Abrantes tem um orçamento recorde de 72 ME para 2026. Foto arquivo: Nuno Caetano Pais

Os orçamentos de 2026 continuam a demonstrar uma tendência regional para habitação acessível, educação, regeneração urbana e modernização de serviços públicos, com várias câmaras a depender de fundos comunitários do PRR e Portugal 2030.

Em paralelo, os municípios alertam para a necessidade de celeridade na execução das obras e disponibilidade de empresas para concorrer aos concursos.

Dos 11 municípios do Médio Tejo, apenas Tomar e Torres Novas ainda não aprovaram o orçamento, que será apresentado, debatido e votado no início de 2026, em datas a anunciar.

Ourém – maior orçamento da região impulsiona habitação e urbanismo

Ourém aprovou um orçamento de 74 milhões de euros para 2026, ligeiramente inferior ao valor de 2025 (77,5 ME), devido à não concretização de algumas rubricas de habitação e educação. O documento consolida o município como o que apresenta o maior orçamento da região.

As prioridades do município passam pela habitação acessível e regeneração urbana, com cerca de 13,4 ME destinados a habitação, 6,3 ME em educação e cerca de 6,2 ME em cultura e desporto, incluindo intervenções em infraestruturas municipais e transportes públicos.

“O valor é de 74 milhões de euros aproximadamente, menos cerca de 3,5 milhões, porque em 2025 tivemos valores considerados para habitação que não se realizaram. Mas a habitação e o urbanismo continuam no centro das prioridades”, disse o presidente Luís Miguel Albuquerque (PSD/CDS‑PP) à Lusa.

Abrantes – Orçamento recorde com forte aposta em habitação e educação

Abrantes aprovou um orçamento recorde de 71,9 ME para 2026, acima dos 62,08 ME de 2025, refletindo um aumento sobretudo em projetos de habitação, educação e modernização dos serviços públicos.

O município destina os maiores investimentos à habitação acessível, educação e requalificação urbana, assim como à melhoria da rede de água, saneamento e educação, nomeadamente uma residência de estudantes e a nova Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA).

“Temos um momento absolutamente decisivo para concretizar tudo aquilo que nos propusemos. O financiamento europeu é crucial para tornar possíveis as intervenções sem penalizar os munícipes”, afirmou o presidente Manuel Jorge Valamatos (PS).

Alcanena – 57,1 ME com foco na habitação e ordenamento

Alcanena aprovou um orçamento de 57,1 ME para 2026, abaixo dos 66 ME de 2025, mantendo a continuidade em projetos estruturantes.

As prioridades incluem habitação a custos controlados, requalificação urbana e ordenamento do território, garantindo respostas às necessidades sociais e económicas do concelho.

“O documento reflete uma opção clara de continuidade e transformação do território. A execução exige atenção aos tempos de obra e aos recursos disponíveis”, disse o presidente Rui Anastácio (PSD/CDS/MPT).

Entroncamento – 41,1 ME com oito eixos estratégicos

O Entroncamento aprovou um orçamento de 41,1 ME para 2026, centrado em educação, habitação, saúde, desenvolvimento económico, segurança urbana e modernização administrativa.

O município mantém investimentos em infraestruturas escolares e habitação acessível, além de projetos de regeneração urbana e digitalização dos serviços públicos.

“O orçamento reflete uma nova visão para um concelho mais moderno, seguro e inclusivo, capaz de responder aos desafios locais”, afirmou o presidente Nelson Cunha (Chega).

Ferreira do Zêzere – 32 ME e continuidade com foco nas pessoas

Ferreira do Zêzere aprovou um orçamento recorde de 32 ME, acima do valor de 2025, com investimentos estratégicos em habitação, educação, saúde e serviços públicos.

O município prevê a conclusão da nova escola (9,5 ME), 44 fogos de habitação a custos controlados (4,6 ME), requalificação do centro de saúde (550 mil euros), e projetos em cultura (1,3 ME), desporto (920 mil euros) e ação social (800 mil euros).

“É o maior orçamento de sempre. É um orçamento equilibrado, orientado para investimentos estruturantes nas pessoas, educação e habitação, sem comprometer a sustentabilidade financeira”, afirmou o presidente Bruno Gomes (PS).

Mação – 21,8 ME com continuidade e foco em habitação e regeneração urbana

Mação aprovou um orçamento de 21,8 ME para 2026, ligeiramente abaixo de 2025, mantendo investimentos em habitação a custos controlados, regeneração urbana e requalificações.

O município concentra recursos em projetos estruturantes, dando prioridade à inclusão social, desenvolvimento económico local e melhoria de infraestruturas públicas.

“Este orçamento é de continuidade do que herdámos e também um ponto de partida. Garantimos execução de investimentos já financiados e criamos condições para a visão futura do concelho”, afirmou José Fernando Martins (PS).

Vila Nova da Barquinha – 18,8 ME com aposta em habitação, educação e redução do IMI

Vila Nova da Barquinha aprovou o seu maior orçamento de sempre: 18,8 ME, com foco em habitação, educação e serviços públicos. Entre as novidades fiscais, a Câmara reduziu a taxa de IMI para o mínimo legal de 0,3% e alargou para cinco anos a isenção automática para determinados imóveis, reforçando medidas de apoio às famílias e à fixação da população local.

O investimento abrange projetos de regeneração urbana, reforço da rede educativa e promoção de habitação acessível, respondendo a pressões demográficas.

“O orçamento visa reforçar a qualidade de vida, atrair famílias e empresas, mantendo a sustentabilidade financeira”, afirmou o presidente Manuel Mourato (PS).

Sardoal – 15,8 ME com aposta em educação, habitação e infraestruturas

Sardoal aprovou um orçamento de 15,8 ME para 2026, abaixo dos 18,1 ME de 2025, mantendo foco em educação, habitação, proteção civil e mobilidade urbana.

Os principais investimentos incluem uma creche municipal, requalificação de espaços urbanos e reabilitação de habitações sociais.

“O orçamento reflete compromisso com transparência, prudência e proximidade, respondendo às necessidades da população”, afirmou o presidente Pedro Rosa (PSD).

Constância – 13,1 ME com habitação e conclusão de projetos em curso

Constância aprovou um orçamento de 13,1 ME, ligeiramente abaixo dos 13,4 ME de 2025, centrado na conclusão de projetos em curso e captação de fundos comunitários.

As prioridades incluem habitação, regeneração urbana e eficiência energética nas infraestruturas municipais.

“A habitação, eficiência energética e regeneração urbana serão as grandes prioridades, apesar dos constrangimentos na execução das obras”, afirmou o presidente Sérgio Oliveira (PS).

Orçamento da CIM Médio Tejo atinge os 25 ME em 2026

CIM Médio Tejo aprovou um orçamento de 25 ME para 2026. Foto: CIMMT

A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo aprovou um orçamento recorde de 25 milhões de euros para 2026, com mobilidade, inovação e coesão territorial como eixos estratégicos.

A maior fatia é destinada à mobilidade, incluindo gestão de transportes públicos, integração bilhética com o LINK, Passe Mensal LINK e expansão da rede de bicicletas elétricas. Outros investimentos englobam ambiente, turismo, transição digital, educação e áreas sociais, reforçando competitividade e sustentabilidade regional.

A CIM prevê ainda a execução de cerca de 121,6 ME em projetos ITI – Investimento Territorial Integrado nos próximos anos, distribuídos por diversos municípios da sub-região.

“O orçamento traduz a visão de uma região moderna, inclusiva e sustentável, com mobilidade e inovação como prioridades estratégicas”, afirmou o presidente da CIM, Manuel Jorge Valamatos (PS).

ULS Médio Tejo com orçamento de 233 ME para 2026

Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração da ULS Médio Tejo. Foto: mediotejo.net

A ULS Médio Tejo anunciou um orçamento global de 233 milhões de euros, com um plano de investimentos de 15 ME voltado para modernização de infraestruturas, reforço de equipamentos clínicos e melhoria da resposta assistencial.

“O plano é uma demonstração do empenho em modernizar a rede de cuidados e reforçar a resposta às populações, garantindo qualidade do SNS e sustentabilidade financeira”, afirmou Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração.

Entre os projetos destacam-se a requalificação dos hospitais de Tomar e Torres Novas, a conclusão do edifício de Pedopsiquiatria em Tomar e intervenções estruturais no Hospital de Abrantes e Torres Novas, incluindo remodelações do Bloco Operatório e ampliação do Hospital de Dia.

Os Cuidados de Saúde Primários receberão 1,8 ME para novos equipamentos, e a ULS continuará a contratação de médicos via projeto “Bata Branca” e integração de profissionais estrangeiros, além de convenções com IPSS e entidades privadas para utentes sem médico de família, servindo cerca de 170 000 utentes em 11 concelhos.

Médio Tejo preparado para 2026: investimentos estratégicos impulsionam desenvolvimento regional

No conjunto, os orçamentos municipais de 2026, complementados pelos investimentos estratégicos da CIM Médio Tejo — com 25 ME em mobilidade, inovação e coesão territorial — e da ULS Médio Tejo, com 233 ME e 15 ME de investimento em infraestruturas e equipamentos de saúde, refletem uma forte aposta na modernização, habitação, educação e serviços sociais.

A execução destes projetos estruturantes dependerá da captação de fundos comunitários e da capacidade de concretização das obras, preparando a região do Médio Tejo para enfrentar desafios demográficos e económicos e promovendo um desenvolvimento sustentável, inclusivo e de qualidade para as populações.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply