O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, considera ser “bom sinal” o fim do uso obrigatório de máscaras em estabelecimentos de saúde ou de apoio a idosos, em relação à evolução da pandemia de covid-19, tendo feito notar, no entanto, que as máscaras e a higienização das mãos continuam a ser um utensílio importante para a prevenção, nomeadamente das pessoas mais fragilizadas.
Carlos Cortes, que falava à comunicação social em Abrantes, à margem de uma visita ao hospital de Abrantes e ao lar da Misericórdia, pede à Direção-Geral de Saúde que “regulamente muito bem” os procedimentos que os profissionais de saúde devem seguir, tendo em conta doentes mais frágeis, como problemas respiratórios, e defendeu a prevenção.
As pandemias fazem parte das nossas vidas, notou o bastonário, tendo afirmado que os vírus vão continuar a fazer parte das nossa vidas e que o Ministério da Saúde aprendeu muito pouco com a pandemia de covid-19, tendo em conta a falta de respostas na prevenção de situações semelhantes. “Pode voltar a acontecer amanhã, ou no próximo ano. Temos de estar permanentemente preparados”, defendeu.
ÁUDIO | CARLOS CORTES, BASTONÁRIO DA ORDEM DOS MÉDICOS:
O uso de máscaras em estabelecimentos de saúde ou de apoio a idosos deixa de ser obrigatório, segundo um decreto-lei aprovado a 6 de abril pelo Governo.
Na apresentação das conclusões da reunião do Conselho de Ministros, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, anunciou naquele dia que foi aprovado o decreto-lei que determina o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras nos estabelecimentos e serviços de saúde, que tinha sido imposto na sequência da pandemia de covid-19.
A ministra adiantou que deixa também de ser obrigatório o uso de máscara nas estruturas residenciais, de acolhimento, ou serviços de apoio domiciliário a populações vulneráveis, pessoas idosas ou pessoas com deficiência.
O mesmo acontece nas unidades da rede nacional de cuidados continuados, onde a obrigatoriedade do uso da máscara ainda existia.
O Ministério da Saúde indicou, por seu turno, que se mantém a recomendação de uso de máscaras, principalmente em ambientes fechados ou aglomerações, por pessoas vulneráveis, como as que têm doenças crónicas ou se encontram em situação de imunidade reduzida, com risco acrescido para a covid-19.
“A utilização de máscara deve ser adaptada à situação clínica individual, nomeadamente, às situações de perturbação do desenvolvimento ou do comportamento, insuficiência respiratória ou outras patologias, mediante avaliação caso-a-caso pelo médico assistente”, adianta a nota do ministério.
Ministro da Saúde diz ser “boa notícia” fim das máscaras obrigatórias
O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, considerou “uma boa notícia” o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em estabelecimentos de saúde ou de apoio a idosos, graças a um decreto-lei aprovado pelo Governo.
“É evidentemente uma boa notícia. Significa que nós fomos sendo muito cuidadosos no aliviar das medidas, desde que, no outono passado, terminámos com o estado de alerta”, afirmou Manuel Pizarro aos jornalistas.
Segundo o ministro, que falava à margem de uma visita às obras do novo Hospital Central do Alentejo, em construção na periferia de Évora, esta medida do fim do uso das máscaras só é possível devido às medidas tomadas anteriormente, ao trabalho dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e à adesão dos portugueses à vacinação contra a covid-19.
“Fomos medindo o impacto dessa decisão [de as máscaras deixarem de ser obrigatórias] e estamos hoje muito seguros do ponto de vista técnico que podemos terminar com esta obrigatoriedade”, nomeadamente “nas estruturas de saúde, nos lares residenciais para pessoas idosas e na rede de cuidados continuados”.
O governante que tutela a pasta da Saúde foi também questionado sobre quando entrará em vigor esta medida relativa às máscaras.
“A partir do momento em que o diploma seja publicado. O diploma agora precisa de ser promulgado pelo senhor Presidente da República e, depois, publicado, para fazer força de lei”, explicou.
Apesar do decreto-lei agora aprovado pelo Governo, Manuel Pizarro alertou para as lições aprendidas com a covid-19 e alertou que é preciso que “todos” tenham aprendido o que fazer quando estão doentes.
“Cada um de nós, quando estiver doente com uma doença respiratória, covid ou outra doença respiratória, deve usar máscara para se proteger e, sobretudo, para proteger os outros”, avisou.
E, além disso, “haverá sempre espaços onde, de forma transitória ou permanente, será recomendado ou obrigatório o uso de máscara”, avisou o ministro, apontando como exemplo algumas alas de hospitais, alguns espaços onde se encontrem pessoas mais vulneráveis: “Mas isso é normal, já era assim antes da pandemia”.
Questionado ainda sobre se o fim das máscaras significa o fim da covid-19, o ministro da Saúde foi perentório: “Não, o fim é quando a Organização Mundial de Saúde decretar o fim do covid”.
Mas Portugal vive, atualmente, “um momento muito tranquilo” desse ponto de vista, o que “se deve muito aos SNS e aos seus profissionais” e também “aos portugueses que voltaram, neste inverno, a aderir massivamente à campanha de vacinação”, o que permite “uma elevadíssima penetração da vacinação” e o “aliviar” das medidas, realçou.
A covid-19 provocou em Portugal mais de 26 mil mortes, resultantes de mais de 5,5 milhões de casos de infeção.
A covid-19 é uma doença respiratória infecciosa causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, um tipo de vírus detetado há três anos na China e que se disseminou rapidamente pelo mundo, tendo assumido várias variantes e subvariantes, umas mais contagiosas do que outras.
c/LUSA
