Mais um crime que chocou a humanidade. Em Orlando, Estados Unidos da América, um homem matou 50 pessoas e feriu 53, naquele que já é considerado o maior massacre feito por um homem só nos EUA.

Há vários indicadores da ligação deste homem ao Estado Islâmico, mas este ataque tinha como objetivo atingir homossexuais e lésbicas. Tratou-se de um crime de ódio. Ódio baseado na orientação sexual das pessoas atingidas. Tem nome: chama-se homofobia e mata.

Muitas vezes somos levados a menorizar certo tipo de atitudes, certas discriminações… Dizem-nos, muitas vezes com uma frequência que preocupa: “as pessoas não compreendem”, “as pessoas não estão preparadas”, “os sentimentos de cada um ou cada uma devem ficar para si”. E depois, de repente, vemos o horror, a morte, só porque “alguém que não compreende” vai até onde só o ódio permite ir.

Este crime não pode passar impune, assim como todas as ideias, erradas e preconceituosas, que estão na sua base e todos os dias alimentam uma cadeia de ódio que faz com que homossexuais e lésbicas sejam discriminados, humilhados e maltratados.

Juntou-se, neste caso, outro motivo: a facilidade de acesso às armas que existe nos Estados Unidos da América. Todas as tentativas de vários sectores da sociedade americana para travarem o acesso legal às armas têm sido infrutíferas face ao todo poderoso lobby do armamento. Este país, tão sofrido com os mais variados ataques internos em escolas, centros comerciais, discotecas, é incapaz de proibir a venda legal de armas.

O ódio, ou melhor, os ódios, com uma arma sempre disponível, só podem resultar em desgraça. O povo de Orlando está de luto, o Mundo está de luto. O respeito, a liberdade e a igualdade são as nossas armas. E só elas podem vencer o ódio.

Helena Pinto vive na Meia Via, no concelho de Torres Novas. Nasceu em 1959 e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda, de 2005 a 2015. Foi vereadora na Câmara de Torres Novas entre 2013 e 2021. Integrou a Comissão Independente para a Descentralização (2018-2019) criada pela Lei 58/2018 e nomeada pelo Presidente da Assembleia da República. Fundadora e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Feministas em Movimento. Escreve quinzenalmente no mediotejo.net

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