Foto: Carlos Alves

Estamos realmente numa fase menos boa das nossas vidas, enquanto mundo global. Em muitos casos, somos literalmente irresponsáveis por ignorarmos as conclusões dos especialistas ambientais que, em muitos casos, são irrefutáveis.

Um desenvolvimento harmonioso que limite este sofrimento é altamente desejável. É fundamental não prolongar indefinidamente e acertar as modificações indispensáveis para se alcançar, tanto a sobrevivência como a menor injustiça. Aliás, a segunda condiciona a primeira. Não se reduzem impunemente muitos milhões de população mundial a uma miséria por vezes, crescente.

A nossa incompreensão não pode forçar muitos povos a revoltas perigosas, mais violentas que organizadas. Seriam os nossos descendentes que sofreriam então os efeitos do nosso egoísmo, o qual está em condições de se transformar. Os múltiplos avisos que recebemos não podem cair na incomensurável estupidez da nossa história, aliás tão rica em erros monumentais.

Confrontados com esta tamanha situação, não pretendemos, sozinhos, propor um esquema falansteriano de um “mundo novo”. Teremos de ser todos a tomar consciência de que estes problemas têm de ser resolvidos por todos. Temos essa obrigação moral de trazer à ordem universal a tomada de consciência pelos cidadãos mundiais da extrema gravidade da situação.

A nossa espécie é a única que se mostra disposta a preparar os meios, não só do seu próprio aniquilamento, mas de toda a forma de vida. O crescimento desenfreado não toma em consideração nem o bem-estar nem o ambiente.

O respeito pela Natureza permitirá conhecê-la e apreciá-la melhor, viver em harmonia com todos os outros organismos vivos, plantas e animais, florestas e ribeiros, ventos e vagas.

São possíveis saídas, basta querê-lo. A política não pertence aos especialistas. A política pertence aos cidadãos.

Agora foco me noutras coisas, não sei mesmo se estou na fase da reflexão ou já na fase da revolta. Todas as manhãs olho para o céu, ou mesmo encaro o horizonte e vejo pessoas a dançar com as estrelas, a apertar as mãos, contudo não vejo ninguém particularmente incomodado por aquela repressão na cidade.

Tudo está previsto. Segundo as instruções repetidas de reunião em reunião brevemente os cidadãos vão conversar com estranhos na rua, com os vizinhos nos bancos da calçada e deixar de se pôr à disposição de desconhecidos para fazerem o que eles mandam.

Digo que não gosto desta situação.

O autocarro está a demorar hoje mais que o costume. Vem mais lentamente, com roupa de marca. Traz pétalas cintilantes, com aroma de frutos e pólen de flores. Lá dentro, olhos bons. Olhos incertos distraídos e erradios. Olhos de contas azuis com reflexos metálicos. Olhos de um verde esmaecido. Olhos diferentes, calmos, aveludados pela descarbonização e eficiência energética. Mas não chega. É preciso tirar os automóveis dos sítios onde é suposto haver pessoas.

A cidade tem os seus perigos, uns são mais temíveis para o nosso futuro que outros. Se continuarmos a caminhar no sentido de uma poluição crescente, cada um de nós não se sentirá livre. Temos de criar em nós o sentimento de uma obrigação, de um dever.

Uma vida cultural mais intensa poderá ser desenvolvida nas nossas Vilas e Cidades. De cada metro quadrado, é necessário fazer uma fonte de oxigénio.

Carlos Alves

É albicastrense de gema, mas foi em Malpique (Constância) e em Tramagal (Abrantes) onde cresceu e aprendeu que a amizade e o coração são coisas imprescindíveis na valorização do ser humano. Vive no Entroncamento. Estudou conservação e restauro e ciências sociais. É membro da Associação Portuguesa de Escritores (APE). Trabalha na área de informática. Participou em várias Antologias Poéticas e escreveu o livro “Diálogos da consciência” que serviu para se encontrar consigo próprio numa fase difícil da sua vida. Acha que o mundo poderia ser melhor, se o raciocínio do Homem fosse estimulado. A humanidade só tem um caminho que é amar, amar por tudo e amar por nada, mas amar.

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