando o programa e a área de trabalho e hoje num jornal local desta semana tive o prazer de ver que uma minha ideia, como um filho que criei, continua a crescer e dar frutos. Em Mação, uma escola de pintura que deu muito trabalho a implementar está em exposição na galeria Municipal com obras dos alunos que continuam a desenvolver o desenho e a pintura, e o coordenador foi meu aluno por 10 anos aqui em Abrantes.

Na Sertã mais uma aluna continua a desenvolver outra escola de pintura e um meu ex-assistente na Marinha Grande e Ourém faz o mesmo. Mais ainda, há outra ex-aluna que pinta e dá aulas de pintura até em Andorra…e, naturalmente, isto me faz ainda mais feliz.

Sim, não tive filhos, mas algo de mim continua a crescer no Médio Tejo e espero vivamente que possa continuar porque ainda há muita estrada a fazer e estes “filhos” devem crescer e dar mais, melhor, serem mais produtivos e CRIATIVOS. Agora não basta continuar o que foi feito, devem inventar, formar novas ideias e novos conceitos, porque a nossa sociedade está mudando rapidamente e as pessoas continuamente estão a pedir algo mais.

E eu fico a olhar e a alegrar-me com isto, mas não com as mãos nos bolsos.

Criativo não descansa.

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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