Foco de poluição no rio Ocreza. Fotografias: proTEJO

Unidas num apelo para “libertar o rio Ocreza da extrema poluição provocada pela agricultura intensiva”, quatro organizações ambientalistas assinaram em conjunto uma “carta aberta” ao ministro do Ambiente e Ação Climática, Duarte Cordeiro, esta terça-feira, 26 de julho.

“O proTEJO – Movimento pelo Tejo, a Associação para o Desenvolvimento de Sobral Fernando (ADSF), o MAE – Movimento de Ação Ecológica e a Plataforma de Defesa da Albufeira de Santa Águeda / Marateca (PDASA) vêm apelar para a urgência de uma intervenção de V. Exa. para efetivar uma ação que ponha termo à poluição no rio Ocreza, que mais uma vez se extremamente poluído neste mês de julho, com um nível de eutrofização e bloom de algas significativo, episódio que se repete ano após ano, e que já denunciámos no mês de agosto do ano passado”, começam por escrever.

Esta situação “ocorre após as descargas de água da barragem da Marateca (ou Albufeira de Santa Águeda) e, tal como no ano passado, foi reportado ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente – GNR e à Agência Portuguesa do Ambiente, Município de Proença-a-Nova, Vila Velha de Ródão e Castelo Branco”.

Estas organizações denunciam que “sempre que ocorre uma descarga da barragem da Marateca, a água fica verde, cheira mal, apresenta uma grande concentração de espuma, com zonas azuladas, cheiro fétido e borras pretas ao cimo da água, sugestivo da presença de cianobactérias”.

As entidades “alegam que a enorme descarga que efetuam na barragem da Marateca pretende manter o caudal ecológico, mas esta ocorre apenas num único momento e não com um caudal contínuo e permanente, estranhando-se esta descarga abrupta no atual ano de seca generalizada que atravessamos”.

Em maio deste ano, a Plataforma de Defesa da Albufeira de Santa Águeda / Marateca (PDASA) denunciou e apresentou diversas queixas-crime ao Ministério Público, “por evidentes crimes ambientais que afetam a albufeira de Santa Águeda / Marateca, cujos impactos ecológicos, mais evidentes ao nível da poluição, provocaram uma mortandade de peixes e de algumas aves”.

Esta Plataforma considera que “a Agência Portuguesa do Ambiente não agiu de forma consequente”, por não ter tido em consideração “as características desta albufeira como abastecedora de água a dezenas de milhares de pessoas e os riscos que tem a obrigação de reduzir ao mínimo”; por “ter permitido o abate de árvores autóctones”, não impondo agora “a reposição da situação”; por permitir “o uso de pesticidas em vez de exigir um cerejal de cultura biológica”; por não procurar “influenciar a iniciativa empresarial orientando-a para terras afastadas da zona de proteção da albufeira.”

Considerando que “a poluição da albufeira de Santa Águeda / Marateca e a descarga abrupta da barragem da Marateca está a prejudicar, ano após ano, o estado ecológico do rio Ocreza a jusante e a impedir o seu uso pelas populações ribeirinhas”, estas organizações pedem ao ministro do Ambiente e Ação Climática que “haja em prol da reabilitação da albufeira de Santa Águeda / Marateca”, para a qual popõem “a plantação de carvalhos e de outras árvores autóctones nos locais em que foram abatidas; a remoção do cerejal; a abertura dos acessos (antigos) ao plano de água que foram vedados e de acessos especiais a emergências de proteção civil; a prestação de informação pública sobre o que se pode fazer e não fazer, e onde, na zona reservada de 50 metros à volta da albufeira e no plano de água; a execução de intervenções na zona reservada que possibilitem o pleno usufruto da albufeira com atividades desportivas e de lazer autorizadas; a revisão do plano de ordenamento que, segundo o Plano de Ordenamento da Albufeira, devia ter sido efetuado em 2015”.

Vale do Ocreza, Mação. Foto: mediotejo.net

No final, deixam uma pergunta: “O senhor Ministro do Ambiente e Ação Climática não concorda que é uma vergonha ter estes níveis de poluição no vale do rio Ocreza, que apresenta uma envolvente paisagística espetacular, que abriga espécies em vias de extinção, como é o caso da cegonha preta, lagarto de cabeça azul, águia de boneli, bufo real, classificado como geoparque Naturtejo onde se integra o geomonumento do Vale do Almourão, e onde passa o rio Ocreza poluído, prejudicando a afluência de turistas?”

Patrícia Fonseca

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.