Os cuidados de saúde primários são a base do nosso Serviço Nacional de Saúde e deviam ser quase sempre a primeira resposta às necessidades das pessoas. Infelizmente, nem a cobertura existente é a ideal nem as nossas populações têm o hábito de olhar para os cuidados de saúde primários como a primeira resposta aos seus problemas. É um caminho que se faz caminhando, é necessária mais educação para a saúde e maior cobertura nos nossos concelhos.
É consensual entre os agentes do sector da saúde que a escassez de médicos nos nossos centros de saúde, e apesar da saída para o privado de muitos clínicos, estará bastante atenuada no médio prazo graças ao aumento do número de vagas para a formação de médicos em Portugal.
Urge, no entanto, encontrar condições para atenuar no imediato as falhas existentes nos vários concelhos da região do Médio Tejo que apesar do notável esforço dos responsáveis pelo ACES do Médio Tejo e dos autarcas da região, ainda muito há por conquistar.
Apesar de todas as dificuldades, a situação tem vindo a melhorar e se no início de 2014 o Médio Tejo tinha cerca de 40.500 utentes sem médico de família agora tem cerca de 30.000.
Segundo os dados publicados pelo Agrupamento de Centros de Saúde do Médio Tejo a situação ao nível da cobertura de “médicos de família” entre os vários concelhos é bastante desequilibrada, fruto de várias circunstâncias entre as quais a reforma de médicos, morte, doença, mudança para o sector privado ou porque decidiram seguir a sua carreira noutro concelho ou noutra especialidade.
Os concelhos em maior dificuldade são neste momento o Sardoal, onde 52% dos utentes não têm médico de família, Abrantes, com 41 %, Torres Novas com 31% e Ourém com 29%. Se a situação em Abrantes é aliviada pela recente abertura de uma nova Unidade de Saúde Familiar, que é um modelo de sucesso evidente, ao que se acrescenta o reforço anunciado do número horas contratadas com novos médicos, sem esquecer a existência de uma unidade hospitalar, os outros três concelhos carecem de medidas imediatas.
Os Deputados do PSD já por diversas vezes apresentaram propostas para facilitar a resolução destes problemas como foi exemplo a criação de incentivos ao regresso ao ativo, e de forma temporária, de médicos reformados. Num passado recente foi possível atrair para a região médicos portugueses e estrangeiros, mas a oferta continua a ser escassa.
Após um período de forte austeridade e ultrapassada a fase mais difícil da crise económica, é hoje possível reforçar os incentivos aos médicos para trabalharem no interior do país. O PSD apresentou esta semana um conjunto de sugestões ao Ministro da Saúde no sentido de autorizar a contratação direta de médicos através de contratos de prestação de serviços com os clínicos em causa, evitando assim o recurso a empresas de trabalho temporário. Desta forma é mais fácil escolher os médicos mais dedicados e empenhados para resolver as fragilidades existentes em alguns concelhos do país.
No caso específico do concelho do Sardoal, os Deputados do PSD defenderam uma proposta já apresentada pelo Presidente da Câmara Municipal, Miguel Borges, no sentido de criar uma nova Unidade de Saúde Familiar que sirva o concelho do Sardoal e algumas freguesias do concelho de Abrantes. Com este modelo era possível resolver o problema de dois concelhos com uma única unidade, ganhando eficiência, utilidade e várias economias de escala. É uma solução que agrada às populações de ambos os concelhos, é mais viável do ponto de vista económico e sobretudo mais atrativa para os médicos. Esperemos que assim seja.

