Cumprindo uma tradição que resistiu ao tempo, o povo de Ortiga voltou a transformar as fontes da aldeia em verdadeiras obras de arte na passagem de 30 de abril para 1 de maio. O evento envolve a comunidade num esforço coletivo de preservação cultural.
O trabalho decorativo, realizado durante a noite, resultou num percurso de cerca de oito quilómetros que convida residentes e visitantes a descobrir nove locais emblemáticos, desde a histórica Fonte Velha (datada de 1639) até à zona da Estação e Monte Novo.
Embora as origens se percam na tradição oral, reza a lenda que a prática começou com rapazes que “roubavam” vasos das casas das raparigas de quem gostavam para decorar a Fonte Velha, usando o momento matinal da recolha de água para “meter conversa”.




Hoje, a tradição evoluiu. “Agora cada um ornamenta a sua fonte e acho que foi melhor do que andar a roubar vasos”, sublinhou Rui Dias, presidente da Junta de Freguesia de Ortiga. Além dos tradicionais vasos namoradeiros, que ainda persistem na fonte mais antiga, as decorações incluem agora desenhos no chão e motivos alusivos à história e identidade da terra.


A preparação envolve desde a apanha de flores do campo e corte de mato até ao trabalho minucioso das mulheres da freguesia, que Rui Dias destaca pelo gosto em “criar flores para este dia”.
A autarquia local colabora com a limpeza e pintura prévia dos espaços, deixando a criatividade inteiramente nas mãos dos moradores de cada bairro.
Através de uma publicação oficial, a Junta de Freguesia de Ortiga expressou o seu agradecimento: “É com verdadeiro espírito de equipa e camaradagem que se conseguem estas genuínas obras de arte”, reforçando o alcance que este evento já regista ao atrair visitas “um pouco de toda a parte”.




